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Comunicação ao país.

por FJV, em 18.02.10

Ficámos cientes. Muito obrigado.

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O cantinho do hooligan. Em tempo.

por FJV, em 18.02.10

De resto, para os mais descrentes e reticentes, aviso que um golo destes, o de Radamel Falcao, a passe de Ruben Micael (com a devida protecção do árbitro – que, com Micael, esbracejou para que Sol Campbell não desse os dois passos da ordem) não é de todos os dias. É para aprenderem. Foi assim que o Arsenal marcou ao Chelsea; foi assim que um dia fomos eliminados pelo Bayern. Entrámos na alta-roda do futebol europeu. Foi pena não ter sido depois dos noventa.

 

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O cantinho do hooligan. Enganos, fonética & fonologia.

por FJV, em 18.02.10

1. No princípio do jogo, comentador tinha o calendário sabido: depois de passar esta eliminatória, o Benfica tem o jogo com este e com aquele, depois é o sorteio e tal, foi bem vista esta antecipação com a U. Leiria, etc., bem pensado, bem pensado. No fim, o homem criticava o Benfica porque se prejudicou com uma pose de vencedor prematuro, de superioridade, etc. Às vezes, nem é o Benfica, portanto; são mesmo eles, que nem disfarçam.

2. Na rádio é mais claro. Os narradores e comentadores transformam o Benfica num clube de vogais abertas e consoantes brutas: antigamente eram Cámácho, Mákukula, Dávid Suázo, Máxi, Nuno Ássis. Depois Dávid Luiz, Di Máría, Cárdozo, Rámires, Rávier Sáviola, Rávi Gárcía, Páblito Áimár.

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Campo de’Fiori.

por FJV, em 17.02.10

Giordano Bruno morreu na fogueira da Inquisição há exatamente 410 anos, cumpridos hoje. Ele acreditava que o mundo era infinito e plural e que os sinais invisíveis da criação não podiam ser explicados com os dogmas católicos da época. Preso em 1592, só em 1600 o antigo dominicano foi finalmente sentenciado e as suas cinzas perdidas no Campo de’ Fiori, em Roma. Aproximadamente no mesmo lugar onde hoje está a estátua erguida em sua honra, enfrentando as cúpulas e os muros do Vaticano, e rodeada de símbolos herméticos. Nem todas as cinzas dos seus livros se perderam nesses derradeiros oito anos de cativeiro e de tortura. O que sobreviveu é o bastante para o desenhar como um sábio, um heterodoxo e um perguntador. Crimes suficientemente graves para a memória da Inquisição.

[Na coluna do Correio da Manhã.]

 

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Está tudo muito bem, mas isto acabou de chegar. Ainda está fresca, a tinta.

por FJV, em 17.02.10


 

O Terceiro Reich, de Roberto Bolaño. Sai para as livrarias a 26 de Fevereiro.

Primeira tradução mundial.

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O detective, finalmente. Galeria.

por FJV, em 16.02.10

O Sr. inspector Isaltino de Jesus em acção.

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Não se pode fazer um ponto da situação.

por FJV, em 16.02.10

Depois de ler esta peça, é evidente que o país entrará em espiral, em ritmo lento, consumindo-se devagar entre eleições para o PSD (um fenómeno), vida interna do PS (outro), eleições presidenciais e o campeonato de futebol. Isto não é ligeireza nem desinteresse. Evidentemente que estou de acordo com o Luís M. Jorge: não eram precisas «as escutas» para ver o óbvio. O óbvio é o óbvio — vem todos os dias nos jornais e basta fazer uma leitura da propaganda dos últimos três anos para o perceber. Não é preciso invocar conspirações extraordinárias; o puzzle está ao alcance de qualquer um e até do embaraço dos apaniguados. O argumento de que o país votou assim e que não se pode fazer nada contra isso não me comove extraordinariamente. Transformá-lo em república de juristas, debulhando o segredo de justiça (que flutua bastante, basta lembrar), discutindo pequenas censuras, e as conveniências de advogados e defensores da ordem, é o pior que nos pode acontecer. O problema do país não é jurídico nem legal — é político. Não é preciso ler o Sol nem as decepcionantes defesas oficiosas do regime, e do centrão, para o perceber. Desde há três anos que o problema é mais vasto. É a indiferença do país (tanto em relação ao endividamento externo de 177 mil milhões, como à propaganda e à mistificação, como a questões elementares de direitos e liberdades); a impunidade do poder e do Estado; o carácter manhoso da corte que Sócrates espalhou por uma rede influente e distribuída pelo Estado e pelas corporações; a rede de interesses e compromissos que junta negócios, influência na imprensa e decisão política; um PSD pouco empenhado e, sobretudo, pouco hábil que espera que Sócrates caia de maduro. A gritaria não vai poupar ninguém.

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Ora aí estão os próximos episódios.

por FJV, em 16.02.10

Do género: eu disse. A guerra é a guerra.

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Pedagogia.

por FJV, em 16.02.10

Um texto de João Torgal alerta-nos para o maravilhoso mundo criado pelos super-pedagogos do Ministério da Educação.

(Via Insurgente.)

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Ler.

por FJV, em 16.02.10

Sensatez e aviso, segundo João Villalobos. Estas coisas nunca fizeram mal a ninguém. E, em política, são essenciais.

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Dick Francis.

por FJV, em 16.02.10

Era discreto e parecia um velhinho na bancada de apostas de um hipódromo, de chapéu e gabardina. Essa imagem vinha a propósito porque Dick Francis viveu de livros, é certo, mas também de corridas de cavalos. Juntou as suas duas paixões para se transformar num dos escritores de literatura policial mais lidos em Inglaterra. Ano sem “um novo Dick Francis” e sem uma nova aventura de Sid Haley, não era coisa que se perdoasse. Com o tempo, as corridas de cavalos foram substituídas pelo basquete e pelo futebol, e os livros de Dick Francis perderam para os vampiros e thrillers maçónicos. Este homem, que pertencia à Inglaterra dos anos 70 e 80, morreu no domingo. Dardo era um excelente policial e Francis um talentoso britânico que não entrou no século XXI. Como ele há poucos.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Sorpresas te da la vida.

por FJV, em 16.02.10

Guerra é guerra. Nesse cenário, a oposição gostaria de ter encostado José Sócrates à parede — e de ter o PS como aliado moral para se desfazer do primeiro-ministro. Um favor destes teria um preço enorme, sobretudo para a oposição que quer estar na salinha-de-espera aguardando mais negócios e colocações, como tem sido costume. Essa ideia, certamente generosa, encontra alguns senões, sendo o principal o facto de José Sócrates ser um lutador que vende cara a derrota, se é que a vende. Por isso, toda a gente caiu em cima dos socialistas que desafiaram a oposição para uma moção de censura; não percebo porquê. 

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Toda uma outra maneira de ver.

por FJV, em 16.02.10

«Neste país de fariseus parece que acabámos de descobrir que políticos e apaniguados gostam de mandar e gostam de vencer adversários - mesmo quando se inibem de os mandar prender ou matar. Imagino o que este país de fariseus fará e dirá quando, deitando por terra as suas vendas e as suas mentirinhas convencionais, tiver que reconhecer que, em países livres, não há verdadeira alternativa a esta forma suja, contaminada, degradante, de fazer política. Imagino que este país de fariseus prefira então, como tantas vezes tem preferido no passado, o equivalente político da procriação sem sexo, uma forma não-contaminada de políticos e apaniguados muito puros e seráficos manterem as aparências, o torpor e as mentirinhas, a troco de uma sempre fácil renúncia à liberdade.»

No Jansenista, «Cicuta na Fariseia»

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Joe.

por FJV, em 16.02.10

Há sempre alguém que, com descaramento, resume o essencial: «O Governo não pode ter uma ‘golden share’, mas um acionista pode.»

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Acasos, 7.

por FJV, em 16.02.10

 

Kings of Convenience, «Winning a Battle, Losing the War»

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Acasos, 6.

por FJV, em 15.02.10

 

 

Devendra Banhart, «Brindo».

 

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O fim do carnaval lusitano.

por FJV, em 14.02.10

 

O Carnaval português sempre me afligiu. Lembro-me dele quando ainda só era Entrudo e não dispúnhamos daquelas raparigas da Mealhada a dançar na rua, debaixo de chuva, abrigadas pelos seus simpáticos biquinis. Essa é a primeira imagem que me assalta: o frio, o desconsolo meteorológico, a desadequação climática. Isso e os seus desfiles, em carros alegóricos montados em cima de tratores. E dos fatos de má qualidade, de brilho barato, cintilante nos domingos de Fevereiro, escarlates. Tinha pena das raparigas. Também me penalizava pelos rapazes, da cidade ou da província, muito machões durante o ano, mas que no Carnaval se mascaravam de meretrizes ou de tias velhas. Mas, insisto, o pior era o frio de Fevereiro, os chuviscos a meio da tarde, o granizo nas ruas de Ovar, de Cantanhede ou Olhão. Um resto de misericórdia vinha do fundo da consciência pedir proteção para os desfiles.
Aos desfiles, propriamente ditos, vi-os sempre pela televisão e bastou-me: umas raparigas sem o sentido das proporções dançavam muito mal o samba, agitavam bandeirinhas, sorriam, enregeladas, com peças de tule cobrindo uns corpos muito brancos que ainda não tinham feito a dieta habitual antes da época balnear. O corpo das portuguesas, neste domínio, é um campo de sacrifícios: durante o ano alimenta-se bem e corajosamente; entre Abril e Maio começa a penar e a penitenciar-se, preparando-se para a exposição solar do Verão. É um mundo de desgraças. Só o Carnaval, com as suas peças de tule com penduricalhos de brilhantes falsos em cima, permite entrever as carnes esbranquiçadas que hão-de estar mais passadas no S. João. As figuras, dos «carros alegóricos», são o bombo da festa tradicional – políticos da televisão, caricaturas sofríveis, mal pintadas, ditos de gosto duvidoso, misturando a tradição popular da província com a piada do Parque Mayer. Tirando o dr. Alberto João Jardim, saltitando na Avenida Arriaga, no Funchal, os desfiles são pobres. Pobres e cheios de frio.
Depois, há umas atrizes de telenovela portuguesa e os seus companheiros de ofício, que vão também aperaltados no alto dos carros (que lembram, a milhas, os «trios elétricos» de Salvador, eufóricos e encalorados): também aí é uma desilusão. Sob os tules, vêm mais panos para esconder a «beleza tradicional portuguesa». As atrizes de telenovela brasileira chegaram entretanto para animar um pouco a paisagem: sorriem muito, recebem o cheque, levantam os braços, cumprem a sua função.
Fico sempre espantado com as notícias das televisões, que falam dos «foliões» que aguardam a passagem dos desfiles: e as imagens dão conta de umas famílias apinhadas nos passeios, com os miúdos encavalitados vendo passar o cortejo de horrores. Isto, claro, sem falar da música permanente de «mamãe eu quero, eu quero mamar» que todas as discotecas do Algarve passam aos berros para que comboios de «foliões», organizados com a espontaneidade de uma missa em latim, se meneiem e transpirem adequadamente. Não sei. Não sei. Mesmo para Portugal, é muito horror junto.

[Publicado há seis anos, na coluna de então no JN.]

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Desculpem lá, mas isto sim, são coisas realmente importantes.

por FJV, em 14.02.10

Nigella Lawson.

Quero lá saber do Ferran Adrià, esse embuste.

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Tauromaquia.

por FJV, em 14.02.10

O ataque mais frontal ao governo é o de Henrique Granadeiro; qualquer análise textual que explorasse a declaração do chairman da PT até às últimas consequências deitaria por terra a tese do «não é nada, é tudo invenção».

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Deutsche Zeitung.

por FJV, em 14.02.10

Paulo: nur diejenigen die deutsche Zeitungen lesen ist eine Person ganz zufrieden.

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