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por FJV, em 21.11.05
||| Os beijos na escola, de novo.
Parte da discussão sobre este assunto degenerou em debate jurídico. Nada contra. Mas tratava-se de uma oportunidade de tratar da tolerância e do embate entre lei e costume, por exemplo. Não estava em causa a lei mas sim a ideia de tolerância. O Filipe Nunes Vicente, contando uma história pessoal, expôs o problema com clareza: «Passámos a fazer exactamente o mesmo, só que com a janela fechada.» Quem nunca fechou a janela? Simplesmente, há aqui outro problema: o do uso desproporcionado da força, a julgar pelo relato dos jornais e por testemunhos entretanto escutados, com a inevitável tendência provinciana para criminalizar um comportamento não criminalizável. Nesta matéria sou pelo mais fácil: a escola devia ter fechado os olhos e não devia ter aceite nem discutir nem tomar conhecimento do assunto. Às vezes, tolerar é apenas usar do mais elementar bom-senso.

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5 comentários

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De Luis M. Jorge a 22.11.2005 às 18:11

"Entre Lubamgo e Menongue, próximo de Xangongo, nas margens do rio Cunene, Nhangana Sousa Tavares (como é conhecido entre os Sobas) ressonava a sono solto à sombra de um baobá, enquanto o fiel Belarmino, com uma folha de palmeira, afastava os marimbondos. A seus pés jaziam dois leões esventrados, com chumbo na moleirinha, e uma alcateia de hienas, todas vivas, tentando ferrar o dente no Simba Rei da Selva, mais tenro agora que não podia protestar. As hienas, como o leitor reconhece, não se incomodam com a presença de um fumador.

Nhangana Sousa Tavares acordou sobressaltado quando a lider da alcateia, por engano, confundiu a juba do felino com a barba de três dias do seu carrasco e glamoroso jornalista do "Público", em khakis. Infelizmente a bicha aproximou-se demais, levando um balázio na testa que a pôs com dono, embora sem cabeça - era assim que, na sua opinião, deviam ser tratadas todas as bichas. E por falar em "Público", aquele não era dia de dormir! Estava a crónica aprazada para sair na sexta-feira, ao lado do Prado Coelho e do Pedrinho da pé-primária, o doutor da Casa Pia, sempre pronto a salvar mais um mocetão de corpo feito das garras de um pai de família. Ele odiava aqueles tipos efeminados de falinhas mansas. O gordo do Coelho, infelizmente, já era uma instituição. Mas o Strecht, pá, que fosse dar banho aos miúdos, mais o Diabo que o carregasse. Um homem nem era livre, com tanto constrangimento!

De que falaria hoje? De animais, como era costume? Não. Ali em Angola apetecia-lhe fauna mais grossa que os políticos da metrópole. De bichas? Não. Disparar para um paneleiro é como atirar a um gambozino: nunca se sabe se ele está à nossa frente ou, lagarto, lagarto, atrás de nós. Falaria de gajas? Não. Diriam logo que falava muito e mordia pouco. E se as gajas fossem políticas? Não. Por cada Amaral Dias havia duas Odetes, e com cada Odete uma Roseta, e atrás dela a Pintassilgo, que era como a Madre Teresa, e lá se estragava a masculinidade de um tipo, com pau de Cabinda ou sem ele.

Mas... E se as gajas que fossem bichas? E se ele falasse de lésbicas?!

Na aula de Geografia, em Vila Nova de Gaia, duas adolescentes olharam para a parede, onde velho o mapa das colónias, legado por Salazar, as encheu subitamente de um inexplicável terror."

Não percais a Segunda Parte do imortal folhetim "DONA POMBINHA E AS LÉSBICAS - uma novela sobre a Roménia do Século XXI".

Disponível Aqui (http://ofrancoatirador.blogspot.com/)

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