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por FJV, em 22.11.05
||| Os melhores livros de 2005 / Livro Aberto.










Votação começa no blog Livro Aberto. Primeiros resultados com a lista dos finalistas de cada categoria a 5 de Janeiro. Resultados finais a 12 de Janeiro com emissão especial na RTPN.

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por FJV, em 22.11.05
||| Os melhores romances.
O A Natureza do Mal está a concluir o apuramento de resultados da votação sobre os melhores romances dos últimos trinta anos.










Entretanto, o Livro Aberto abriu a contabilidade para os melhores livros de 2005. Dois pontapés de saída, os de Pedro Mexia e de Eduardo Pitta (seguir-se-ão outros críticos, como Isabel Coutinho, Fernando Pinto do Amaral, Francisco Belard ou Miguel Real) Os leitores podem participar. A votação será relançada no programa de televisão.

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por FJV, em 22.11.05
||| Cidades assim. (O cantinho do hooligan dissimulado.)













Braga. Lille. Perdão, Paris.

Com cumprimentos ao Carlos, ao FNV, ao Nuno e ao Altino.

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por FJV, em 22.11.05
||| Romance histórico, 1.
























Mais romance histórico nos últimos tempos. Depois de A Casa do Pó e de A Esmeralda Partida (e de outros, como A Sala das Perguntas ou O Prisioneiro da Torre Velha), Fernando Campos escreve o mais fascinante de todos os seus livros, O Cavaleiro da Águia (todos publicados pela Difel): poucas vezes um romance histórico português usa uma linguagem tão comovente, se perde e se deixa seduzir pela poesia. Campos é um mestre do romance histórico que passa em silêncio, sem muito ruído. Os seus personagens (Frei Pantaleão de Aveiro no primeiro, depois D. João II, Damião de Góis, D. Francisco Manuel de Melo e finalmente Gonçalo Mendes -- o da Maia) são estudados em pormenor, erguem-se sobre os destroços do tempo mas arrastam-no como uma maldição. O Cavaleiro da Águia é, nessa medida, a tentativa de fazer um romance histórico sem culpa, e onde a linguagem dissimula a dificuldade de dizer o que quer dizer (que não há bravos cristãos nem mouros a abater) -- mas o resultado é, tal como a sua linguagem, comovente, sim. Depois, há algumas surpresas, como A Lenda de Martim Regos, de Pedro Canais (Oficina do Livro), uma boa revelação através de um personagem que quase é o primeiro herói multicultural português, atravessando o cristianismo, o judaísmo e o islão. A ideia pode parecer muito politicamente correcta, mas Pedro Canais não cai no erro: Martim Regos não é levado no seu destino para cumprir uma busca cultural mas para percorrer o mapa do seu mundo, à solta, cheio de curiosidade e de excitação. Outra revelação é a de Pedro Almeida Vieira, que já tinha escrito Nove Mil Passos (sobre a construção do Aqueduto das Águas Livres); agora, é O Profeta do Castigo Divino, com algumas figuras centrais -- a do padre Gabriel Malagrida, a do Marquês de Pombal, a Igreja, os jesuítas, e o narrador do seu livro, o diabo, propriamente dito. Muitas vezes o peso da história esmaga o romance, mas isso tem uma vantagem: Pedro Almeida Vieira faz uma investigação muito minuciosa, cheia de deleites, de pormenores e de horrores, mas transmitindo o retrato de uma mentalidade brutal e do medo setecentista. Outro olhar é o de Miguel Real, que é um autor subvalorizado. Ele escreveu uma história extraordinária em redor de Branca Dias (Memórias de Branca Dias, Temas e Debates), a primeira mulher a praticar judaísmo em terras do Brasil, no Pernambuco. Mais do que isso, antecipando debates que seriam centrais no judaísmo reformista, a ser a primeira rabina portuguesa; o mundo do Pernambuco não escaparia ao longo braço da Inquisição e Branca Dias seria queimada, mas os judeus do Recife iriam para Nova Amesterdão, reencontrando-se com os judeus portugueses expulsos dois séculos antes, e entraram na fundação de Nova Iorque depois de terem fundado a primeira sinagoga das Américas, a Beit Israel, recentemente recuperada no Recife. Em A Voz da Terra, o seu novo romance (edição Quid Novi, a sair) Miguel Real formula uma história mental do terramoto de Lisboa, opondo a voz da terra à voz do céu, numa linguagem tão desprendida quanto é certo que a escreveu fora das bibliotecas: o Marquês de Pombal revisitado, a complexidade e a turbulência da guerra com o divino, a crueldade, o desvario. É um grande romance.
Não cabe neste domínio de romance histórico, mas sinto alguma perplexidade ao ler o Codex 632, de José Rodrigues dos Santos (edição Gradiva), onde se desenvolve a teoria da identidade portuguesa de Colombo. Há alguma semelhança com Anjos e Demónios, de Dan Brown (o investigador português Tomás Noronha é levado para NY tal como Langdon foi transportado para a Suíça), e com a catadupa de revelações em catadupa de O Código Da Vinci, mas existe a coragem de lidar com o problema de Colombo. Sinceramente, acho que o livro terá algum sucesso quando for traduzido para inglês (um editor americano já comprou os direitos). Tem coisas muito infantis (como as descrições brasileiras, por exemplo, um pecado mortal português quando se trata de escrever sobre Ipanema e adjacências), e a tentação de serviço público quando se trata de explicar conceitos e factos históricos, mas esse é um pormenor que lhe trará popularidade, não nego.
Não me posso esquecer de coisas curiosas, como o caso de José Manuel Saraiva, Rosa Brava (Oficina do Livro) sobre D. Fernando e Leonor Teles, onde há pela primeira vez sexo a valer na casa real portuguesa, com o rei exercitando-se em cunilingus ou sexo anal, e desviando-se dos perigosos caminhos do incesto. Leonor Teles é uma explosão na corte lisboeta, mas ainda não tinha merecido atenção de muita gente.

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por FJV, em 22.11.05
||| Capa irreal, livro ideal.













Eu sei que a foto é má, mas é a única que consegui fazer do livro de José António Sá: Compêndio de Observações que Formam o Plano da Viagem Política e Filosófica que se Deve Fazer Dentro da Pátria. José António Sá era professor de Leis, em Coimbra, e a impressão é de 1783 -- e o livro «dedicado a Sua Alteza Real o sereníssimo príncipe do Brasil».

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por FJV, em 22.11.05
||| A biblioteca dos reis.












Primeiro, foi um roteiro e uma exposição de que ouvi falar. Só depois li o livro, comprado em saldo, baratinho (com desconto de 25 reais...): A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis. Do Terremoto de Lisboa à Independência do Brasil, de Lilia Schwarcz (edição Companhia das Letras), a mesma autora de As Barbas do Imperador, um livro fantástico: uma história dos livros, das livrarias, das impressoras e das bibliotecas. Tenho pena que não exista um livro assim, em Portugal, sobre a nossa aventura no meio dos livros.

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por FJV, em 22.11.05
||| Por causa nossa.
O Causa Nossa faz dois anos. Parabéns.

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por FJV, em 22.11.05
||| A nova griffe carioca.
[Via Megeras Magérrimas] O Rio de Janeiro vai assistir à revitalização da praça Tiradentes (as barbas do velho imperador bateriam palmas e repetiriam: «Eu fico, eu fico!»), iniciativa das prostitutas da zona. Mas aconselho vivamente é o desfile de moda para apresentação da nova griffe, a Daspu -- brincadeira com a milionária loja de São Paulo, a Daslu (recentemente com problemas na justiça). E têm razão nisso: «Há muito tempo que a nossa moda ultrapassou as áreas de batalha. Nós sempre fizemos moda e inspiramos estilistas e outras mulheres.» Mas quem não sabe?

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por FJV, em 22.11.05
||| Liberais de todos os países, uni-vos!
Em «situações de crise» geram-se discussões sobre o que é o verdadeiro liberal. Um dia destes vamos assitir à definição da verdadeira ortodoxia liberal.

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por FJV, em 21.11.05
||| Os beijos na escola, de novo.
Parte da discussão sobre este assunto degenerou em debate jurídico. Nada contra. Mas tratava-se de uma oportunidade de tratar da tolerância e do embate entre lei e costume, por exemplo. Não estava em causa a lei mas sim a ideia de tolerância. O Filipe Nunes Vicente, contando uma história pessoal, expôs o problema com clareza: «Passámos a fazer exactamente o mesmo, só que com a janela fechada.» Quem nunca fechou a janela? Simplesmente, há aqui outro problema: o do uso desproporcionado da força, a julgar pelo relato dos jornais e por testemunhos entretanto escutados, com a inevitável tendência provinciana para criminalizar um comportamento não criminalizável. Nesta matéria sou pelo mais fácil: a escola devia ter fechado os olhos e não devia ter aceite nem discutir nem tomar conhecimento do assunto. Às vezes, tolerar é apenas usar do mais elementar bom-senso.

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por FJV, em 21.11.05
||| Contos mínimos. Uma versão de fada galdéria.
Vem no Hotel Sossego (aliás The story of six people trying to make sense of why their dogs have gone wild), uma versão mais dos contos mínimos:
Conto sobre uma fada de nariz arrebitado
«Era uma vez um rapaz que perguntou a uma fada galdéria:
- Sabes porque é que eu não quero casar contigo?
- Sei, porque sou uma galdéria.
- Não, porque és demasiado velha para ser uma galdéria comme il faut.
- Mas quem te disse que eu quero casar com um francês? Sei lá se és de terceira geração...»

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por FJV, em 21.11.05
||| Leituras.
Nesta semana, três leituras que acabaram na madrugada de hoje: Os Dias de Veneza, de Eduardo Pitta (Quási), uma visitação à cidade e à sua mitologia, mas também à sua poeira -- ou seja, ao que da sua tradição literária circula hoje no nosso dia; Bilhete de Identidade, de Maria Filomena Mónica (Alêtheia), que me deixou com uma sensação muito estranha, a de estar diante de uma autobiografia não-autorizada; e o Codex 632, de José Rodrigues dos Santos (Gradiva), que não sei explicar senão em redor da construção de um Robert Langdon português (Tomás Noronha) que de repente se torna omnisciente acerca de Colombo. Voltarei a cada um deles. No fundo, são agora sete da manhã e acordar cedo não é motivação literária suficiente.

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por FJV, em 20.11.05
||| Novidades do sertão. Despacho de Goiânia.
Aqui, no Gândavo, novidades sobre o verdadeiro Super-Mário. O único.

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por FJV, em 20.11.05
||| Morreu o José Azevedo. O Peter do Café Sport.











Gostaria de ter uma história de amor nas ilhas
porque teria de ser perfeita, ou quase:
eu mudar-me-ia para o Faial, enquanto fosse tempo,
com pressa de viver. Aos sábados iria a Porto Pim
dormir a sesta, ou à praia do Almoxarife
buscar recados no canal e ver São Jorge ao longe.

Não sei se seria feliz, mas suponho que ninguém
é profundamente feliz longe das ilhas, da praça
diante do Pico, na Horta. Podia ter uma mesa certa
no Peter, ler jornais antigos
que chegaram do continente há muito tempo atrás.
Adormecer, enfim, nos teus braços,
se fosse contigo essa história de amor.


De O Medo do Inverno, 1995.

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por FJV, em 20.11.05
||| Sobre a moral.

«O que você faz quando
Ninguém te vê fazendo
O que você queria fazer
Se ninguém pudesse te ver

Mariana gosta de beijar outras meninas
De vez em quando beijar meninos
Só pra não cair numa rotina
É diferente mas podia ser»


Fragmento da canção «Quatro Vezes Você», da banda Capital Inicial.

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por FJV, em 20.11.05
||| Ainda «os beijos na escola».
A opinião de José António Saraiva no Expresso de ontem parte, digamos, de premissas erradas. A primeira delas é quando mistura (como acentuou Eduardo Pitta) alunas & magalas («O que faria o comandante de uma unidade se dois soldados do mesmo sexo...»). A segunda é quando ignora a diferença entre lei e costume. A lei não pode proibir que uma aluna beije a outra nem, sequer, que alguém se beije. O costume é outra coisa; se a lei pode afrontar o costume, os indivíduos devem saber que se trata de um combate lento, moroso e difícil. Mas devem saber que têm a lei do seu lado e que a lei não pode autorizar nenhuma forma de discriminação ou de perseguição. Pelo contrário, a lei deve punir os que discriminam ou perseguem. Finalmente, ao falar de bom-senso, JAS ignora de que lado esteve a falta de bom-senso: do lado dos perseguidores e dos cavernícolas.
Mas há, além do mais, uma nota preocupante, muito preocupante: quando diz que «não são as duas de Gaia: uma é brasileira e a outra portuguesa». Ser de Gaia, portanto, teria vantagens. Mas uma delas ser brasileira, a perversa e delambida, hein? Vir aqui perverter as jovens adolescentes lusitanas?

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por FJV, em 19.11.05
||| Quase uma milonga. A música de Vítor Ramil.










«As imagens descem como folhas
No chão da sala
Folhas que o luar acende
Folhas que o vento espalha

Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens descem como folhas
Enquanto falo

Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei»
[...]

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por FJV, em 19.11.05
||| Seu Jorge. Brutal e diabólico e bonito.










Eu gosto de Seu Jorge (como do Zeca Pagodinho, do Paulinho da Viola, da Mart'nalia -- para fazer justiça à acusação do Ruy Castro). E depois de ouvir e ler algumas barbaridades sobre o assunto, recomendo o texto de Reinaldo Azevedo sobre a entrevista de Seu Jorge ao Roda Viva:
«Seu Jorge não quer ser mais escravo. A escravidão saiu de dentro dele. Ele não quer ser mais escravo porque é negro. Ele não quer ser mais escravo porque foi pobre. Ele não quer ser mais escravo porque é brasileiro. Ele não quer ser mais escravo porque é do Terceiro Mundo. Seu Jorge é senhor absoluto de sua vida: é senhor porque seus ancestrais foram escravos; é senhor porque é negro; é senhor porque foi pobre; é senhor porque é brasileiro. É senhor porque é do Terceiro Mundo. É senhor porque quer.
Escrava, com todo respeito, de uma velha escola se revelou a maioria dos entrevistadores, isto sim, fossem brancos ou negros, militantes ou jornalistas. Pouco escapou. Um, branco, queria que Seu Jorge contasse como foi discriminado em Londres “porque era negro”. Os advogados putativos dos “perseguidos” têm sede de uma causa. Só que o homem não quis ser vítima, não. Contou que foi ele a esnobar os ingleses. Quanto voltou ao país, deixou claro, exigiu tratamento dispensado às idiossincrasias de um João Gilberto. Ele não berra. Ele canta. Ele não distribui panfletos. Ele pensa. Um outro, intelectual negro, porta-voz de uma causa, queria arrancar de Seu Jorge a declaração da supremacia da cultura negra, tão discriminada. E o cantor, nada! Para ele, tudo vale. Não tem essa de superioridade. O rochedo fica, poetizou. A onda bate nele, morre na praia, não dura.
Seu Jorge mora em São Paulo — “Túmulo do samba?”, alguém perguntou ao cantor fluminense. Que nada! Ele adora São Paulo. O samba não é o Rio. O Rio não é a Zona Sul. Seu Jorge fez blague com aquela gente tostadinha e progressista “que aplaude o pôr-do-sol”. Ah, o insofismável brilho do talento. Queriam porque queriam que ele se sentisse discriminado. E ele dizia: “Mas eu não sou”. Queriam porque queriam que ele exercesse o doce charme do vitimismo. E ele cada vez mais dono de si mesmo. Queriam porque queriam que ele carregasse uma bandeira. E ele fazia a apologia do esforço pessoal, do talento pessoal, da dedicação pessoal. “Mas, então, basta cantar?”, perguntou um outro já à beira do desespero. Não, tem de ter algo mais. Ele diz que educa os filhos de outro jeito. Quer que estudem, que se esforcem.»
O texto está, todo, aqui. Leiam.

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por FJV, em 18.11.05
||| Uma interrupção.
O caso das alunas da Escola António Sérgio (duas jovens de 17 e 19 anos beijaram-se numa escola e parece que namoram) está a ser uma fonte de preocupações para meio mundo. Compreendo. É que há versões. Como se dizia, há versões e versões. Neste caso há também aversões. Aquilo que me parece, à primeira vista, é que duas alunas, de 17 e de 19 anos, estão a despertar interesse graças à reacção pouco cuidadosa da própria escola e ao espírito filhadaputa da pequena moral. Se é verdade o que se escreveu na imprensa, se se confirma a denúncia de alguém da escola às famílias das alunas, se isso configura uma perseguição às alunas, trata-se de um problema sério. Não é grave; basta ler romances e puxar pela memória para descobrir casos semelhantes. Só que não estamos num romance de costumes nem a nossa memória tem de lidar com a justiça feita tarde demais; não há reparação que valha. Pessoalmente, incomoda-me que a moralzinha e a maldade das auxiliares educativas se sobreponha à serenidade e à dignidade com que a escola devia lidar com os factos (porque são factos; não são um problema). O pequeno mundo da província de Gaia pode ser tenebroso. À distância, aquele beijo parece uma intromissão de luz na pequena miséria da maledicência e do desastre, uma interrupção qualquer. Falo à distância. Mas é à distância que devemos falar; garantindo que não pode haver nenhum tipo de perseguição da escola e que a escola tem de garantir que as alunas não podem ser prejudicadas na sua condição de alunas (ou seja: passar de ano, se tiverem aproveitamento, chumbar se isso não acontecer), salvo se a situação configurar o que chamamos de «alteração da ordem pública», o que parece que, manifestamente, não acontece. A tenebrosa moral do povoléu precisa de um choque: transforma um beijo roubado num acto de exibicionismo, exibe aquilo que estava escondido, esconde a pequena miséria quando encontra vítimas a propósito. A pequena moralzinha, além do mais, é imbecil: como não conhece a tolerância, nem as palavras certas, nem a suavidade, trata de excitar os pobres de espírito com a rudeza e o erotismo dos valores morais. Erro sobre erro.
Gore Vidal dizia que sexo é política; eu acho que não. Não é uma luta minha, se me entendem. Mas se se trata de rir de cavernícolas e de defender as duas alunas, contem comigo. Como um liberal à moda antiga.

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por FJV, em 18.11.05
||| Mais Brasil, diferente.














Depois da edição de Um Céu Demasiado Azul, saiu agora As Duas Águas do Mar. Ambos na Record.

Só uma nota: eu nunca me importei que o editor brasileiro alterasse a ortografia dos meus livros. Não sou ortodoxo. Sou um traidor. Mas desde que outros autores apareceram nos jornais portugueses a dizer coisas como «eu nunca permiti que alterassem a ortografia dos meus livros no Brasil», sinto-me na obrigação de dizer o seguinte: não só eu não me importaria que o editor brasileiro propusesse algumas alterações à ortografia como, ainda por cima, o editor brasileiro exigiu que os livros saíssem sempre com ortografia do português de Portugal. Portanto, quando lerem aquelas declarações pomposas de autores a dizer que nem uma vírgula permitem que os brasileiros alterem nos seus livros, já sabem: é mentira. É só fita. Os editores não querem mesmo alterar.

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por FJV, em 18.11.05
||| Não me interessam as audiências.











Aqui está mais um exemplo da perfídia e do mau-carácter do género humano. Por isso está aí a capa da mais recente Playboy brasileira. E pergunta o leitor, indignado: «Sim, mas aqui?» Pois sim: aqui. E porquê? Não pelas audiências. Apenas pelo deleite intelectual. Porque a Playboy brasileira publica uma entrevista com Zezé e Luciano di Camargo, os sertanejos-protagonistas do filme Filhos de Francisco. Se há perfídia nisto? Não. Pois os Camargo até participaram nos comícios do PT. Nada de sectarismo. Mesmo se são cantores sertanejos. Além disso, há também uma entrevista com Pitty, a nova revelação musical local. Também é verdade que a Playboy publica um ensaio fotográfico com Mariana Kupfer, mas enfim, isso não é importante. Quem é a Mariana Kupfer?, pergunta o leitor, moralizador e inquieto. Que falta de cultura.






Bom, mas para quem gosta mais de teatro (Cissa Guimarães, aliás Beatriz Gentil Guimarães) do que de cinema (Zezé di Camargo e Luciano), a edição deste mês da revista Sexy é recomendável. Muito menos photoshop numa actriz a ultrapassar a década dos quarenta (48). Uma coisa como deve ser, portanto. E não, a Sexy este mês não tem crítica literária.

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por FJV, em 18.11.05
||| Comprar votos. Adenda a post.
O Rogério Barcelos Alves (é professor, vive em Porto Alegre e mantém o blog pessoal Conto as Favas*) comenta a compra de votos no Brasil:
«Sobre a compra periódica de votos no Congresso Nacional, infelizmente, pode-se afirmar que é uma prática antiga e reiterada. Existe um histórico de cooptação ilegal do legislativo (e do judiciário) pelo executivo. Oficialmente, fazem-se acordos na divisão de esferas de poder, através de cargos e, extra-oficialmente, fazem-se com o repasse de recursos geridos por estes cargos aos destinatários. Toda a dinâmica é gerida pelos caciques dos partidos. No entanto, em momentos-chave, quebra-se a hierarquia e não se compra um partido todo, através de seu cacique, mas compra-se voto a varejo. No governo Fernando Henrique, a compra de votos, para aprovar a emenda constitucional que possibilitou sua reeleição, é um exemplo disso, mas não o único. O erro do PT não foi utilizar a compra de votos, foi abusar da compra de votos a varejo. Deixando de tratar com os caciques, que administravam internamente quem recebia quanto, e indo negociar individualmente houve a quebra de 'hierarquia partidária', no pior sentido do termo. Se, por um lado, essa desmedida de José Dirceu não pode passar impune, por outro, os mecanismos de cooptação não podem ser alterados. Por isso, Dirceu provavelmente será cassado. Por isso, não teremos reforma política (eleitoral). Mutatis mutandis, isso vale para discussão sobre caixa 2, que existe e continuará existindo, só não podendo ser utilizado para compras a varejo. Essa é a minha opinião sobre o tema.»

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por FJV, em 18.11.05
||| Afinal, havia alguma coisa. Brasil.
Nas últimas semanas, colunistas da situação, deputados e senadores, o Planalto e o Torto, tentaram evitar um relatório como este. Mas ficou escrito: «Houve distribuição de recursos ilegais a parlamentares.» Quer dizer: afinal, havia mensalão.

Na edição desta terça-feira, a Folha de São Paulo publicava um artigo de Roberto Mangabeira Unger intitulado «Pôr fim ao governo Lula» (disponível apenas para assinantes da Folha -- está online aqui). Está lá escrito porque se devem preservar os valores republicanos.

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por FJV, em 18.11.05
||| Babugem.
Fez ontem dois anos um dos blogs mais cativantes e com mais bom-gosto da blogosfera portuguesa.

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por FJV, em 18.11.05
||| Bernardo Pinto de Almeida.

Nada é perfeito como a tua noite
se um outro sol já nela se levanta
quota-parte de treva que anuncia
a traço grosso o rosto claro instante.

Olhos febris a boca estremecendo
à simples sugestão da queimadura
movimento subtil age os quadris
de um frémito possante os insinua.

Barco fundeado no horizonte
movimento do vento que se espanta
se acaso a luz feroz evidencia
prata líquida de fuel flagrante.

A noite inunda-te. Pueril respiração ao peito erguendo
o que espelha no mar sua moldura
zona de sombra onde tudo me diz
que antes mesmo da nudez já estavas nua.

Bernardo Pinto de Almeida, Segunda Pátria.
Edição & etc.
[Capa de Mário Cesariny]

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por FJV, em 18.11.05
||| Malaquias.
Olha, Alberto: eu o Malaquias não conheço, mas tu podes fazer greve por quanto tempo quiseres. Espero que a administração e a comissão de trabalhadores do blog se desentendam definitivamente (como convém à ordem das coisas) porque nessa balbúrdia é que sabe bem escrever. Mas o que é importante é que a ameaça não pegou.

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por FJV, em 18.11.05
||| Paciência.
Já se sabe que cada um escolhe a campanha que quer. E que pode. A campanha de Mário Soares centra-se numa obsessão: Cavaco. Mas, mesmo respeitando a figura, o papel e a memória de Soares, lendo bem as suas declarações nos últimos oito dias, fico com a impressão de que está a tornar-se um chato.

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por FJV, em 17.11.05
||| Declaração de interesses.
O artigo desta semana no Jornal de Notícias.

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por FJV, em 17.11.05
||| Preconceitos de classe.
Três dos tabus dos últimos dias. Primeiro: que o facto de Manuela Ferreira Leite ter dito que o PSD votou mal ao votar contra o Orçanmento Geral do Estado, significa que há divisões sérias no PSD e que (ah, que saudades da teoria da conspiração!) isso é o primeiro sinal de que, com Cavaco na presidência, Marques Mendes tem os dias contados. Segundo: que a disposição de Mário Lino ao afirmar que quer chamar a si o Metro do Porto não significa que quer chamar a si e ao governo o Metro do Porto. Terceiro: que a entrevista de Cavaco Silva na TVI correu assim-assim a Cavaco e que foi eficaz «para quem interessa».
São preconceitos ridículos de classe política. Na verdade, as coisas passam-se de outra maneira. Primeiro: Manuela Ferreira Leite disse aquilo que o PSD devia dizer (ou seja, que o voto correcto do PSD era a abstenção) mas não disse sob pena de se achar que o PSD andava a dizer o que não devia dizer. Segundo: Mário Lino (como muito bem escreve David Pontes no JN de hoje) quer chamar a si o Metro do Porto e não é para evitar desregramentos orçamentais mas para tutelar politicamente a empresa. Terceiro: a entrevista de Cavaco Silva na TVI tanto me faz que tivesse sido eficaz «para quem interessa» -- a mim pareceu-me fraca.

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por FJV, em 17.11.05
||| Revista de blogs. Literatura.
«Eu nestas coisas gosto dos livros ingénuos. Quando o amor morre, vira estrela.»
{Francisco Trigo de Abreu, no Mau Tempo no Canil}

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