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Espiões, coitados.

por FJV, em 25.08.09

Voltei a ler os livros mais antigos de John Le Carré – tenho enorme simpatia por Smiley ou Magnus Pym, e uma certa curiosidade pela vida discreta dos funcionários dos serviços secretos. Ontem, o CM anunciava que a administração pública ia ter agentes infiltrados (e com falsa identidade) oriundos do SIS e do SIED; não é uma prática comum nas democracias, mas é praticada quando a administração pública é fraca e não tem grande autoridade. O que não é comum é estarem todos os serviços secretos na dependência do primeiro-ministro. Como as coisas estão em Portugal, “o governo” confunde-se muito com “o partido do governo”; é, pois, natural que se desconfie da bondade da nossa espionagem ou, pelo menos, da sua independência. A menos que queiram, apenas, espiar-se uns aos outros.

[Na coluna do Correio da Manhã]

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