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Ao fim da noite.

por FJV, em 23.01.11

Louis-Ferdinand Céline.

 

Que Céline é, foi, anti-semita, não é novidade nem devia ser notícia. Trata-se de um grande escritor; das letras francesas não é o meu escritor, evidentemente, mas creio estar entre os dez primeiros de toda a produção literária francesa. Retirá-lo da lista dos autores incluídos nas Célébrations Nationales não constitui nenhuma reparação às vítimas do anti-semitismo, antes as transforma em culpadas involuntárias de um acto censório. Prefiro dizer que ele tinha uma moral de tia velha, coisa que não o diminui como grande escritor que foi. Há coisas que nos deviam ocupar. Há outras que não deviam incomodar-nos.

 

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7 comentários

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De torcato a 23.01.2011 às 15:57

Caríssimo, concordo. E Ezra Pound ...
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De fernando antolin a 23.01.2011 às 17:24

mas ainda bem que comemoram os que rejubilaram com as "libertações" cambodjanas ou os paraísos castristas.

Ainda bem que aqui os nossos vizinhos do lado e meus semi-compatriotas não se importam de continuar a celebrar(por enquanto...) escritores como Cela e Pla, franquistas assumidos(como tanto catalão e basco...) e continuam a colocar Miguel Delibes entre os maiores escritores contemporâneos, ele que aos 17 anos (nascido em 1920) se alistou na marinha nacionalista.
Não deixou de ser,por isso, e nas palavras de Ballester, um dos dois maiores escritores contemporâneos espanhóis.(Ballester citava precisamente Cela e Delibes).

Confesso-me faccioso, Miguel Delibes é o meu favorito, terei todos os seus livros,laboriosamente comprados em Espanha e no idioma original, que cá pelas nossas bandas é um ilustre desconhecido...
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De Adolfo Contreiras a 23.01.2011 às 19:02

Viva, afinal o " as Origens da Espécie" sentiu a necessidade democrática de voltar ao diálogo com os leitores. Fico contente com tal retorno à tertúlia bloguista.
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De E SER ANTI-SEMITA É? a 23.01.2011 às 20:43

ressabiada screbida hai cientos d'anhos
i de scritores hai muito afamados, Niet?

Filhos de SHem e filhos de Ham
seres imaginários é como ser filho de Zeus

ora o tal de semita-hamita é louro?

o escritor teria um ressabiamento contra uma agremiação religiosa

podia ser anti-mórmon que ninguém se ralava
são ricos poderosos e ligeiramente esquisitos mas são americanos

agora há grémios com que não se pode ser antipático

podem ser fechados como a máfia

ou casar-se dentro do grupo excluindo os bárbaros ou os גוי‎, goy גוים ou גוייםos gadjos o gadjo
aqueles que não são como nós

os impuros os sem-casta
claro que grupos destes atraem sempre simpatias

é como os mirandeses lhénguas ténen proua
soys estranhos no falar
os de Alcains são cães os de Miranda nem cães sã...

outras gentes hai que nun puoden tener proua de nada desso, cumo ye l causo de la lhéngua hebrea
hablada hoy pur blonde people...

O dono deste Blog optou por gravar
O GESTAPISMO e o gestaltismo andam in todo o lado
basta dar-lhe motivos
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De henedina a 23.01.2011 às 22:20

Isso e a nova edição de Huckleberry Finn . Ridículo.
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De Pedro a 24.01.2011 às 10:59

Caro FJV, a única coisa que aqui não tem grande importância é o tal "Célebrations Nationales" . De resto, sempre me pareceu que para a maior parte dos judeus (pelo menos estes…) tem mais relevo o facto de ele ser anti-semita do que o ser escritor. Nem sei como é que conseguiriam isolar quimicamente as duas dimensões, dando preferência, ainda para mais, à dimensão puramente literária. O próprio Celine acharia estranho que se desse uma importância tão desmesurada ao facto de escrever bem, em relação ao que diz, ele que foi tão intenso nisso mesmo. Assim como sempre me pareceram curiosas aquelas apreciações da Riefensthal, do tipo “olhem que movimento de câmara tão espantoso e que corpos tão bem retratados”.
Quanto à censura, não há esse perigo em França, país que nunca teve grandes tradições nesse campo, ao contrário dos países anglo-saxónicos, sempre mais atentos à decência, primeiro, e ao politicamente correcto, ultimamente. Mais depressa seria o Céline proibido em Inglaterra ou nos Estados Unidos do que em França.
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De nunes.luisf@gmail.com a 28.01.2011 às 02:06

Caro Pedro, se a França é um país que nunca teve grande tradição com a censura, como explica o facto de três obras - ou panfletos, se preferir - de Céline terem sido censurados consecutivamente?

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