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por FJV, em 23.09.07
||| O cantinho do hooligan. Móveis.








Hoje não comprámos nada na capital do móvel. Só fizemos entregas.

Como se dizia na imprensa «da época», respigo do Mais Futebol (às 21h23) a seguinte declaração de José Antonio Camacho, depois do Braga-Benfica: «Podemos acabar a jornada com seis pontos de atraso, o F.C. Porto tem ganho os últimos jogos, mas isso não me preocupa. Só me preocupa a minha ponta.» Justa e honestíssima preocupação. Mas tão pública assim?

[FJV]

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por FJV, em 23.09.07
||| O perigo amarelo.
Ou o medo da China, perfeitamente razoável. A Alemanha não cedeu à tirania chinesa; nós tivemos que ceder. A realpolitik tem razões conhecidas de todos, mas isso é uma coisa; outra, inteiramente diferente, é cantar-lhes fados de Coimbra, como aconteceu há uns anos. Feliz de quem não está no governo ou é governo em Berlim.
[FJV]

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por FJV, em 23.09.07
||| Alegadamente.
Contrariamente às profissões de fé em casos corriqueiros, em matéria política a imprensa gosta de manter tudo no lugar e com muito juizinho. Por exemplo, o que acontece no Zimbabwe são «alegados atropelos aos direitos humanos».
[FJV]

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por FJV, em 22.09.07
||| O estado das coisas.










O Estado Civil, do Pedro Mexia, fez dois anos. É uma data séria. O Pedro é, entre outras coisas excelentes, um dos fundadores da blogosfera portuguesa (Coluna Infame, Dicionário do Diabo, Fora do Mundo). É uma das pessoas que mais admiro e um bom amigo – mesmo quando não nos vemos durante muito tempo. É um grande poeta, um escritor que prezo muito, um dos nossos melhores cronistas. Se eu pertencesse à sua geração diria que «ele é o melhor de nós» – pelo que escreve, pelo que é, pelo que há-de escrever e pelo que vai ser. Os seus textos romperam com «a ideologia do bem-estar literário», dominante na imprensa e nos debates; a sua voz é das mais elegantes e melancólicas da nova poesia portuguesa. Foi corajoso na imprensa. Ganhou ódios de estimação porque não pertencia aos círculos da universidade e tinha mais competências do que eles. Ou porque não tinha nascido nas trincheiras da esquerda, o que era um pecado fatal. Ou porque, simplesmente, é culto, informado, tolerante. Uma das características do trabalho do Pedro, em qualquer área, é a de surpreender sempre aqueles que gostam do mundo muito bem catalogado. Ele não pertence a esse universo. Às vezes, devemos ter inveja dele. É uma forma de dizer que o admiramos. Ele merece.

[As fotos não têm nada a ver com o Estado Civil; são de uma das mais belas bibliotecas que visitei, a Athenaeum, em Providence, Rhode Island. Fundada em 1753, foi frequentada por Poe, que viveu uns quarteirões acima. Tem livros belíssimos, corredores cheios de penumbras onde há sempre uma cadeira para aproveitarmos uma janela ou um recanto iluminado pela luz da tarde. Conhecia-a graças ao Onésimo Teotónio de Almeida, naturalmente, e sempre achei que era um lugar excelente para o Pedro. Eu digo-lhe porquê. Ele suspeita.]
[FJV]

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por FJV, em 20.09.07
||| O cantinho do hooligan. Mourinho.
Confirma-se a previsão: o Chelsea despede-o, ele fica milionário e vai treinar outro clube. That's business.
[FJV]

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por FJV, em 20.09.07
||| Notas de depois do jogo.


1. O Tiago Mendes, ainda a propósito deste post, escreve por mail:
«Não muda muito a cosia, mas creio que foram 6 ensaios em 18 minutos. Tenho quase a certeza de ter visto o numero 18 num comentário na imprensa ao jogo e, se pensarmos sem qualquer informação, tendo em conta o tempo de conversão da penalidade, mais o reatar do jogo, perda/segurar da bola, mais o ataque e o ensaio dificilmente possibilitariam uma média por ensaio de pouco mais de 1 minuto - mesmo no caso de um verdadeiro "massacre".»
2. Sim, vi o jogo. Achei bem o comentário do Tiago. Reservo-me para o jogo com a Roménia. Ainda em fase de gripe, a única frase que pude pronunciar, ao ver os italianos a levantar a crista, foi: «Dá-lhe, Vasco, dá-lhe!» Temi uma recaída.
[FJV]

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por FJV, em 20.09.07
||| Verdadeiros leões à solta (Portugal-Itália). A crónica de João Fragoso Mendes.


Os Lobos (ou os leões?) mostraram ontem em Paris que estão no mundial por direito próprio. Uma exibição notável contra a Itália, com uma estratégia bem montada, uma vontade indomável e uma defesa a placar tudo o que mexia, quase proporcionaram uma enorme surpresa. Os dois ensaios dos últimos dez minutos desequilibraram um resultado até então muito apertado (19-5) para uma equipa com pretensões como a italiana. Os 31-5 finais são bem diferentes dos 80 pontos sofridos na fase de qualificação. A equipa portuguesa esteve enorme e confundiu por completo o adversário. João e Vasco Uva, David Penalva, José Pinto, Duarte Cardoso Pinto, João Correia e Diogo Mateus estiveram “enormes” num todo que esteve muito acima das expectativas. Agora, venha a Roménia. Pelo que se viu na terça-feira contra a Escócia, o seu râguebi físico (já bem nosso conhecido) pode ser contrariado com imaginação. O último encontro dos Lobos no Mundial, no dia 25 em Toulouse, será, fundamentalmente, um jogo de ambição, inteligência e de coragem. Será difícil – muito difícil – vencer mas não é impossível. Espero, nesse dia voltar a ficar sem fôlego só de ver aqueles bravos. Foi muito bonito. Para eles e para o Râguebi Português.

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]
[FJV]

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por FJV, em 20.09.07
||| Coisas para fazer.
Hoje, lançamento de Canário, de Rodrigo Guedes de Carvalho, na Casa Fernando Pessoa, às 21h30.
[FJV]

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por FJV, em 20.09.07
||| A grande vantagem.
Sair de uma grande gripe tem as suas enormíssimas vantagens: primeiro, começamos por poder respirar; depois, reparamos que toda a gente respira e já não achamos aquela graça. Mas voltamos à vida. Não é mau. Há sol.
[FJV]

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por FJV, em 17.09.07
||| Código penal.
No meio da gripe, mesmo assim, parece-me o seguinte: está toda a gente muito aflita com a saída de criminosos, arguidos, suspeitos, todos em prisão preventiva. Simplesmente, atribui-se o despautério à lei que agora entra em vigor mas não ao facto de haver gente detida durante meses e meses sem acusação formada.

Ler «Contra o Histerismo Corporativamente Provocado», de Carlos A. Amorim, onde se anotam, já com bastante minúcia, vantagens no novo código de processo penal;
«Jus», de Gabriel Silva, sobre o que é evidente; o Patologia Social, do José António Barreiros, estuda o código.

[FJV]

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por FJV, em 17.09.07
||| Canário.













O novo livro de Rodrigo Guedes de Carvalho: «Todos estes anos com grandes livros sobre as relações, sobre uma certa vulgaridade dos homens. Sempre cheio de moral, de sermão aos peixes. A teceres a teia de que és diferente, que conheces e expões a natureza humana, como se a olhasses de cima. E afinal?»
[FJV]

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por FJV, em 17.09.07
||| Notas de segunda-feira.


Com gripe, não há rugby que valha. Valem os outros:

No World Affairs: «Still, at least they didn't really hurt any of those nice men from Portugal.»

No Planet Rugby: «Portugal started the game full of spirit and threw themselves at the All Blacks in every aspect of the game, and until the twentieth minute managed to frustrate their superior opponents.»

No Vontade Indómita: «Francisco José Viegas acha que "seis ensaios permitidos em oito minutos é desaforo" e "que foi uma cabazada com placagens falhadas". É verdade; mas disse-o como se o contrário fosse fácil, como se fosse uma luta entre partes iguais e alguém tivesse baixado os braços ou enfiado a cabeça na areia.»
[FJV]

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por FJV, em 16.09.07
||| O rugby já não é o que era. A crónica de João Fragoso Mendes.


Há vários campeonatos no Mundial de Râguebi – o das “grandes potências” (Nova Zelândia, Austrália e África do Sul); o das “potências” (Inglaterra, França, Argentina, Escócia, Gales, Irlanda e Itália); a seguir o dos “emergentes confirmados” (Fiji, Samoa, Tonga, Estados Unidos, Canadá, Geórgia e Roménia); e, no final, o dos “ainda a emergir” (Japão – já com certo avanço - Portugal e Namíbia). Neste quadro, as referências que a maioria dos portugueses têm em relação à modalidade (dos anos 60 e 70) estão ultrapassadas e enterradas. A, para muitos de nós, mítica França, nos últimos três jogos que fez com os All Blacks perdeu “apenas” por 10-65, 11-42 e 3-47 (este último em Paris); a Inglaterra, campeã mundial em título, foi batida pelos mesmos neozelandeses, em Londres, no final de 2006, por 41-20; essa mesma Inglaterra já neste mundial não conseguiu melhor que sofrer apenas 36 pontos e não marcar nenhum (!), frente à África do Sul. O râguebi do hemisfério sul já cavou um enorme fosso e não é difícil prever que uma das três “grandes potências” venha a erguer o ambicionado troféu Webb Ellis. Neste enquadramento não se exija demais a Portugal. Não temos (ainda) “pedalada” para perder com a Nova Zelândia por menos 40 pontos.

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]
[FJV]

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por FJV, em 16.09.07
||| Computadores na escola.
No De Rerum Natura, um texto sobre computadores na escola. Este assunto, eu acho que deve ser discutido. E muito.
[FJV]

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por FJV, em 15.09.07
||| Momentos mágicos. A crónica de João Fragoso Mendes.


O resultado, já todos sabíamos, ia ser (muito) desnivelado e o objectivo de perder por menos de três dígitos ficou pelo caminho. No entanto, para os que sabiam disto e das diferenças de andamento entre as duas equipas, houve no jogo de ontem com os All Blacks um período e vários momentos mágicos. O período situou-se entre os 43 e os 58 minutos, altura em que Portugal conseguiu algo raro: instalado com “armas e bagagens” no meio campo adversário obrigou a Nova Zelândia a cometer erros, por via da sua pressão. E marcou, num dos tais momentos mágicos, um ensaio “impensável” na sequência de sucessivos rucks junto à área. Os Lobos subiram claramente com a mudança dos médios ao intervalo e a pressão naquela altura valeu por um campeonato. Segurar os Blacks lá atrás, junto à sua área, mesmo que por um curto período, não é para todos. Depois, vieram os temíveis 20 minutos finais e os All Blacks, como grande equipa que são, “trataram” Portugal como tratariam a Inglaterra ou a França. Libertaram-se do embaraço que os Lobos lhes estavam a provocar e cavalgaram, como é seu hábito, para mais seis ensaios que resultaram em 42 pontos. Apesar de tudo, perante tal adversário, Portugal foi, a espaços, brilhante.

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]
[FJV]

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por FJV, em 15.09.07
||| Ena, a cabazada.










Como estava previsto, levámos uma cabazada. 108-13 dos All Blacks. Contrariamente aos que o Pedro Correia critica, eu não acho que fosse uma vitória moral coisa nenhuma. Acho que foi uma cabazada com placagens falhadas (seis ensaios permitidos em oito minutos é desaforo) e erros de defesa que foram fatais. Mas devo dizer o seguinte: até aos 23 minutos, sim, era uma vitória moral. Depois disso, foi encher o saco (era só ler o aviso dos primeiros ensaios de Joe Rokocoko, furando as linhas). Não importa; já está. Agora, façam os curativos para dançar a tarantella com os italianos, na quarta-feira.
Entretanto, os ingleses estão deprimidos depois do banho de ontem. O Criador não dorme.
Mais logo, como de costume, a crónica de João Fragoso Mendes.
[FJV]

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por FJV, em 15.09.07
||| Cervejas.













Passado mais de um ano sobre a edição do livro 99 Cervejas +1 ou como não Morrer de Sede do Inferno, ficam disponíveis na net as fichas de leitura das cervejas que figuram no livro. Na próxima Primavera sairá um guia com 500 cervejas (aceitam-se sugestões, ainda). Neste momento (aproveitando as tiragens de Verão) procederei, com um grupo de amigos, à prova das 32 cervejas portuguesas disponíveis no mercado. É aventura pesada. Mas seis delas estão no quadro internacional. Bom proveito.
[FJV]

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por FJV, em 15.09.07
||| O cantinho do hooligan. Alguma moral no futebol, s.f.f.
O João Pinto e Castro nunca esperou que a «agressão de Scolari a um jogador sérvio pudesse vir a revelar-se um ponto de clivagem entre a direita e a esquerda». Depois, reunindo uma série de posts (entre os quais este) cola-lhes o selo de «apologia da violência com os mais variados pretextos». Pela parte que me toca, declaro que não faço nenhuma «apologia da violência com os mais variados pretextos»;os meus pretextos são simples: limitei-me a dizer que, à vista de tantos moralistas (uma enorme concentração de ex-namoradinhos «do Sr. Scolari») a pedir a demissão «do Sr. Scolari», me apeteceu ir a Espanha à procura de «sérvios disponíveis para serem agredidos». Depois de, em tempos, me ter divertido bastante a fazer a «apologia da violência» contra «o Sr. Scolari», pedi agora que não o demitissem porque gosto, enfim, por motivos patrióticos, de «dar sarrafadas» nos seleccionadores nacionais. Ou em grande parte deles. E ele põe-se sempre tão a jeito que apetece.
[FJV]

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por FJV, em 15.09.07
||| Os delinquentes. Tinham saudades?
Os delinquentes salvaram a pele. Renan Calheiros não foi salvo pela escumalha; o que ele abriu foi uma crise descomunal de que o Brasil se livrará com dificuldade. Ao mesmo tempo que o PT lança vergonhosamente sinais de que, por si, mudaria a Constituição para um terceiro mandato de Lula (a história do 3 na estrelinha do partidão, com o apoio discreto do Banco do Brasil), o salvamento do presidente do Senado significa que, a partir de agora, a política do lulismo pode tudo. Com chantagem e com despudor, à vista de toda a gente. Queriam-no? Aí o têm, ao Apedeuta.
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por FJV, em 15.09.07
||| Chegou o dia. A crónica de João Fragoso Mendes.


Um aviso: os que têm debitado disparates sobre a presença portuguesa no Mundial de França, particularmente na blogosfera; os que escrevem de cátedra sobre o que não conhecem; os que pararam no tempo e pensam que o Râguebi em Portugal está ainda nos anos 60; todos esses passem adiante. Este texto, dirige-se apenas aos que sentem o significado do Portugal-Nova Zelândia de hoje. A Escócia foi aperitivo, a Itália e a Roménia serão “entreténs”. O jogo, o grande momento, é o de hoje. Se há uma vintena de anos me garantissem que a equipa nacional iria estar num Mundial e iria bater-se com a Nova Zelândia, o mínimo seria um sorriso e uma tirada do tipo “seria bom sinal”. O facto é que, duas décadas depois, aí estamos, prontos para enfrentar os míticos All Blacks. Andou-se muito desde Maio de 1981, quando Portugal, no regresso às competições, venceu a Suécia e o Grupo C do Europeu. Só podemos ter uma pontinha de inveja de esta tarde não estarmos (todos) lá. No relvado do Stade de Gerland.

[João Fragoso Mendes é jornalista, antigo praticante (na equipa de Direito), animador do Lisboa Sevens, autor do livro 50 Anos de Rugby e ex-director da Rugby Revista; comenta neste blog os jogos do Mundial de rugby; as suas crónicas diárias podem ser lidas no Correio da Manhã.]
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por FJV, em 14.09.07
||| Culpa e perseguição.








O caso McCann comove, mesmo à distância. A multidão ulula, querendo justiça e sangue. O rosto de Kate McCann, aparentemente impassível convida as multidões ululantes à gritaria; coisa de «cultura», como me explicam, porque as «multidões do sul» sofrem ruidosamente como todos os coros de carpideiras. Numa peça de televisão revejo aqueles rostos irados, pedindo justiça e sangue; e, ao mesmo tempo, vaiando Kate McCann. Por isso, a frase mais exemplar de todo este processo é a de Bruno Sena Martins, que escreveu isto: «Quase desejo que aqueles pais sejam culpados para não estarem inocentes a sofrer tudo isto.» É uma frase igualmente cruel; mas, banalizada a crueldade da rua, a criança desaparecida já desapareceu. Agora, as multidões querem culpados; a criança desapareceu. Porque, se estes pais (se Kate McCann) estão inocentes e ouvem toda esta gritaria, qualquer coisa terrível terá de acontecer.
[FJV]

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por FJV, em 14.09.07
||| Notas soltas antes do jogo. No mercy for Portugal.














1. Amanhã ao meio dia, os Lobos jogam com os All Blacks. O primeiro sinal vai ser durante o Haka. Quero ver o olhar dos rapazes; intimamente, gostava que desatassem a rir.

2. Graham Henry, o seleccionador neozelandês: «Eu vi o jogo [de Portugal] contra a Escócia na semana passada e fiquei impressionado com o entusiasmo e o enorme espírito que colocaram em campo. Eles estão muito satisfeitos por estarem aqui e divertem-se a jogar râguebi no Campeonato do Mundo. Estou mesmo impressionado com a atitude deles. Tenho a certeza que Portugal está muito entusiasmado com o jogo e os adeptos também vão estar.»

3. Toda a gente murmura que a Nova Zelândia alterou toda a equipa, mudando onze jogadores. Mas não se trata de uma segunda linha; a Nova Zelândia podia enviar quatro selecções A ao Mundial.

4. Ora, Portugal também vai mudar mais de metade da equipa. Nove jogadores, no total. Na defesa, aliás, há uma mudança muito significativa: David Mateus sai e, em princípio, não vai estar no jogo. O que significa que, mesmo com a alegria do jogo, e o amadorismo, não se esquecem aquelas duas placagens falhadas («Na defesa não podemos falhar placagens», avisou o treinador, optimista). E fatais.

5. Se a Nova Zelândia muda onze e Portugal muda nove, não há argumentos nem desculpas; é jogo puro, Tomás Morais está na linha de risco. Leon MacDonald, um dos All Blacks, relembra: «They're pretty brave. They tackle their hearts out. When they play against us they will have confidence that they can compete, like they competed against Scotland.» O título da notícia é este: «No mercy for Portugal, MacDonald warns.»

6. Ao dar a notícia das nove mudanças portuguesas («incredible nine changes»), o site de tv Setanta, menciona o kiwi clash: «Portugal name team for Kiwi clash.» «Portugal have made an incredible nine changes to their starting XV for their first ever meeting with New Zealand in Pool C on Saturday.»

7. O site Rugby Heaven, da Nova Zelândia, titula: «Portugal parody not up to standard.» E mais à frente: «Yes, it's the chance of a lifetime for 15 unknowns from Portugal but is being the victims of a stampede in front of a global audience really something they'll relive with the grandkids?» (Aqui, a análise das mudanças portuguesas.)

8. Depois das palavras elogiosas de Laurent Bénézech sobre a selecção portuguesa, vamos ver como ele aprecia o jogo de amanhã. O seu site resumia: «L'ogre et les Loups».

9. Mais logo, a crónica de João Fragoso Mendes sobre o jogo de amanhã.

[FJV]

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por FJV, em 14.09.07
||| Correspondência geral.


Almerindo Morais, por mail, relembra este passo da entrevista de Gonçalo Uva ao Público:
«Quais são os objectivos de Portugal para o jogo de amanhã?
Eu quero divertir-me. Quero entrar em campo e desfrutar do momento. Não sei se os treinadores querem que eu fale dos objectivos...»
Acrescenta A.M.: «Não se lhe pede mais nada. Só isso mesmo, divirtam-se e aproveitem bem o momento.»
[FJV]

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por FJV, em 14.09.07
||| Música de malandro.

A Roda de Choro de Lisboa vai estar na Casa da América Latina no próximo dia 27. Vai haver polcas, mazurkas, maxixes, baiões e valsas, além de Noel Rosa, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, João Bosco, Waldyr Azevedo e Ernesto Nazareth, entre outros.
[FJV]

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por FJV, em 14.09.07
||| Cerveja.
A visitar o ciclo de posts de Luís Carmelo sobre cerveja e literatura. Eu gosto da relação. Tem espuma.
[FJV]

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por FJV, em 14.09.07
||| Direito aos direitos humanos.
Ontem, ouvi um membro do governo declarar que «os direitos humanos não são negociáveis» e que o problema da vinda de Robert Mugabe seria tratado com pinças. Mas, insistiu: os direitos humanos não são negociáveis, a Europa não abdica de falar deles mesmo que Mugabe ladre. Eu acho bem. O nazi de Harare é um dos dejectos de África.
Que os europeus bradem pelos direitos humanos em África parece justo e decente; mas também é mais fácil e não é muito polémico. Talvez um dia digam isso aos chineses.
[FJV]

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por FJV, em 14.09.07
||| Sexo à vontade.











Oiço na rádio os dados de um estudo que revela sinais prometedores para a democracia. As mulheres portuguesas querem mais sexo, cerca de 56% acha que o ideal é uma frequência de «quatro a cinco vezes por semana»; 27% delas prefere «todos os dias» ou «várias vezes por dia». O mundo tem sentido, mesmo que dê muito trabalho.
[FJV]

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por FJV, em 14.09.07
||| Mães e filhos.
A imprensa ficou muito chocada com as revelações do diário de Kate McCann. Não só parte da nossa (aquela que acha que os culpados devem ser escolhidos segundo a fé dos editores ou dos informadores que têm de garantir). Os jornais espanhóis e brasileiros, que eu li ontem, demonstravam choque e pavor: a mãe achava que as crianças eram histéricas, que Maddie era hiperactiva e que o marido não ajudava a tratar dos gémeos. Daí se infere, portanto, que estava tudo escrito. Uma mãe que acha isso está destinada ao infanticídio, à carreira do crime -- e à condenação popular. Primeiro, procuraram-lhe as lágrimas; não encontraram. Depois, investigaram no diário expressões de dedicação maternal mais delicodoce; não encontraram. Está, então, tudo explicado.
Não me interessa a investigação; apenas acompanho. Mas estas inferências explicadas ao povo são escolhidas a dedo. Todas as mães chamaram histéricos aos seus filhos e todas já acharam que eles são hiperactivos. Todas já acharam que os maridos (como aquele) não as ajudavam. Todas elas, em algum momento, pensaram na sua vida sem filhos. Todas elas têm vida para além dos filhos e nenhuma delas está exclusivamente destinada, como se fosse carne para canhão, à carreira de reprodutora e puericultora. O que se pretende fazer com a «caracterização psicológica» de Kate McCann é uma filha da putice.
[FJV]

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por FJV, em 14.09.07
||| O cantinho do hooligan. Mau feitio.
Só para que conste, por causa do mau feitio: ontem de manhã, as rádios transmitiram apelos lancinantes do povo para que Scolari se demitisse ou fosse demitido, porque aquilo (andar a bater em sérvios) não se faz. Eu acho que Scolari tem sido um treinador abaixo do razoável, ao nível da burrice média e do primeiro dos jogos com a Grécia. Basta ver os últimos seis jogos da selecção. Miséria. Se fosse por isso, aceitaria que se ponderasse a demissão nesta altura do campeonato. Mas tamanha indignação do povo (acrescentada à indignação de Javier Clemente, cujo penteado é quase tão mau como o de José Antonio Camacho), pedindo moral nos estádios e polícia de costumes nos lares, gritando contra o sangue na estrada e os mosquitos nas albufeiras, indispôs-me a sério. Ao ver tamanha concentração de ex-namoradinhos de Scolari a bradar em nome da moral, deu-me uma vontade fatal de lhe mandar um abraço e de ir a Espanha à procura de sérvios disponíveis para serem agredidos. Não vi a entrevista na RTP, ouvi só o essencial da lamúria de perdão. Que queiram puni-lo por defender um futebol asno, já vêm atrasados. Mas que queiram castigá-lo por motivos destes, entregando-o a Javier Clemente, à UEFA e aos patetas da ordem, não contem comigo; um seleccionador nacional existe para o podermos criticar permanentemente e para lhe encontrarmos defeitos e vícios insuportáveis; mas é nosso e faz-nos jeito. Agora, entregá-lo por causa das «cores nacionais» e do «espírito desportivo» e do «fair play» e do «desgraçadinho do sérvio»? Não. Queremo-lo cá para lhe aplicarmos sarrafadas. Mas só nós.
[FJV]

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por FJV, em 14.09.07
||| Género humano.
O artigo é ligeiramente enganador, mas tem momentos: «É como se a solidão fosse uma molécula ou deixasse uma impressão digital no organismo.» Investigadores descobrem marcas da solidão nos genes. Mas não é bem neles, nos genes. O género humano às vezes agrada-nos quando sofre.
[FJV]

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