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Sustentável.

por FJV, em 26.01.10

O Rock in Rio criou o Prémio Rock in Rio Atitude Sustentável. O texto informativo tem 7,787 caracteres, seguidinhos, explicando tim-tim por tim-tim o que é a sustentabilidade de não sei quantas coisas, num total de 21 ocorrências da palavra «sustentável». Já não se pode com a palavra «sustentável». Eu já não a sustento.

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Trens e ferrovias.

por FJV, em 25.01.10

Para quem escreveu um livro sobre comboios, e acredita na viabilidade de uma boa rede ferroviária, este texto pode ser deprimente.

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Tiago Plomb Moreira du Cantal Ramalho.

por FJV, em 25.01.10

Só lembraria ao Tiago Moreira Ramalho chamar-lhe Plomb du Cantal.

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A arte de citar ou a caça ao ribombante.

por FJV, em 25.01.10

J. Mendonça da Cruz anota mais dois títulos que não têm a ver com o texto. Mas não é iliteracia; é, antes, política ribombante. Aí está o problema de só ler os títulos.

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Evidências. No ponto.

por FJV, em 25.01.10

Ler o artigo de José Eduardo Agualusa no I de hoje, sobre Angola:

 

«Mais extraordinário é perceber como um regime totalitário consegue exportar o medo. Não já o medo de ir para a cadeia, é claro; ou o medo de ser assassinado na via pública durante um suposto assalto. Trata-se agora do medo de perder um bom negócio. Do medo de ofender um cliente importante.
Ver dirigentes políticos portugueses, de vários quadrantes ideológicos, a defenderem certas posições do regime angolano com a veemência de jovens aspirantes ao Comité Central do MPLA seria apenas ridículo, não fosse trágico.
Alguns deles, curiosamente, são os mesmos que ainda há poucos anos iam fazer piqueniques a essa espécie de alegre Disneylândia edificada pela UNITA no Sudeste de Angola, a Jamba, vestidos à Coronel Tapioca, e que apareciam em toda a parte a anunciar Jonas Savimbi como o libertador de Angola.»

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Quem diria.

por FJV, em 24.01.10

Esta manhã, a ESPN Classic transmitiu o jogo Portugal-Brasil do Campeonato do Mundo de 1966, com comentários de Rui Tovar. Aos 15’, depois de um passe de Eusébio, Simões faz o 1-0 com Manga, o goleiro brasileiro, a ver passar. E Rui Tovar: «Gooooloooo, quem diria, surpresa, o pequeno Simões a bater Manga...» Surpresa. Mais de quarenta anos depois, gosto deste «quem diria, surpresa...»

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Guimarães, 2012.

por FJV, em 24.01.10

A propósito disto, estou de acordo. Foi das cidades portuguesas que ultimamente mais me surpreendeu. Um final de tarde solitário nas ruas do centro, uma esplanada, duas tabernas onde comi e bebi maravilhosamente, o frio, as árvores — fizeram o resto.

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O cantinho do hooligan. Justiça do Costa e outras cousas notáveis.

por FJV, em 23.01.10

Repare-se nesta notícia: «A Comissão Disciplinar (CD) da Liga vai decidir, até ao final de Fevereiro, os castigos a aplicar aos jogadores portistas Hulk e Sapunaru […]» Os castigos? Mas a fase de instrução já está concluída? Citemos de novo: «A fase de instrução está praticamente concluída.» Não está, portanto, concluída. Mas até final de Fevereiro Hulk e Sapunaru vão conhecer os respectivos castigos. Porquê até final de Fevereiro? Porque, pelo menos até final de Fevereiro, esses jogadores não podem ser utilizados. E se o processo conclui que estão inocentes? Não pode. Porquê? Porque uma fonte do CD da Liga já disse que «vai decidir, até ao final de Fevereiro, os castigos».

Agora repare-se nestoutra: «As imagens de circuitos internos de televisão não podem ser utilizadas para fazer prova em processos disciplinares contra agentes desportivos, segundo a lei contra a violência no Desporto de 30 de Julho de 2009.»

É este o concubinato rasteiro entre o CD da Liga, muito folgueiro e velhaco, e os peralvilhos da bola, com a protecção de uns facetos que passam por gente.

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Ainda o Haiti.

por FJV, em 23.01.10

 

Via Elevador da Bica.

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Revista de blogs.

por FJV, em 23.01.10

«Tussa lá à vontade para cima de mim, sopre na sopa da menina, dê-lhe beijinhos na mão e na boca do seu amor também.»

[Luís Januário, sobre o fim da gripe A]

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Um homem.

por FJV, em 19.01.10

Oiçam: é a entrevista de Carlos Vaz Marques a J. Rentes de Carvalho, um homem à antiga portuguesa, um escritor que merece ser conhecido.

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Assinaturas.

por FJV, em 19.01.10

Qual é o código postal das assinaturas entregues para Santana Lopes promover o congresso do PSD? (Já não pergunto pelo ADN...)

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O cantinho do hooligan. Isso.

por FJV, em 19.01.10

Depois do Ruben Micael, «só falta trazer de volta o Ukra e o Castro; comprar o Rodriguez, o Alonso e o Mossoró; pôr o Sérgio Oliveira sempre nos convocados; apostar no André Coelho ; recuperar  o Cristian Rodriguez e correr com os Marianos, Guarins, Prediguers, Valeris, Farías, Costas e companhia limitada». [Pedro Marques Lopes, no União de Facto]

 

Concordo — e o C. Rodríguez, esse, não se recupera por causa dos Prediguers que estão lá a atrapalhar.

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O voyeurismo da tragédia.

por FJV, em 17.01.10

 

 

As televisões — graças, sobretudo, ao aumento da percentagem de meninas e meninos ignorantes nas suas secções de «internacional» — gostam de «tragédias humanitárias». Raramente estão lá, nos aeroportos sujos, nas ruas malcheirosas, nas casas em ruínas, entre os feridos e os esfomeados. No Ruanda, onde estive uma semana na década de oitenta, vi repórteres a telefonar para as redacções a protestar pelas condições do hotel (Carlos Fino, valha a verdade, também se queixava de que havia bombardeamentos à hora a que os jornalistas procuravam um pouco de tranquilidade no hotel, ao fim da tarde); e vi jornalistas, como eu, que regressavam de Ramallah a meio da tarde para não perderem a melhor hora do buffet no hotel. A vida é assim. Felizmente, andei sempre com fotógrafos corajosos e gostava de falar disso. Um dia, no México, depois de passarmos uns dias entre Chiapas e a Guatemala, dois jornalistas (um do NYT e outro do Miami Herald) invejaram as fotos do João Francisco Vilhena; regressávamos de umas trapalhadas na Sierra Madre del Sur, com tiroteios aqui e ali, barreiras militares, paragens no alto das montanhas — estávamos em trabalho freelance para a Visão. O João, que tinha passado pela pior experiência da vida de um repórter, que é estar durante cinco minutos com o cano de uma metralhadora apontada à cabeça, a meio da noite, no meio do Cañon del Sumidero (enquanto eu oferecia volumes de Marlboro em troca), nem pestanejou quando os periodistas y reporteros que estavam no Café del Teatro de San Cristóbal de Las Casas (com um orçamento que lhes permitia pagar guias que os levavam a visitar aldeias turísticas chamulas, que depois eles transformavam em cenário de guerra civil entre exército e zapatistas) se preparavam para nos oferecer uns milhares de dólares pelo material. «Vão-se foder», foi o que ele lhes disse. Nunca agradeci suficientemente ao João este gesto (ele hoje trabalha no Sol). Coisa parecida aconteceu quando o Pedro Loureiro (então para a Grande Reportagem) e eu regressávamos de dois dias em plena guerra civil na fronteira de Gaza com o Egipto e Israel. Tínhamos sido evacuados de Termit/Raffah para o Egipto a meio da noite, no meio de explosões e de tiroteio (no meio da coisa ficámos sem um dos coletes à prova de bala, já agora). Uma estupidez corajosa, andar por ali. Quando, um dia depois de termos sido resgatados no meio das dunas, chegámos a Jerusalém, eu subi ao quarto para tomar banho e escrever; o Pedro ficou um bocado mais no bar. Ouvi os berros do Pedro e ele explicou-me que um filho da puta (a expressão é dele) de uma revista francesa lhe queria dar 2 mil euros pelo material, mas que nós não o podíamos publicar. Uma semana depois, o filho da puta publicou uma reportagem como se lá estivesse, ensanguentada e cheia de números fornecidos pela ONU — quando mal saiu da esplanada do hotel, onde lia o Haaretz e um tradutor lhe passava as citações dos outros jornais. Como conhecíamos bem o fotógrafo que vendeu as fotografias, sabemos do que falávamos.

A ideia de que se morre bastante no meio das tragédias é ampliada pelo negócio das ONG que recebem à cabeça — e antecipadamente — pelos refugiados que albergam em acampamentos. Três mil, dezoito mil, um milhão. Nada pára a vontade de aumentar a eficácia da própria tragédia. Os efeitos colaterais são fantásticos. O problema é que a morte tem poucos adjectivos. Basta falarem com alguém que tenha feito a cobertura de casos assim — Martin Adler, que escreveu durante muito tempo para a Grande Reportagem, antes de ser assassinado a tiro e pelas costas, na Somália, durante uma manifestação convocada pelos Tribunais Islâmicos, era o mais crítico dos guionistas da tragédia.

A pornografia televisiva em redor do Haiti vai no mesmo sentido. Eduardo Pitta fala do assunto — e bem. De um milhão, o número de vítimas passa a meio milhão; de meio milhão está agora em 50 mil, mas há quem avance 200 mil. Mas ajuda-ajuda-ajuda, vê-se pouco. Imagens repetidas até à exaustão e sem critério (com a excepção da TVI24, como escreve o Eduardo), retratinhos da net e das webcam, testemunhos que repetem a tragédia até ao infinito, números escutados na esquina do hotel. Um dia, um repórter foi apanhado num banco de jardim de uma cidade do Médio Oriente a fazer um despacho telefónico para a sua rádio, falando dos mísseis Scud que iriam cair nessa tarde. Uns amigos que passavam, entre o divertido e o enojado, ainda o convidaram para jantar num restaurante de gente corajosa que tinha um belo humus com kaftedes, e beber um whisky (quando o vejo, lembro-me de quando fazia reportagens de campo, nos estádios, como se o mundo tivesse desabado). A indústria da tragédia é uma das misérias do jornalismo.

[Fotografias de Martin Adler — arquivo da Grande Reportagem — na Tchechénia, Sudão, Somália e Afeganistão]

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O cantinho do hooligan. Ah, a stasis do Fóculporto.

por FJV, em 17.01.10

O Filipe inventa, a passo e passo, uma στάσις no futebol, o único lugar onde não há estabilidade mas apenas movimentos perpétuos. Há, porém, várias diferenças entre o futebol português e a guerra do Peloponeso. Por isso, ataca onde mais dói, cirurgicamente. Ele tem razão quando diz que, apesar de Sapunaru não jogar, o FC Porto não melhora (a mesma coisa acontecia com jogadores inteligentíssimos como Nelson, Aguiar, Thomas, Okunowo, Chano ou o grupo de novos Eusébios onde andavam Akwá e Mawete); mas não vale a pena rezingar-lhe e chamar a atenção para três golos mal anulados – é para aí que ele melhor dorme, com a satisfação que recupera os tempos em que a equipa da galinha era o clube do regime, guardado pela televisão, pela rádio, por A Bola, pelos ministros do interior e pela populaça. Não é preciso ler Tucídides para isso, mas é sempre bom tê-lo em conta. O ideal, eu sei, é ver o adversário estatelar-se; ou, pelo menos, ser derrotado com um golo – a versão é a de Mário Filho, o criador do Maracanã, fundador da Gazeta dos Esportes e irmão de Nelson Rodrigues, no Sapo de Arubinha – precedido de agressão ao guarda-redes, em fora-de-jogo, ao minuto 91, e marcado com a mão. Isso era a glória.

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Um livro.

por FJV, em 17.01.10

Parece que há uma polémica entre duas editoras (Gradiva e Bertrand) para saber qual livro (‘Fúria Divina’, de Rodrigues dos Santos, ou ‘O Símbolo Perdido’, de Dan Brown) pode ser “o mais vendido de 2009”. O pormenor não é despiciendo uma vez que – além da literatura, propriamente dita, ou do romance – há folhas de cálculo, orçamentos, lucros e salários para pagar. Publicar livros é um negócio complexo e , às vezes, dramático. Depois, há outras coisas: ler, esconder, ocultar, segredar, confidenciar, murmurar, simular, calar, recolher. E gostar. Um leitor a dizer uma frase ao ouvido do outro. Deixar-lhe (lembram-se?) um recado dentro de um livro. Esconder um livro para ser só seu. Segredar uma coisa maravilhosa, um verso, uma frase, um lugar, um gesto, um nome. Um livro.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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O cantinho do hooligan. Tarde piaste.

por FJV, em 17.01.10

1. Uma arbitragem destas seria escandalosa nos jornais do regime. Como se trata do FC Porto, o máximo que leva é a nota fraquinha. Na dúvida, castiga-se o FC Porto, porque podem. Dois golos anulados na quarta-feira; um golo hoje. Soma e segue. Parabéns. O cavalheiro chamava-se Rui Costa, estão bem um para o outro. Belos apitos.

2. Temos alas. Sei que é escandaloso dizer; mas é verdade: temos alas (Fucile e Alvaro). Não temos miolo. Não há «número dez», não há «número oito». O esquadrão que veio tapar os buracos deixados por Lucho, Lisandro (e Cissokho) resume-se a isto — Alvaro Pereira, às vezes Falcão e o resto é Prediger. Aliás, Belluschi é Prediger, Valeri é Prediger, a juntar aos Prediger que já cá estavam, Mariano e Tomás Costa, sem falar de Guarín. Se Prediger não foi convocado, então não percebo o resto. Silvestre Varela, a contratação mais simples, é quem traz mais soluções. Ainda há 14 dias para tratar do assunto, mas eu percebo: não se podem despachar os Prediger, pois não?

3. Jesualdo arriscou o que havia a arriscar na sua cabeça e com o banco que tem.

 

Adenda: entrou o Ruben Micael mas não saiu nenhum Prediger.

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O que se guarda dentro de um livro.

por FJV, em 14.01.10

Coisa maravilhosa: a Biblioteca Municipal de Vila Real vai organizar uma exposição sobre “coisas esquecidas no meio dos livros” — marcadores, anotações avulsas, flores secas, poemas anónimos, cartas, bilhetes de namorados, postais ilustrados que durante meio século foram sendo deixados “no meio dos livros” que foram requisitados das suas estantes. Para isso serviam, também os livros: um bilhete, no meio de um dicionário de Latim, a marcar um encontro junto do muro do Liceu; um queixume enternecido e magoado esquecido entre as páginas de uma monografia sobre cerâmica regional. Um bilhete de cinema a fazer de marcador. A lista pode ser interminável, tal como as florezinhas que se deixavam em certas páginas, onde vinham os sonetos de amor. A ideia é de puro génio. Vou vê-la.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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Brindemos.

por FJV, em 12.01.10

Brindemos ao Banco de Portugal, que prevê 0,7 de crescimento. No entanto, aposto com todos que o Dr. Constâncio só vai manter este número até à discussão do orçamento e ao primeiro abraço do Dr. Aguiar Branco.

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Olha.

por FJV, em 10.01.10

Também neste caso, as obras públicas, com a cobertura de uma grande engenharia financeira optimista, eram uma promessa de emprego, crescimento e espectáculo. Olha.

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