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O papa mostrou-se chocado com o acidente que, no Bangladesh, vitimou mais de 400 pessoas que trabalhavam em improvisadas “fábricas têxteis”. Escravos na sua própria terra, as vítimas mereciam este e outros avisos, mais do que a lengalenga sobre norte-sul e ocidente-oriente. Nesses países, o trabalho escravo é a rendição de milhões de famílias. Explica-se. Na década de oitenta, o ocidente descobriu a “terceira vaga”, as novas tecnologias, o trabalho limpo, a indústria dos serviços. Para dar de comer ao mundo civilizado e cheio de iPhones, haveria sempre continentes pobres e escravizados e gente modesta a produzir alimentos e vestuário. Só isso explica, por exemplo, que uma vaca francesa obtenha, num ano, mais apoios da UE do que, em toda a sua vida, um agricultor da América Latina. Esta barbárie é pública e pouco estudada. Estão a ver por que é que a Europa perde em todos os tabuleiros?
[Da coluna do Correio da Manhã.]
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