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Interrupção. Ruy Duarte de Carvalho, 1941-2010.

por FJV, em 13.08.10

Foi o José Eduardo Agualusa que mo apresentou há anos – a ele e aos seus livros, de que naturalmente elejo Vou Lá Visitar Pastores, Os Papéis do Inglês e a poesia reunida em Lavra. Depois, entrevistei-o – uma hora de tv no defunto Ler para Crer. Retive uma imagem: a do homem do deserto, cruzando a solidão do Namibe (Moçâmedes), falando com solitários, albergando-se em acampamentos de mucubais. Mais tarde servi-me de duas ou três imagens dos seus livros, para livros meus. De vez em quando, assistia a diálogos curtos entre Ruy Duarte de Carvalho e José Eduardo, de Angola para o Brasil, de Angola para Portugal. A sua seriedade absoluta intimidava, era feita daquele raríssimo orvalho que alimentava a Welwitschia mirabilis, a planta do deserto. A sua morte colhe-nos em pleno Verão sem tempo para homenagens que não sejam a de procurar os seus livros na estante.


Há uma palavra a dizer ainda: a André Jorge, o editor da Cotovia. A Cotovia publicou os seus livros com uma notável fé, apoiando o seu autor, nunca lhe negando espaço no catálogo. Devemos a André Jorge, editor e amigo pessoal de Ruy Duarte de Carvalho o conhecimento de uma figura fascinante da nossa língua e da nossa memória de África.

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