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Discute-se muito, hoje, a questão “do carácter” dos políticos – mas muito em surdina, porque parece que é vergonhoso perguntar por ele, cada vez mais raro. Contra a questão “do carácter”, levanta-se “o debate de ideias”, aspeto que também merece dúvidas, uma vez que as poucas que circulam são de origem e efeitos duvidosos. No meio da discussão sobre uma coisa e outra, ou nenhuma delas, fica a questão de manter ou de conquistar o poder. Basta ler “Portugal Contemporâneo”, de Oliveira Martins, para perceber como esta intrujice é velha de dois ou mais séculos. Mentira, corrupção, falências e rabos de palha: é isto a política portuguesa no início do século. A linguagem é a mesma de há anos, empertigada, sonsa e vazia. Não é final de ano; é final de regime. A vida segue.
[Na coluna do Correio da Manhã]
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