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Um homem.

por FJV, em 19.01.10

Oiçam: é a entrevista de Carlos Vaz Marques a J. Rentes de Carvalho, um homem à antiga portuguesa, um escritor que merece ser conhecido.

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Assinaturas.

por FJV, em 19.01.10

Qual é o código postal das assinaturas entregues para Santana Lopes promover o congresso do PSD? (Já não pergunto pelo ADN...)

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O cantinho do hooligan. Isso.

por FJV, em 19.01.10

Depois do Ruben Micael, «só falta trazer de volta o Ukra e o Castro; comprar o Rodriguez, o Alonso e o Mossoró; pôr o Sérgio Oliveira sempre nos convocados; apostar no André Coelho ; recuperar  o Cristian Rodriguez e correr com os Marianos, Guarins, Prediguers, Valeris, Farías, Costas e companhia limitada». [Pedro Marques Lopes, no União de Facto]

 

Concordo — e o C. Rodríguez, esse, não se recupera por causa dos Prediguers que estão lá a atrapalhar.

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O voyeurismo da tragédia.

por FJV, em 17.01.10

 

 

As televisões — graças, sobretudo, ao aumento da percentagem de meninas e meninos ignorantes nas suas secções de «internacional» — gostam de «tragédias humanitárias». Raramente estão lá, nos aeroportos sujos, nas ruas malcheirosas, nas casas em ruínas, entre os feridos e os esfomeados. No Ruanda, onde estive uma semana na década de oitenta, vi repórteres a telefonar para as redacções a protestar pelas condições do hotel (Carlos Fino, valha a verdade, também se queixava de que havia bombardeamentos à hora a que os jornalistas procuravam um pouco de tranquilidade no hotel, ao fim da tarde); e vi jornalistas, como eu, que regressavam de Ramallah a meio da tarde para não perderem a melhor hora do buffet no hotel. A vida é assim. Felizmente, andei sempre com fotógrafos corajosos e gostava de falar disso. Um dia, no México, depois de passarmos uns dias entre Chiapas e a Guatemala, dois jornalistas (um do NYT e outro do Miami Herald) invejaram as fotos do João Francisco Vilhena; regressávamos de umas trapalhadas na Sierra Madre del Sur, com tiroteios aqui e ali, barreiras militares, paragens no alto das montanhas — estávamos em trabalho freelance para a Visão. O João, que tinha passado pela pior experiência da vida de um repórter, que é estar durante cinco minutos com o cano de uma metralhadora apontada à cabeça, a meio da noite, no meio do Cañon del Sumidero (enquanto eu oferecia volumes de Marlboro em troca), nem pestanejou quando os periodistas y reporteros que estavam no Café del Teatro de San Cristóbal de Las Casas (com um orçamento que lhes permitia pagar guias que os levavam a visitar aldeias turísticas chamulas, que depois eles transformavam em cenário de guerra civil entre exército e zapatistas) se preparavam para nos oferecer uns milhares de dólares pelo material. «Vão-se foder», foi o que ele lhes disse. Nunca agradeci suficientemente ao João este gesto (ele hoje trabalha no Sol). Coisa parecida aconteceu quando o Pedro Loureiro (então para a Grande Reportagem) e eu regressávamos de dois dias em plena guerra civil na fronteira de Gaza com o Egipto e Israel. Tínhamos sido evacuados de Termit/Raffah para o Egipto a meio da noite, no meio de explosões e de tiroteio (no meio da coisa ficámos sem um dos coletes à prova de bala, já agora). Uma estupidez corajosa, andar por ali. Quando, um dia depois de termos sido resgatados no meio das dunas, chegámos a Jerusalém, eu subi ao quarto para tomar banho e escrever; o Pedro ficou um bocado mais no bar. Ouvi os berros do Pedro e ele explicou-me que um filho da puta (a expressão é dele) de uma revista francesa lhe queria dar 2 mil euros pelo material, mas que nós não o podíamos publicar. Uma semana depois, o filho da puta publicou uma reportagem como se lá estivesse, ensanguentada e cheia de números fornecidos pela ONU — quando mal saiu da esplanada do hotel, onde lia o Haaretz e um tradutor lhe passava as citações dos outros jornais. Como conhecíamos bem o fotógrafo que vendeu as fotografias, sabemos do que falávamos.

A ideia de que se morre bastante no meio das tragédias é ampliada pelo negócio das ONG que recebem à cabeça — e antecipadamente — pelos refugiados que albergam em acampamentos. Três mil, dezoito mil, um milhão. Nada pára a vontade de aumentar a eficácia da própria tragédia. Os efeitos colaterais são fantásticos. O problema é que a morte tem poucos adjectivos. Basta falarem com alguém que tenha feito a cobertura de casos assim — Martin Adler, que escreveu durante muito tempo para a Grande Reportagem, antes de ser assassinado a tiro e pelas costas, na Somália, durante uma manifestação convocada pelos Tribunais Islâmicos, era o mais crítico dos guionistas da tragédia.

A pornografia televisiva em redor do Haiti vai no mesmo sentido. Eduardo Pitta fala do assunto — e bem. De um milhão, o número de vítimas passa a meio milhão; de meio milhão está agora em 50 mil, mas há quem avance 200 mil. Mas ajuda-ajuda-ajuda, vê-se pouco. Imagens repetidas até à exaustão e sem critério (com a excepção da TVI24, como escreve o Eduardo), retratinhos da net e das webcam, testemunhos que repetem a tragédia até ao infinito, números escutados na esquina do hotel. Um dia, um repórter foi apanhado num banco de jardim de uma cidade do Médio Oriente a fazer um despacho telefónico para a sua rádio, falando dos mísseis Scud que iriam cair nessa tarde. Uns amigos que passavam, entre o divertido e o enojado, ainda o convidaram para jantar num restaurante de gente corajosa que tinha um belo humus com kaftedes, e beber um whisky (quando o vejo, lembro-me de quando fazia reportagens de campo, nos estádios, como se o mundo tivesse desabado). A indústria da tragédia é uma das misérias do jornalismo.

[Fotografias de Martin Adler — arquivo da Grande Reportagem — na Tchechénia, Sudão, Somália e Afeganistão]

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O cantinho do hooligan. Ah, a stasis do Fóculporto.

por FJV, em 17.01.10

O Filipe inventa, a passo e passo, uma στάσις no futebol, o único lugar onde não há estabilidade mas apenas movimentos perpétuos. Há, porém, várias diferenças entre o futebol português e a guerra do Peloponeso. Por isso, ataca onde mais dói, cirurgicamente. Ele tem razão quando diz que, apesar de Sapunaru não jogar, o FC Porto não melhora (a mesma coisa acontecia com jogadores inteligentíssimos como Nelson, Aguiar, Thomas, Okunowo, Chano ou o grupo de novos Eusébios onde andavam Akwá e Mawete); mas não vale a pena rezingar-lhe e chamar a atenção para três golos mal anulados – é para aí que ele melhor dorme, com a satisfação que recupera os tempos em que a equipa da galinha era o clube do regime, guardado pela televisão, pela rádio, por A Bola, pelos ministros do interior e pela populaça. Não é preciso ler Tucídides para isso, mas é sempre bom tê-lo em conta. O ideal, eu sei, é ver o adversário estatelar-se; ou, pelo menos, ser derrotado com um golo – a versão é a de Mário Filho, o criador do Maracanã, fundador da Gazeta dos Esportes e irmão de Nelson Rodrigues, no Sapo de Arubinha – precedido de agressão ao guarda-redes, em fora-de-jogo, ao minuto 91, e marcado com a mão. Isso era a glória.

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Um livro.

por FJV, em 17.01.10

Parece que há uma polémica entre duas editoras (Gradiva e Bertrand) para saber qual livro (‘Fúria Divina’, de Rodrigues dos Santos, ou ‘O Símbolo Perdido’, de Dan Brown) pode ser “o mais vendido de 2009”. O pormenor não é despiciendo uma vez que – além da literatura, propriamente dita, ou do romance – há folhas de cálculo, orçamentos, lucros e salários para pagar. Publicar livros é um negócio complexo e , às vezes, dramático. Depois, há outras coisas: ler, esconder, ocultar, segredar, confidenciar, murmurar, simular, calar, recolher. E gostar. Um leitor a dizer uma frase ao ouvido do outro. Deixar-lhe (lembram-se?) um recado dentro de um livro. Esconder um livro para ser só seu. Segredar uma coisa maravilhosa, um verso, uma frase, um lugar, um gesto, um nome. Um livro.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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O cantinho do hooligan. Tarde piaste.

por FJV, em 17.01.10

1. Uma arbitragem destas seria escandalosa nos jornais do regime. Como se trata do FC Porto, o máximo que leva é a nota fraquinha. Na dúvida, castiga-se o FC Porto, porque podem. Dois golos anulados na quarta-feira; um golo hoje. Soma e segue. Parabéns. O cavalheiro chamava-se Rui Costa, estão bem um para o outro. Belos apitos.

2. Temos alas. Sei que é escandaloso dizer; mas é verdade: temos alas (Fucile e Alvaro). Não temos miolo. Não há «número dez», não há «número oito». O esquadrão que veio tapar os buracos deixados por Lucho, Lisandro (e Cissokho) resume-se a isto — Alvaro Pereira, às vezes Falcão e o resto é Prediger. Aliás, Belluschi é Prediger, Valeri é Prediger, a juntar aos Prediger que já cá estavam, Mariano e Tomás Costa, sem falar de Guarín. Se Prediger não foi convocado, então não percebo o resto. Silvestre Varela, a contratação mais simples, é quem traz mais soluções. Ainda há 14 dias para tratar do assunto, mas eu percebo: não se podem despachar os Prediger, pois não?

3. Jesualdo arriscou o que havia a arriscar na sua cabeça e com o banco que tem.

 

Adenda: entrou o Ruben Micael mas não saiu nenhum Prediger.

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O que se guarda dentro de um livro.

por FJV, em 14.01.10

Coisa maravilhosa: a Biblioteca Municipal de Vila Real vai organizar uma exposição sobre “coisas esquecidas no meio dos livros” — marcadores, anotações avulsas, flores secas, poemas anónimos, cartas, bilhetes de namorados, postais ilustrados que durante meio século foram sendo deixados “no meio dos livros” que foram requisitados das suas estantes. Para isso serviam, também os livros: um bilhete, no meio de um dicionário de Latim, a marcar um encontro junto do muro do Liceu; um queixume enternecido e magoado esquecido entre as páginas de uma monografia sobre cerâmica regional. Um bilhete de cinema a fazer de marcador. A lista pode ser interminável, tal como as florezinhas que se deixavam em certas páginas, onde vinham os sonetos de amor. A ideia é de puro génio. Vou vê-la.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Brindemos.

por FJV, em 12.01.10

Brindemos ao Banco de Portugal, que prevê 0,7 de crescimento. No entanto, aposto com todos que o Dr. Constâncio só vai manter este número até à discussão do orçamento e ao primeiro abraço do Dr. Aguiar Branco.

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Olha.

por FJV, em 10.01.10

Também neste caso, as obras públicas, com a cobertura de uma grande engenharia financeira optimista, eram uma promessa de emprego, crescimento e espectáculo. Olha.

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Acúrcio.

por FJV, em 10.01.10

Conheci-o há uns anos e conversámos longamente durante uma viagem (a Moçambique) em que tirei as minhas dúvidas sobre como se pode ser guarda-redes de futebol (e dos melhores) e avançado de hóquei em patins (dos melhores), além de reconstituir o mais famoso dos seus jogos, quando partiu um braço depois de um choque com Matateu (do Belenenses) e, logo a seguir, marcou um golo de baliza a baliza. Vicente, irmão de Matateu, explicou-me que não foi por sorte; ele viu o trajecto da bola a dirigir-se para a baliza. Um atleta. Alto, largo, elegante, humilde. Acúrcio morreu este fim-de-semana.

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A orientação.

por FJV, em 10.01.10

Alguns jornais publicaram  uma notícia sobre o livro Mudar, de Pedro Passos Coelho, acrescentando que estava a ser escrito “sob minha orientação”. É falso. O livro será publicado pela Quetzal, do grupo Bertrand, onde sou editor – uma condição profissional que me leva a “orientar” a publicação de muitas dezenas de livros por ano. Foi Passos Coelho que escreveu – rigorosamente – a última versão que me foi entregue para publicação, e que li como qualquer editor que quer publicar um bom livro.

Sou, de facto, editor do livro. É, digamos, o meu negócio. Quer dizer, o meu trabalho, aquilo de que vivo e que me ajuda a pagar as contas.

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Lá está.

por FJV, em 09.01.10

Manuel Alegre, que durante a campanha eleitoral para as presidenciais várias vezes ameaçou entrar na esfera de competências do governo, diz (no Expresso de hoje) que Cavaco «não resiste à tentação de governar».

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Se é a falar, falemos.

por FJV, em 09.01.10

Paulo Rangel fala — e bem — de uma revolução conservadora no ensino. Uma revolução «que substitua o facilitismo pela exigência». Anos de atraso nesta conversa. Duas décadas, pelo menos. Nesta matéria, é preciso ter alguma memória para não cair no espectáculo. Lembram-se quando um ministro (do PSD) tratou de substituir a designação «alunos» pela de «aprendentes»? Lembram-se como, que me lembre, todos os ministros que tentaram reformas curriculares e chamaram a atenção para o problema dos programas de ensino (como David Justino e Marçal Grilo, por exemplo) foram trucidados pelas máquinas partidárias?

O conceito (revolução conservadora) tinha graça há uma ou duas décadas. Nessa altura, muito antes de aparecerem «os números da Finlândia» (descansem, que não foi só com computadores na sala de aula que apareceram os bons resultados), já se falava de outros modelos, como os da Coreia do Sul (descansem, que não foi só com computadores na sala de aula que apareceram os bons resultados), «que não tinham a ver com a nossa cultura, pá». Pobre gente que nunca tinha lido David Landes. Agora, o próprio Paulo Rangel levanta a ponta do véu: associado ao lema «revolução conservadora» adianta logo o «estatuto do aluno». Já se vê. Uma piscadela de olho que não é nada conservadora, mas que apenas transporta o seu tique disciplinador e de «cada coisa no seu lugar». Infelizmente, o «estatuto do aluno» é o menor dos males — vai ser coisa para a fedelhagem tratar da «participação na escola», do «modelo de gestão», do «poder da escola» e dos vícios congéneres.

Não. O que é preciso discutir, realmente, é o que se vai ensinar na escola. E para isso é preciso questionar seriamente uma geração de burocratas das ciências pedagógicas que, durante os últimos trinta anos, torturaram professores e alunos com as suas ideias de «engenharia escolar e social», os seus manuais deficientes, as ideias feitas, as vulgaridades e erros nos manuais de Português, História ou — ah, sim — até Matemática. Não se trata, apenas de mudança de mentalidade; isso, como o país está, ligeirinho e moderno, é o menos. Portugal muda de mentalidade todos os anos, conforme as conveniências, as oportunidades, o «Prós e Contras», as «fracturas» e os «psis» chamados ao estrado do Ministério da Educação.

A «revolução conservadora» tinha graça há duas décadas quando valia a pena construir o edifício. Hoje, ele está deficiente. Em primeiro lugar, chamem os professores. Os professores-professores — não os técnicos em Ciências da Educação que não dão aulas há vinte anos. Chamem os professores que contactam com os alunos, que dão aulas, que passam pelos corredores e sabem do que se fala quando se fala de educação. A tentação da reforma a todo o custo cria vítima insuspeitas; para legislar sobre o «modelo de avaliação dos professores» a primeira coisa que fizeram foi afastar os professores. Não queiram fazer a reforma curricular afastando-os de novo. Basta ouvir, tomar notas, recolher histórias reais. Isto não são os cientistas da pedagogia que o podem fazer; eles não têm histórias reais para contar — aliás, lendo o que eles escrevem nas introduções aos programas escolares e nos materiais ideológicos produzidos pelo Ministério da Educação, até é legítimo supor que não falam Português.

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Fractura.

por FJV, em 09.01.10

[act.]

Rigorosamente nada a dizer sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Já tudo foi dito, e em todas as direcções, desde a «hecatombe nos costumes» até ao «avanço civilizacional». A lei foi aprovada na Assembleia, segue-se um périplo que incluirá a verificação da constitucionalidade (duvidosa) e o regresso à normalidade. Daqui a um ano, estatísticas nos jornais.

Simplesmente, estas coisas não são estatísticas e têm a ver com a vida real, onde as leis fazem sombra.

Politicamente, a direita perdeu porque não soube — desde o princípio — lidar com o problema nem falar com clareza sobre o assunto. A conversa sobre «a finalidade do casamento» não era coisa para campanha eleitoral; e foi a única vez que o assunto foi tratado. A triste (tristonha) invocação de valores ancestrais não basta para enfrentar questões de hoje; e é uma pena que a legislação sobre uniões de facto não tivesse sido aproveitada para iniciar essa discussão. A direita teve vergonha, os homossexuais conservadores tiveram vergonha. Nos livros de Andrew Sullivan rasgam as partes inapropriadas.

Foi também a direita a culpada desta radicalização ligeiramente folclórica, permitindo que o discurso político pudesse ser apopriado por um discurso de género. Fazer política não é reagir; é antecipar. A invenção da união civil registada, à pressa, às portas da votação e em plena discussão, é a prova desta incompetência (que ameaça ser genética) do PSD para tratar questões que ultrapassem as minudências das comissões parlamentares.

A fractura foi feita, o Estado mete-se em nossas casas como gosta. Sigamos em frente.

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Arrumar a questão.

por FJV, em 09.01.10

Muito bem. O assunto sindical dos professores está arrumado. Agora, vamos tratar da escola, da revisão curricular, da reforma das matérias a ensinar, das questões pedagógicas essenciais, da gramática e da matemática. Não são questões para tratar na rua — mas na escola. Aquilo que, manifestamente, Maria de Lurdes Rodrigues não conseguiu tratar nem tinha apetência para tratar. Agora vamos discutir a escola.

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Magalhães.

por FJV, em 09.01.10

Um estudo da Anacom mostra que mais de 90% dos portugueses que aderiram aos programas do Plano Tecnológico ou ao fornecimento de Magalhães à mistura – já tinham computadores em casa (tal como banda larga). Não custa a acreditar. Além disso, as muitas escolas que tenho visitado têm computadores nas bibliotecas e nas salas de TIC. A superabundância de computadores no ensino é um bom negócio para as empresas fornecedoras de material mas não sei se está a favorecer grandiosamente o estudo e a aplicação nas escolas. Embora tenha dúvidas, deixo esse assunto aos professores – eles deviam ter sido consultados antes desta trapalhada. Mas não. As luminárias do costume acham que os professores não devem ter palavra sobre o ensino. Talvez tivessem alguma coisa a aprender com eles.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Novos descobrimentos.

por FJV, em 09.01.10

À descoberta do Ponto G – nos anos cinquenta, pelo alemão Ernst Gräfenberg – correspondeu diretamente a década de 70 e a “emancipação sexual” das mulheres. Com a existência do Ponto G tudo era possível. Ainda bem. Foi bom. A procura desse lugar invisível era, além disso, uma promessa de encontro, de devassidão e de prazer, tudo coisas positivas. Um grupo de investigadores do King’s College garante agora, no entanto, que o Ponto G não existe ou que a sua existência é “subjetiva”. Ora bolas. Há novidades científicas que não deviam divulgar-se sem cautelas suplementares, para não correr o risco de convulsões desnecessárias. É como se alguém nos tentasse convencer de que, afinal, as sereias ou os unicórnios não existem. Para todos os efeitos, continuaremos à procura.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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E-book.

por FJV, em 09.01.10

Quando os entusiastas do e-book festejam o lançamento de mais um novo leitor de livros eletrónicos, tenho dúvidas. Tenho dúvidas porque sou conservador – e tenho dúvidas porque tenho receio da pirataria informática que afetará os direitos de autor e a indústria do livro. Ontem, o CM noticiou: o título mais pirateado das bibliotecas digitais foi o ‘Kamasutra’, com cem mil a 250 mil cópias falsas. Neste caso não há problema com os direitos de autor, evidentemente – mas o top das falsificações revela o perfil do pirata de livros: ‘softporno’, informática, bricolage (não estou a brincar) e em oitavo lugar vampiros e Stephenie Meyer. Ainda são piratas de pacotilha. A ‘The Economist’ diz que até 2011 se vão vender 18 milhões de leitores de e-books. É fazer contas, piratas.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Nenhum ensaio sobre a cegueira.

por FJV, em 05.01.10

Não sabemos se Jorge Luis Borges escreveria de maneira diferente caso não tivesse cegado. O que ele teria lido. Como ele teria amado Buenos Aires, onde nasceu e viveu. Como ele teria amado Genebra, onde morreu. A cegueira, que é um dos nossos grandes pavores, foi total em Borges aos cinquenta anos. Em Louis Braille, cujo centenário se assinalou ontem, foi aos três anos – a criação de um alfabeto ou código para cegos constituiu uma das grande aventuras da humanidade e merece ser relembrado como um avanço indiscutível na nossa sensibilidade ao sofrimento dos outros. Braille imaginou o seu código associando-o à linguagem musical, o que já diz muito da beleza desconhecida que ele transporta. Com a obra de Braille ficámos, todos, mais humanos. Mais sensíveis. Visíveis.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Alcoolismo.

por FJV, em 05.01.10

O CM de anteontem dava conta de uma preocupação aparentemente nova acerca do “comportamento alcoólico” das novas gerações – muito mais de acordo com os excessos do norte da Europa do que com os velhos padrões mediterrânicos. Só por distração. Há justamente um ano, nesta coluna, chamei a atenção para o moralismo das autoridades, que perseguiam fumo e colesterol nos restaurantes evitando a fiscalização de bares onde adolescentes e crianças, de 12 anos, por exemplo, entravam em coma alcoólico com vigilância policial à porta. É o que sabemos: beber, um ato convivial e civilizado, transformou-se na pedrada que sabemos. O meu pai, um cavalheiro, detestava (com a mesma intensidade) gente que se embebedava e gente que não bebia. As nossas autoridades, por seu lado, só gostam de coisas trágicas.

[Na coluna do Correio da Manhã]

 

 

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Contabilidade.

por FJV, em 05.01.10

As contas portuguesas dão sempre resultado incerto. No papel, os resultados são positivos e apaixonantes; durante a realização dos projetos, há um desacerto total – os proventos não chegam, os gastos disparam e todos nós empobrecemos mais um pouco. Foi assim sempre, mas sobretudo na época da embaixada de D. Manuel ao Papa, um dos episódios mais pífios da nossa sede de gastos. Vejam-se os estádios de futebol (sobras do Euro 2004): neste momento, há pelo menos três autarquias que gostariam de deitá-los abaixo porque estão a ficar caros demais. Gostamos de ser otimistas por obrigação. Por isso, no último dia do ano, limitemo-nos a não fazer contas mas a pensar no assunto: nos EUA há mais bibliotecas do que McDonalds; em Portugal há mais estádios do que bibliotecas.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Manutenção.

por FJV, em 04.01.10

Volto ao blog com o ano novo já estreado pelas canções anteriores. Ainda a tempo de festejos e lamentos.
Festejo: os cinco anos do Da Literatura, agora de Eduardo Pitta a solo. Cinco anos é uma eternidade na blogosfera, e merece um abraço.
Festejo ainda: o nascimento do Córtex Frontal, com José Medeiros Ferreira e Joana Amaral Dias — lugar de visita diária.
Festejo, finalmente: os «dissidentes» do Corta-Fitas (que tem vindo a renovar-se, sim senhor, muito bem) abrem a loja no Albergue Espanhol já dia 6, depois de amanhã.
Lamento: o Luís M. Jorge anuncia que vai abrandar o ritmo do Vida Breve, o que é um golpe à má-fila, desnecessário nestes tempos de invernia. Uma pessoa habitua-se e, daí a nada, tiram-lhe o blog. Assim não.

 

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Canções que começaram o ano por qualquer razão desconhecida.7.

por FJV, em 03.01.10

 

Yo La Tengo, esse mar.

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Canções que começaram o ano por qualquer razão desconhecida.6.

por FJV, em 03.01.10

 

Um cenário especial, a velha Jerusalém. E Silver Jews, uma banda de sempre.

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Canções que começaram o ano por qualquer razão desconhecida.5.

por FJV, em 03.01.10

 

De há muito tempo.

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Canções que começaram o ano por qualquer razão desconhecida.4.

por FJV, em 03.01.10

 

Radiohead. O título diz tudo.

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Canções que começaram o ano por qualquer razão desconhecida.3.

por FJV, em 03.01.10

 

Urge Overkill, uma canção de Neil Diamond. Pulp Fiction

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Canções que começaram o ano por qualquer razão desconhecida.2.

por FJV, em 03.01.10

 

The Clash.

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Canções que começaram o ano por qualquer razão desconhecida.1.

por FJV, em 03.01.10

 

The Smiths.

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