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Management (e neo-frugalismo, claro).

por FJV, em 05.05.10

Management. Detesto a palavra, mas existe na «linguagem das empresas» — não está apenas relacionada com gestão corrente, com objectivos económicos imediatos, com produção corrente. Tem a ver, também, com o futuro e a prospecção a longo prazo. Estratégia.

Vejamos isto: o PCP propõe-se apoiar o TGV no Parlamento se estiverem reunidas três condições: que garanta a «defesa e modernização da nossa linha ferroviária nacional, que o investimento seja público e que haja incorporação da produção nacional nesse projecto». Sobre o terceiro ponto, há estudos (flutuantes e pouco credíveis, em meu entender) que apontam para 80%; o investimento público é evidente; que o investimento no TGV seja a garantia de um mapa ferroviário decente (é o que pede o Bloco, por exemplo), já tenho muito mais dúvidas — basta ver como a ferrovia tem sido continuamente delapidada em Portugal, e não apenas nos ramais históricos. Delapidar a ferrovia significa não modernizar nem fazer manutenção da existente, aumentar a prestação de maus serviços da CP para afastar público (coisa garantida, basta ver como as estações são miseráveis, feias e sujas — a começar pela Gare do Oriente e a acabar no abandono de Santa Apolónia, estação que devia ser uma jóia da coroa e nunca colocada em questão a sua utilização, como faz a Câmara de Lisboa; aliás, as estações principais deviam, mesmo, ser a do Rossio em Lisboa e a de São Bento no Porto). Evidentemente que a promoção da ferrovia é um factor de desenvolvimento, de correcção ambiental e de sensatez.

Simplesmente, ao mesmo tempo, programam-se investimentos fortes nas auto-estradas. Basicamente, em  2008 o governo planeava que a rede nacional de auto-estradas crescesse 50% até ao ano 2012. Em Setembro de 2009 passaram a existir duas auto-estradas Lisboa-Porto-Lisboa e o ministro Mário Lino chegou a anunciar uma terceira, independentemente das concessões que continuam em aberto e que nem a crise económica ajudou a cortar nem a crise demográfica ajuda a repensar. Alguém de bom-senso acha que os argumentos (correctos, vale a pena dizer) do PCP e do Bloco sobre a ferrovia nacional são para respeitar, quando se prevê este crescimento do asfalto — que não é apenas do asfalto, mas da indústria automóvel, da camionagem, e da desertificação? Isto, ao mesmo tempo que se continua a planear o novo aeroporto de Lisboa em tempos de diminuição drástica do tráfego aéreo (situação que se prevê contínua até para lá do final da década).

Management. O que as empresas fazem, devia ser feito para o país que corre para a frente sem pensar.

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