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Joan Sutherland (1926-2010), ‘La Stupenda’, a grande soprano australiana, morreu ontem. De alguma maneira, coube-lhe recuperar algumas das grandes «óperas italianas» para o século XX, mas a sua voz (recordo-a como D. Anna em D. Giovanni, ou em Lucia di Lammermoor) brilhava para lá da fixação num estilo ou numa herança do bel canto. Tenho uma memória infiel das suas interpretações, mas guardo a voz em discos que relembram a magia das primeiras óperas ou das primeiras peças líricas escutadas na minha adolescência, que não viveu só de rock (longe disso) e pretendia alguma elevação. Uma voz como a de Sutherland aproximava-se disso – de uma dependência do sublime, que tantas vezes falta à vida e só se encontra numa partitura a que alguém empresta génio e timbre.
[Na coluna do Correio da Manhã]
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