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Não é uma grande tirada.

por FJV, em 06.09.10

Cavaco apelou à «coesão e união de esforços», pedindo aos portugueses que «ponham de lado as divisões». Se fosse isto, assim, a seco, eu concordaria com as várias posições entretanto manifestadas – e com inteira razão. Não há nada pior do que uma boa alma pedindo união nacional, patriotismo a rodos, penitência & purgatório enrolados na bandeira, saudações à boa vizinhança das hortas, enfim, o rol de coisas tão estimáveis pelos medíocres de todas as tendências. Fui ver a notícia, reproduzida com base num despacho da Lusa. Ora, parece que Cavaco falava nos «50 anos das Operações Especiais e os 171 anos de presença militar ininterrupta em Lamego» (o meu calvário que não chegou a sê-lo por inteiro); em 2576 caracteres, a Lusa despachou o assunto militar, mais uma visitas a bombeiros e «centros escolares» (uma designação apoteótica, «centros escolares», uma espécie de «parque empresarial» destinado a salsicharia); e em 358 caracteres, a abrir, por causa da irrelevância, lá mencionou a necessidade de união, mãos dadas, todos cantando e rindo, seja o que for. Não é uma grande tirada, não; mas daí até à capitulação vai uma grande distância.

Esse é um problema — se se trata da aprovação do Orçamento de Estado, a conversa é diferente. Mas não era disso que estavam a falar, pois não?

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