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Nicolau Tolentino.

por FJV, em 23.06.11

 

Nicolau Tolentino de Almeida (1740-1811) morreu há duzentos anos, cumpridos hoje. Há uns anos, salvo erro, qualquer aluno do ensino secundário sabia de quem se tratava – todas as coletâneas (“seletas”, como então se denominavam) incluíam um célebre soneto (“Chaves na mão, melena desgrenhada”) em que, de dentro de um toucado, surgia um colchão desaparecido (“Eis senão quando [caso nunca visto!]/ Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!”) Nós ríamos bastante e tínhamos razões para isso: Nicolau Tolentino era um boémio setecentista com gosto afinado para a sátira e para o exagero. Professor primeiro (de retórica), oficial de secretaria depois, a sua poesia nunca ultrapassou aquele nível de curiosidade risível e clássica. Mas era bom relê-lo para ter algumas surpresas.

[Na coluna do Correio da Manhã]

 

 

Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.

 

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
– «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...»

 

– «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,

 

Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...

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25 comentários

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De henedina a 05.11.2011 às 14:10

Vá. Escreva, as vezes. Não escreve com Secretário de Estado mas como fjv.
Como SE
As vezes, digo "olha o que não percebeste? Tipo queres que faça um desenho?". Pensei que era só eu que dizia assim, gostei " O que ainda não percebeu "Não há dinheiro"
Como fjv
Tem direito a descomprimir, se o blogue foi lugar narcísico em que se promoveu mantenha o silêncio; se for escape mental para se manter lúcido, escreva.
(sou uma provocadora, ainda não - tinha percebido -percebeu?)

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