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O Pontal e o Chão da Lagoa.

por FJV, em 09.08.08

 

A última Festa do Pontal, ao que me contam, foi um prodígio de folclore, com Marques Mendes e L. F. Menezes disputando o mercado algarvio de sociais-democratas. Já o Chão da Lagoa, na Madeira, é mais exuberante. Manuela Ferreira Leite recusou ir aos dois ajuntamentos – e fez bem. Festas dessa natureza (as tais “da carne assada” que Pacheco Pereira se queixava de ter de frequentar para caçar votos, ai dele) podem ser dispensadas. São anunciadas pelas ruas e pelas praias tal como se apregoavam as touradas. Ângelo Correia, oportuno, vê na atitude de Manuela “o abandono do PSD” e vai discursar no Algarve para clamar por “ideias” – que, como se sabe, nascem nos arraiais. Uma coisa é certa: o partido escolheu Manuela para líder porque estava cansado do Pontal e do Chão da Lagoa.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Festa na Serra.

por FJV, em 07.08.08

O Acampamento de Jovens do Bloco de Esquerda começou ontem em São Gião, na Serra da Estrela, mas só hoje se iniciam os ‘workshops’, debates e animação restante. Das 17 às 19 há dois ‘workshops’ – um subordinado ao tema ‘Stencil/Subvertize’ e um outro com a designação de ‘Brinquedos Sexuais’ (amanhã é ‘Massagens’). Longe da pátria real, festejo a escolha e assinalo o horário, muito relaxante, quase crepuscular, diante do horizonte das montanhas, convidando à lassidão ou à contemplação. A rapaziada sabe o que é bom. Se há quem critique os programas da ‘jotas’ por tratarem de instrumentalizar e banalizar o pessoal que um dia gostaria de ser director-geral ou amanuense de nível superior, pois aqui está um exemplo de labor político original. Oxalá não se magoem. Nunca se sabe.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Gulag.

por FJV, em 07.08.08

 

O desaparecimento de Alexandre Soljenitsine não significa hoje grande coisa para a maior parte das pessoas, mas a verdade é que o escritor que denunciou tão abertamente os campos de morte soviéticos poderia ter outro destino se não fosse o Gulag. Soljenitsine foi odiado pela esquerda que continuou a proteger, mesmo depois da ‘perestroika’, o direito de o socialismo matar e condenar milhões à fome e ao terror. Tal como Tolstoi, foi um moralista e um homem religioso; como muitos outros, nunca conseguiu sobreviver longe da ‘mãe Rússia’, ocupada pelo comunismo primeiro e pelos gangsters do capitalismo depois. A velha Rússia de Tolstoi, de Gogol, de Akhmatova ou de Brodsky, foi para si uma lenda amável e dolorosa. Mas os que o condenaram ao Gulag e ao silêncio não lhe sobreviveram.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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Crianças no meio do Verão.

por FJV, em 07.08.08

 

O país anda metido com o Verão à beira dos Jogos Olímpicos e entrou em Agosto com uma comunicação que lhe fez o Presidente da República – mas, algures numa estrada algarvia (a notícia vinha no Correio da Manhã), longe das primeiras páginas, que também mencionam o ataque que o fisco vai lançar por toda a Pátria, um pai abandona os seus dois filhos gémeos de 11 anos. Repare-se: não os entrega a alguém. Não. Deixa-os numa estrada do Algarve, de noite, entregues a si mesmos e à mais severa das solidões. Casos assim multiplicam-se, parece. O gérmen da maldade manifesta-se de muitas formas, mas imagino a solidão e a dor dos dois miúdos de onze anos que o pai acaba de expulsar do carro, a meio da noite – e acho que uma onda de pânico devia tomar conta de nós e mostrar-nos como perdemos a vergonha. Morremos aos poucos.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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São sinais, são sinais.

por FJV, em 07.08.08

 

O Verão não nos liga ao vazio mas à reflexão. Como estão as auto-estradas, os aeroportos e os hotéis? Como está a lotação dos restaurantes? Como está a ocupação do metro quadrado de praia? Para os “economistas comuns”, boas taxas de “cumprimento de férias” significam que a crise ainda não chegou, à semelhança do que pensava António Guterres com a sua observação pouco criteriosa sobre o número de telemóveis e a ida de portugueses para o Algarve. Isso significaria que andava dinheiro a circular. No entanto, há outra fórmula de cálculo, mais perversa e subtil, que parte do princípio de que as sociedades em vésperas da grande crise gastam o que não têm e esperam o que nunca há-de vir. É tremendo, mas tem sentido – mesmo que não agrade nas secretarias e à propaganda.

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