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Spin de Verão.

por FJV, em 10.06.11

Ontem, o Sol avançava com a notícia de que o ex-primeiro-ministro poderia ocupar os próximos anos a trabalhar para a área dos pretróleos e cimentos brasileiros; o gabinete do PM desmentiu com uma linha, e não era obrigado a mais. Hoje, o Expresso anuncia um ano sabático «dedicado à filosofia» em Paris; o ex-primeiro-ministro diz que se trata de assunto da sua vida privada e que «não há nenhum interesse público nisso», relembrando que «os jornalistas deveriam concentrar-se no jornalismo e não na mexeriquice». De facto; um ano de filosofia não é suficiente para falarmos de vida académica.

 

P.S. - Pessoalmente, não acho de somenos importância «o que vai fazer nos próximos tempos» um Presidente ou um Primeiro-Ministro e tenho dúvidas de que se trate de matéria exclusivamente privada. Nos EUA, os presidentes anunciam os planos para «os próximos tempos» (gerir uma fundação com o seu nome, dedicar-se ao ensino e ao circuito de conferências, por exemplo, mas nunca aos negócios), tal como no Brasil se discutiram os mesmos planos de FHC e de Lula – FHC partiu para a vida académica (aulas em Providence, conferências, arrumar os papéis da sua fundação) e Lula para «ganhar dinheiro durante um ano» e «depois voltar».

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6 comentários

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De coelho da rocha a 10.06.2011 às 14:55

compreendo bem demais a sua ironia (que não lhe fica, vá, demasiadamente bem, vá, não é lá muito elegante), mas, de facto, José Sócrates não se referiu a "vida académica", mas sim a "vida privada".
e não é que JS tem razão?: os jornalistas deviam concentrar-se em jornalismo e não em mexericos - mas este é um apelo que todos sabemos não ter eco nos jornalistas, embora todos saibamos que é isso que queremos dos jornalistas.
e também não me parece que os EUA sejam exemplo (nem bom nem mau) neste capítulo (e muito menos o Brasil). Pois, parece-me que o que JS vai fazer no plano da sua vida privada é do domínio da vida privada. Temos outros exemplos de ex-governantes que foram cooptados pelas empresas, ou mesmo pelas universidades (há até umas privadas que gostam de ter ex-governantes como professores - e eu até sei de alguns que, aí sim, academicamente são zero mas dão jeito à estratégia comercial). Podemos pensar em nomes que fizeram correr muita tinta. Podemos. Podemos. Em todas as áreas.
até agora a imprensa anda a atirar barro à parede - os dois semanários parece andarem em competição no disparate.
já era altura de deixarem o homem em paz - a menos que receiem o momento em que a roda começar a rodar ao contrário.
e depois, quanto à substância da notícia: o que significa "ir para Paris um ano estudar filosofia?"
Todos sabemos que "estudar filosofia" pode ser muitas coisas - pode ser ir para Paris ler uns livros, assistir a umas conferências e falar com uns filósofos -, mas se for para fazer, por exemplo, uma licenciatura isso implica vários requisitos e mais de um ano; se for para fazer um mestrado ou um doutoramento, implica vários requisitos e mais de um ano.
E quando começa esse ano? Se for um ano académico começa lá para Setembro e implica inscrições e tal. Se for um ano livre, começa quando o próprio quiser.
e, no fundo, no fundo, estamos aqui a falar de quê? de uma notícia (?) que o expresso atirou como barro à parede a ver se cola. Foi confirmada?
faz-me impressão esta demasiada pessoalização da política. Tacticamente serviu o desígnio do PSD. Mas, e depois? Passa a ser válido para todos, para toda a luta política?
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De FJV a 10.06.2011 às 15:45

Caro Coelho da Rocha: está a ver onde quer chegar o «Spin de Verão»? Precisamente: «estudar filosofia» pode querer dizer muitas coisas. Mas o que quer dizer, exactamente, naquele lugar da primeira página do Expresso?
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De coelho da rocha a 10.06.2011 às 16:09

Spin de Verão? Spin de quem?
E porquê filosofia? E por que não engenharia? Ou economia?
Se é spin socrático (será que ainda existe?) parece-me extraordinária a ideia de ir estudar filosofia por um ano em Paris (a ideia é engraçada e surpreendente: como se JS fosse recolher a um convento moderno onde, em vez de recolher a Deus, estuda filosofia) - porquê filosofia e porquê em Paris (há outros locais tão ou mais indicados).
Se é spin laranja ou azul, também me parece ainda mais extraordinária a ideia.
Se é barro à parede atirado pelo Expresso (nada que seja surpreendente), não deixa de ser insólito que tenham escolhido a filosofia (devem ter feito um brainstroming para chegar a esta ideia).
Se for verdade (ou se houver uma ponta de verdade na "notícia"), aí sim, passa a ser realmente interessante.
Mas é uma decisão privada, sem nenhum interesse público.

Ah... pois... mas é preciso ter a certeza de que ele (o inominável) vai mesmo afastar-se... pois pois
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De Inês Pedrosa a 11.06.2011 às 14:12

Francisco, aquele lugar na primeira página no Expresso quer dizer o costume. Esse título até pode ser tão verdadeiro como a manchete do Expresso do passado dia 5 de Fevereiro: «FMI já não vem».
E por favor, larga lá o Sócrates. Já foi derrotado, não foi? Abandonou todos os cargos políticos - o que é que queres mais? Daqui para a frente tem direito a viver a vida dele, como qualquer cidadão.
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De Draguinho a 11.06.2011 às 21:51

EX-primeiro ministro?
Tanto quanto julgo saber o PC ainda não tomou posse. Sendo assim...
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De Pedro a 15.06.2011 às 18:02

...de conferências, por exemplo, mas nunca aos negócios"


hehehe, sabe o FJV quanto ganham os ex-presidentes com as conferências?

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