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Alá, Deus, Javeh.

por FJV, em 29.08.10

Agnósticos, ou indiferentes, que eu conheço e que escrevem nos jornais — refiro-me a pessoas que se podem citar numa discussão, num debate —, têm cuidado com o que dizem. Alguns com tom de respeito. Não é coisa tão criticável, esse respeito, porque se trata de religião, uma nuvem que paira sobre os dicionários, o léxico, a gramática, os usos de linguagem. Não criticar a religião, criticar o que se faz em seu nome — é o mandamento número um. Assim, «ninguém» pode criticar o Islão, mas «o que se faz em seu nome», como se «o que se faz em seu nome» não tivesse a ver com o Islão. Admito que há um certo bom-senso na escolha, porque o problema, mesmo, é a confusão entre religião e política. O Islão e a política dão-se mal. Também se dão mal o cristianismo e o judaísmo, apesar de tudo, não fosse a possibilidade do laicismo. Um regime comandado pelos ortodoxos de Mea-Shearim, mesmo que tenha os Neturei Karta como um agrupamento folclórico, só se recomendava a certas pessoas e, mesmo essas, nem as que dançam em êxtase em nome de Baal Shem Tov. O messianismo republicano dos EUA não faz bem à saúde e o catolicismo irlandês tanto serve A Filha de Ryan e os bandoleiros do noroeste, como os loucos que encontraram a redenção depois do pecado (os piores). Quanto mais longe da urna de voto, melhor. A religião devia ser uma diáspora permanente (tefutzah). Talvez assim se tratassem fenómenos aparentemente religiosos como homicídio, tortura, violação, crueldade — e não houvesse desculpas. Por exemplo, a lapidação é a lapidação — não tem a ver com nenhuma tradição (religiosa) aceitável.

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