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por FJV, em 09.01.06
||| Black-out. [Actualizado.]
Não fala mais com o pessoal. Há hierarquias.
À saída de uma visita à Lisnave, esta terça-feira, Mário Soares surpreendeu tudo e todos: «A partir de agora é campanha; é outra coisa. E não vos falo mais directamente, fala ele.»
Sensivelmente à mesma hora, não se fez esperar a reacção dos Elementos, que compreenderam e se manifestaram.

Afinal, explicou depois o assessor de imprensa [«ele], que se trata apenas de «disciplinar os contactos com os jornalistas». Portanto, presume-se que «ele» e outras pessoas chamaram o candidato à razão.

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por FJV, em 09.01.06
||| Livros de 2005.
No Livro Aberto, disponíveis as listas dos dez livros mais votados em cada área (ficção portuguesa, ficção estrangeira, ensaio, poesia) e também publicados no «Mil Folhas» de sábado passado. Votações finais até quarta-feira, lá no blog.

Além das escolhas de Pedro Mexia e de Eduardo Pitta, também on line as de Isabel Coutinho, editora do «Mil Folhas/Público», para o seu balanço de 2005.

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por FJV, em 08.01.06
||| Largo do Arouche.
O Alexandre Monteiro lançou o Arouche. Pessoalmente, é um dos lugares emblemáticos de São Paulo, sobretudo nos finais de tarde dos invernos paulistas, frios, com cheiro de comida vinda de lugares nada recomendáveis, árvores sujas, ônibus, luzes lá no alto, dos prédios rasgados no céu, fumaça de caminhões, Ipiranga & Avenida São João. Lembro de um episódio, numa esplanada do Arouche, por volta das duas da manhã, um grupo discutia futebol e bebia cerveja (estávamos num congresso de revistas literárias): Horácio Costa (organizador, então a viver entre México DF e São Paulo), Manuel Costa Pinto (na altura, na Cult), Christopher Domínguez (tinha acabado de substituir Octavio Paz na direcção da revista Vuelta), José Ramón Ripoll (da Revista Atlántica de Poesía), etc. Em espanhol e em português. A essa hora da madrugada, naquele lugar, só um bar tem as portas abertas, com uma velha juke box debitando sucessos de novela e duas senhoras servindo às mesas da esplanada -- uma delas avançou para a mesa e perguntou: «Vocês são cartolas do Corinthians?» Surpresa durante um instante. Horácio, que detestava futebol, olhou para a senhora e murmurou: «Não, do São Paulo graças a Deus. Corinthiano nem no futebol.»

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por FJV, em 08.01.06
||| Por que é que são pirosos os escritores portugueses quando escrevem sobre sexo?, 2.













Existe, no entanto, um pormenor ainda mais piroso: quando os escritores straight se metem a escrever sobre personagens homossexuais. Há páginas superlativas no género. O paternalismo marialva é nota predominante. Mas há casos, nomeadamente em relação às mulheres, em que dá vontade de rir. No meio de tudo isso, uma enorme vontade de fazer moral e sociologia. Que é o mais irritante no romance.

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por FJV, em 08.01.06
||| Por que é que são pirosos os escritores portugueses quando escrevem sobre sexo? [Actualizado.]


Na generalidade, são mesmo. Há recolhas hilariantes de textos sobre o assunto. Serpentes que tentam entrar no búzio, mulheres que se vergam ao peso de uma espingarda de carne, marialvismos, imagens imbecis, coisas que nem o saudoso Dr. Fritz Kahn (no seu inestimável A Nossa Vida Sexual) teria coragem de imaginar. Inês Pedrosa coligiu em tempos, no O Independente, uma antologia genial. As metáforas para o sexo são quase sempre perigosas, desadequadas, inadequadas, ridículas, além de fornecerem abundante informação sobre misérias de que não queremos saber. Há vários motivos. A rapaziada desses livros não tem grande tesão. Escreve sobre sexo mas não quer escrever sobre sexo; quer fazer literatura, dar um ar elevado à coisa -- que tem uma dimensão metafórica, certamente, mas isso é com cada leitor. Melhor inventariar, então, metáforas -- e é uma foleirice. Depois, há outro problema: se os personagens e as personagens não têm um índice mínimo de tesão, como é que hão-de interpretar diálogos e situações que valham a pena? No way. Evidentemente que há que contar com a «síndrome da bolinha no canto», informando os incautos que se está a falar de sexo -- e, então, a regra de «retroceder no último momento»: suavizar a linguagem, esvaziar as frases, pulverizar aquela trapalhada. Na verdade, os personagens e as personagens desses romances têm um grande pudor: não fodem; limitam-se a ser observados por um coleccionador de metáforas ou um manobrador do Dicionário de Sinónimos dos Fenianos do Porto. Há vastíssimas catadupas de sugestões, simulações, complexos, armadilhas, confusões -- mas, digamos, uma ripada bem dada é coisa rara, muito rara. Não que seja necessário. Mas quando se quer levar a caneta por esses lugares (salvo seja), então que seja com grande categoria.

Ver o Estado Civil e o Memória Inventada, via Glória Fácil. E também o Miniscente.

O Francisco Trigo de Abreu resumiu o texto de Inês Pedrosa aqui e aqui (obrigado pelo link, Francisco)

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por FJV, em 08.01.06
||| Há uma razão para tudo.
[os dias que se seguiram à passagem do furacão Katrina pelo sul dos Estados Unidos] «Se fosse religioso diria que aquilo foi Deus a funcionar», disse [Mário Soares].

Via Portugal dos Pequeninos.

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por FJV, em 07.01.06
||| Eduardo.
Distracções e afazeres impediram-me de assinalar o aniversário de um dos blogs de leitura obrigatória, o Da Literatura. O Eduardo Pitta não merecia esse esquecimento mas, como temos sessão de trabalho marcada para uns destes dias, eu hei-de ser desculpado. Quanto ao Da Literatura, transformou-se, em pouco tempo, numa referência na blogosfera. Ele é como o Eduardo: corajoso, muito bem informado, cultíssimo, com opinião forte. «Parabéns» é pouco, mas fica subentendido.

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por FJV, em 06.01.06
||| O Brasil de Lula.













Vou ler, com muita atenção, este número da Política Internacional. Sobretudo os textos de Fernando Gabeira (sobre ambiente -- uma das «áreas de falsificação» durante o governo Lula), o de Gustavo Binenbojom (sobre as agências reguladoras -- não esquecer que a actual ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, tentou sempre, quando era ministra da Energia, liquidar essas agências e pô-las ao serviço do governo, ocupando-as com funcionários fiéis), Fabiano Santos (Instituições democárticas e reforma política), Merval Pereira (sobre o funcionamento do PT, as suas boas relações com os partidos conservadores e a contestação da ala esquerda), o de Cristóvão Buarque (sobre educação, naturalmente, sobretudo depois da passagem de Tarso Genro pelo ministério, o homem que defendia a cubanização do ensino no Brasil) e, naturalmente, o de Francisco Seixas da Costa sobre Portugal e a política externa brasileira (ainda não li, mas vou também ler, o texto de Clóvis Brigagão sobre o Itamaraty sob Celso Amorim).
Bom trabalho do Paulo Gorjão a organizar este número.

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por FJV, em 06.01.06
||| Teoria Geral da Blogosfera.
O Jorge Marmelo explica, em linhas gerais, os princípios que norteiam a blogosfera. Nem mais.
«Desistir. Já sucedeu antes, várias vezes. Depois arrependo-me e recomeço tudo outra vez, com outro nome, outro template e o mesmo endereço de sempre – como uma impressão digital que se não apaga. Este blog tem perdido tudo: os nomes, os posts, os arquivos, os links, os olhos e os motivos.»

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por FJV, em 06.01.06
||| Livros relidos.














Enquanto rearrumo livros na estante, dou com títulos que esqueci. Sinouhe, o Egípcio, de Mikka Waltari (tradução portuguesa na Bertrand, a capa a desfazer-se, ao lado da edição francesa de bolso, com muito mais páginas...). Ou as duas edições de Lusco Fusco, de Pablo La Noche -- a portuguesa, edição da Bertrand, e a francesa, da Robert Laffont. Só que a edição francesa tem a particularidade de imprimir na capa o verdadeiro nome do autor, Marcello Mathias, e de transformar o pseudónimo português, Pablo La Noche, em título, Pablo La Nuit. É um romance de fim de tempo, triste, romântico, lírico, picaresco também. Marcello Mathias foi embaixador em Paris durante o governo de Salazar (está publicada a sua correspondência, com os cuidados de Maria José Vaz Pinto, edição da Difel) e esteve no coração de muitos episódios interessantes que envolveram o ditador (como a sua relação com Christine Garnier). Era, além disso, um bom poeta (autor de umas odes quase gregas, publicadas em 1972, e cujo paradeiro desconheço agora). Na altura da edição de Lusco Fusco, o livro foi «saudado pela crítica» (Urbano Tavares Rodrigues, Hernâni Cidade, Norberto Lopes no República, etc.). Conheci o embaixador depois da publicação da correspondência com Salazar e recordo que, na altura, não lhe perguntei o que queria saber: Salazar ficou zangado com o romance? Devia ter ficado. Marcello Mathias era um velho cavalheiro. De certa maneira, também ele um personagem de romance. E é uma pena que Lusco Fusco, aliás Pablo La Noche, não tenha sido reeditado ultimamente.

E também reencontrei O Perfume, de Patrick Süskind, sim. Reli até ao momento em que o desgraçado reconstitui o perfume de Pelissier.

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por FJV, em 06.01.06
||| Vai valer tudo. [Actualizado]
Basicamente, de acordo com a Constança: «A campanha presidencial vai começar precisamente no momento em que o interesse por ela acabou.» Mas, porque há candidatos que não são candidatos, vai valer tudo. Não vão dizer nada de realmente importante; vão ocupar espaço, uma garantia constitucional e televisiva. É um jogo claro e devemos aceitá-lo. O único problema é a lei, não escrita, de que vale tudo sob o pretexto do «instinto político»: frases & insinuações, a coberto da necessidade de fazer campanha; acusações disparatadas e pequenos dislates pessoais sempre desculpados a coberto dessa característica do «animal político»; julgamentos e preconceitos de ocasião transformados em «facto político». Nada que nos espante. Mário Soares insinuou o que quis, na altura, sobre a relação entre Sá Carneiro e Snu Abecassis, com o dedo moralista apontado; depois desculpou-se e a vida continuou -- estávamos em campanha. E durante a campanha, durante esta campanha, vai valer tudo. É a vida. Estejam preparados.

Sobre o episódio-foguetório do «financiamento das campanhas», ler o post do João Gonçalves.


Carlos Azevedo, nos comentários a este post: «Mas Snu, que não tinha a nossa mentalidade (felizmente para ela), não perdoou. Mário Soares, após as eleições que deram a vitória à AD em 1979, encontrou Snu por acaso e esta disse-lhe que não pode haver diferenças entre o comportamento moral de uma pessoa em campanha ou fora dela.»

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por FJV, em 06.01.06
||| Música para a dor de corno.
O Nuno continua a saga «música para a dor de corno» com coisas pop (sim, não me parece que ouvir a Cecilia Bartoli a cantar «Sposa Son Disprezzata» fosse uma boa ideia): The Smiths (claro, Heaven Knows I’m Miserable Now), Ed Motta (como «o contraditório»), Burt Bacharach cantado por Aretha Franklin (muito bom). Mas eu gosto daquela sugestão de Zeca Pagodinho, lá no fundo («Você tem a mania/ de ir pra orgia/ Só quer vadiar/ Você vai pra folia/ se entrar numa fria.../ Não vem me culpar, vai vadiar!/ Vai vadiar, vai vadiar..»)

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por FJV, em 06.01.06
||| Sharon, 2.
Texto de Aluf Benn, no Haaretz, sobre Ariel Sharon.
Em caso de dificuldade (é necessário registo), lê-lo aqui.

Ver também a leitura dos analistas do Haaretz sobre Israel depois de Sharon.

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por FJV, em 05.01.06
||| Constante.
Depois de uma passagem pela Casinha, Constança Cunha e Sá reinventa o título de um jornal clandestino («que Rodrigues Sampaio fazia, num barco, ao largo do Tejo, e que chegava a Lisboa, pela calada da noite, pronto a disparar contra a rainha e contra o partido cartista») e tem o seu blog: O Espectro.

(Cheguei lá pelo Portugal dos Pequeninos.)

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por FJV, em 05.01.06
||| Sharon.









O destino é perverso. Ariel Sharon ficará na história como o homem que iniciou, no terreno, a retirada dos territórios ocupados; estava escrito que seria um herdeiro dos anos de chumbo a preparar o caminho para uma paz possível. E que teve a coragem de quebrar o status quo do sistema partidário israelita nascido dos anos sessenta e setenta, para o secularizar e tornar mais democrático, porque essa seria a única via para a paz em Israel. «A tragic end to Ariel Sharon's one-man show.»

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por FJV, em 05.01.06
||| Feio é fumar.
O Sérgio publicou uma sequência de fotos sobre o género. Feio é fumar. (ver também esta imagem)
O Cláudio também trata do assunto (e sugere um texto de Espanha).

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por FJV, em 04.01.06
||| Os vigilantes.
Ler o post do João Gonçalves sobre o debate sobre «os poderes do presidente».

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por FJV, em 04.01.06
||| Hippies e Coca-Cola.
Cláudio Tellez a ler Gita Mehta, Carma-Cola.

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por FJV, em 03.01.06
||| Conto curto, conto mínimo.
O Fábio Danesi Rossi, autor de Todas as Festas Felizes Demais (edição Barracuda) publica alguns contos mínimos no seu blog:
«Entrou correndo e chorando na igreja. Com a estola, o padre espantou um mosquito:
- Extrema-unção, minha senhora, só com hora marcada.»
Há tempos, escreveu um post delicioso que começava desta maneira:
«Deus existe não é uma questão importante. Importante é saber se existe vida após a morte - e, principalmente, se eu e a gostosona do prédio da frente estamos nessa.»

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por FJV, em 03.01.06
||| Eu, que gosto de teorias da conspiração.
Pelo Tau-tau, a teoria da conspiração sobre o império do mercado, elaborada pela revista da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública. Download da revista aqui.

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