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Nanny state.

por FJV, em 30.08.10

Eu, por acaso, tenho dúvidas. Há, evidentemente, um aspecto importante: o da intromissão do Estado na esfera da vida familiar, retirando as crianças à «tutela» dos pais, uma medida extrema que os pedagogos do Estado gostam sempre de exibir para anunciar o seu poder e o seu alto discernimento. Acontece que essa «tutela» é exercida sobre crianças, que não são parte igual numa relação familar. Ao verificar-se uma situação de maus tratos, as autoridades têm o dever de intervir; o fomento da obesidade pode ser considerado mau trato. Os modernos pedagogos do Estado apreciam muito matérias como educação alimentar ou sexual – mas gostava de vê-los actuar em situações de fome real, violência e abandono. Basta, para isso, ir às escolas nos arredores de Lisboa e Porto, onde é fácil fazer o recenseamento de crianças sem pequeno-almoço e almoço, ou com pais que não existem, pura e simplesmente (vestem a mesma roupa ao longo da semana, não fazem os trabalhos de casa, estão doentes sem saber, ou estão doentes mas não são tratados, por ignorância ou desleixo familiar). A obesidade assusta; é feia; é uma doença social; esteticamente pode ser repulsiva. Parte do trabalho podia, em muitos casos, ser feito na escola (mais uma tarefa dos professores — alguns já a cumprem sem serem «enquadrados» pelas autoridades). Mas há aqui outro problema, o da licença de uso e porte de criança e o da adolescentização progressiva de alguns pais. Tenho dúvidas sobre isso.

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