Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
O Dia de Portugal transformou-se em Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Compreende-se o esforço: é necessário associar a Portugal não apenas «as comunidades» (no país e, sobretudo, fora dele – somos uma comunidade extraterritorial) mas também uma voz que cante as nossas glórias e heróis. No entanto, fora da escola hoje em dia ninguém liga grande coisa a Os Lusíadas, uma epopeia politicamente incorreta, um dos mais notáveis poemas épicos da humanidade. Resta «o 10 de Junho» propriamente dito, que a imprensa aguarda, esfregando as mãos – porque tem discursos, e os discursos são o alimento da pátria. Aguardam-se, assim, o discurso do Presidente e, com igual euforia, os comentários, que já estão preparados antes do discurso, salvo erro. A isto se há de resumir o programa do dia. Felizmente restam-nos os portugueses que estão pelo mundo fora. Esses sim, festejam o Dia de Portugal.
[Da coluna do Correio da Manhã.]
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.