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As loas à presidente brasileira, Dilma Rousseff, são muito parecidas com as que foram entoadas pelos europeus desde que descobriram o «bom selvagem» no século XVIII. Lula vinha para salvar o mundo, por exemplo, tal como Hugo Chávez reencarnava a figura do «bom revolucionário». Como os europeus não podiam ser nem «bons selvagens» nem «bons revolucionários» (tinham de tratar da vidinha, e as suas classes possidentes manter um bom nível de vida), decretaram que ambas as coisas existiam na América Latina, mesmo depois da queda do «tigre de papel» local, os EUA, que nunca entendeu o seu continente vizinho. Os europeus esquecem que as suas políticas protecionistas (uma vaca francesa recebe mais subsídios num mês do que um agricultor latino-americano ou asiático em toda a sua vida) são injustas, classistas e arrogantes. Hoje, a Europa enfrenta a maior crise estrutural dos últimos quinhentos anos: o centro do mundo desloca-se para o Oriente, para onde vão a inteligência, a riqueza e até o futebol ou o domínio dos mares. Mas a sua especialidade mantém-se: choraminga e empertiga-se.
[Da coluna do Correio da Manhã.]
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