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por FJV, em 25.07.07
||| Manuel Alegre.
Corri a comprar o Público esta manhã, por causa do artigo de Manuel Alegre. Pensava encontrar, não propriamente um pronunciamento (como esperava o Eduardo), mas um ponto da situação. O que Manuel Alegre se limita a fazer (e já não é pouco) é reunir um conjunto de indignações que vêm na blogosfera, além de notas ao programa de governo e ao quão difícil é governar. De alguma maneira, reafirma o que o levou a candidatar-se à Presidência: nenhuma proposta política de interesse, mas um ponto de vista sobre a forma de fazer política. Digamos que o artigo é retórica pura; Alegre não discorda das políticas do governo; discorda da sua forma de actuar. Talvez essa retórica seja necessária para combater o deslumbramento que atacou as franjas de algumas almas.
[FJV]

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por FJV, em 25.07.07
||| Livros, Steiner. [Dúvidas benignas, 2]











Ainda não li, mas sirvo-me do post de João Gonçalves para dizer que está na lista para os próximos dias; citação de Steiner:
«A educação moderna cada vez se assemelha mais a uma amnésia institucionalizada. Deixa o espírito da criança vazio do peso das referências vividas. Substitui o saber de cor, que é também uma saber do cor(ação), pelo caleidoscópio transitório dos saberes efémeros. Reduz o tempo aos instante e vai instilando em nós, até enquanto sonhamos, uma amálgama de heterogeneidade e de preguiça.»
Steiner abordou este assunto em outros livros, naturalmente -- mas a sua experiência relatada em Errata, a sua fascinante «autobiografia intelectual» devia ser tida em conta no actual clima de experiências novitecnológicas que alastram como salvadoras no espírito dos governantes. O computador como elemento salvífico é a principal dessas ilusões que, no fundo, não faz senão prolongar o espírito de infantilização do ensino. Ontem, escrevi aqui sobre a perda antropológica que significava, por exemplo, o abandono do desenho de losangos no quadro, ou o fim do estudo da tabuada. Há uma excessiva preocupação com o aspecto que as coisas têm e a facilidade com que se estuda. Pode haver erros de percurso sérios se não mostramos que o aspecto que as coisas têm é resultado de um longo processo de maturação e de experiência, de tentativas e de erros (por exemplo: até desenharmos um losango perfeito); da mesma forma, estudar não é fácil -- implica participar nesse processo de tentativas, erros, sacrifícios (não ir ao cinema para ficar a praticar equações), coisas absurdas (decorar fórmulas essenciais, como a tabuada, os elementos químicos, as declinações -- ou seja, as ferramentas). Ou seja, pode haver recompensas. Recompensas imediatas, por que não?. Em Errata, Steiner falava das recompensas puramente espirituais, que resultavam do esforço de praticar uma tradução do grego ou uma partitura de Bach. Mas a recompensa pode ultrapassar a dimensão de puro enlevo, de prazer puro -- pode significar que se ultrapassou um ritual de iniciação (ao conhecimento dos números, da métrica ou das dinastias). O resto é pirotecnia.
[FJV]

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