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Se não agora, quando?

por FJV, em 12.10.10

«A pergunta é esta: quando deve Passos Coelho aceder aos berros pungentes da pátria? Resposta: no último minuto.»

Tem razão Luís M. Jorge. Só no último minuto — ou então . A histeria em torno da aprovação do Orçamento (quem nunca leu nenhum, faça favor) e a exigência de «responsabilidade» ao líder da oposição (a «responsabilidade» transformou-se numa espécie de aspirina, cabe bem em todos os discursos e em todos os posts) é uma «constante moral» e tem uma grande eficácia política para quem acha que é preciso política com «recorte literário» ou que um pantomineiro tem sempre razão desde que discurse como um salteador. À direita, Passos Coelho era irresponsável quando, nos idos de Maio, aceitou negociar medidas urgentes que o governo teve de adoptar depois de ser obrigado a isso em Bruxelas. À esquerda, tornou-se irresponsável quando, depois de ter negociado essas medidas, exigiu que o governo fosse mais competente em matéria orçamental e aceitasse algumas condições de princípio (contenção da despesa, cortes na administração, não aumento de impostos), antes de negociar o orçamento. Mas Sócrates aprendeu depressa e é esperto: antes das condições serem discutidas (teve alguma razão: não há tempo para prolegómenos teóricos), anunciou que já havia negociações sobre o Orçamento. Ou seja: tenho-te na mão, Coelho amigo. A questão é dupla: 1) eu acho que o Orçamento até pode ser aprovado com a abstenção do PSD; mas era bom que se exigisse responsabilidade a Sócrates, que tem sido o grande irresponsável e por isso deve ser vigiado ao milímetro; 2) um Orçamento discute-se desde que exista, suponho eu; linhas gerais é matéria com interesse, mas o gozo está nas minudências (o que vão fazer as Obras Públicas, como se vai gastar o dinheiro da Parque Escolar, onde entra a máquina da administração, onde estão os fundos para o TGV); portanto, para o povo (peço perdão, é sem ofensa) que pede aprovação sem condições do Orçamento, não interessa o que está lá escrito, pois não?

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