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Os portugueses portuguesam.

por FJV, em 19.10.20

A doutrina oficial diz que “os portugueses” são responsáveis por um eventual desastre: ou porque não usam a máscara ou “a aplicação”, ou porque vão trabalhar e não ficam a fazer ioga no Facebook (porque têm de trabalhar), ou porque não se persignam de cada vez que têm pensamentos anti-patrióticos (para isto, basta que duvidem da DGS, que diz coisas diferentes de semana para semana). Ora, os portugueses – se ser português fosse um verbo intransitivo – portuguesam: trabalham, usam máscara, cuidam da vida e duvidam (até porque, como o CM provou, 1,7 milhões não têm telefone capaz de instalar “a aplicação” que o SNS não pôs a funcionar). Duvidam porque têm juízo. Se acreditassem em tudo, já tinham ensandecido ainda mais. Já foram condenados a ficar em casa, já foram incentivados a partilhar bolas de Berlim na praia, já foram bafejados pelo “milagre português” e, chegados a outubro, verificam que desde maio os lares de idosos ainda não foram vistoriados e protegidos, que os hospitais não estão preparados para o inverno – e que, afinal, a culpa é deles, pobres portugueses que portuguesam.

Da coluna diária do CM.

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O milagre português.

por FJV, em 16.10.20

O “milagre português”, comandado pelas autoridades, festejado pelo Presidente, elogiado pelos comentadores, embevecidos e na respetiva posição, tinha derrotado a Covid – mas foi extemporâneo, como se calculava. Para os que acharam estranho que o primeiro-ministro tenha caído na esparrela da “aplicação obrigatória”, o próprio António Costa teve o cuidado de explicar: não se trata de uma obrigatoriedade, produto de autoritarismo, a menos que as pessoas – naturalmente –  a usem de livre vontade. Isto percebe-se, mesmo sendo absurdo: é apenas um interessante momento de humor que se dilui no meio da desorientação; aliás, é pura política – não cabe na cabeça de ninguém que uma lei tão estapafúrdia tivesse sido encaminhada para o parlamento para ser aprovada nestas condições. Caso a lei (a da app de porte obrigatório) fosse aprovada, estaríamos no domínio do cómico e do trágico, consoante a disposição e a presença de uma autoridade policial. Por isso, é pura política – para “abanar a sociedade”, que, ligeiramente hipocondríaca, julgava que podia acreditar no milagre português.

Da coluna diária do CM.

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O senhor engenheiro Álvaro de Campos.

por FJV, em 14.10.20

As cidades agradecidas ficam-me no coração e Tavira é um caso maravilhoso, porque possui uma Biblioteca Municipal Álvaro de Campos. A biografia Álvaro de Campos, primo por afinidade de Ricardo Reis, Bernardo Soares ou Alberto Caeiro, está reduzida a duas coisas – àquilo que sobre ele decidiu o seu criador, Fernando Pessoa, que o fez nascer em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 (à uma e meia da tarde), e aos poemas que largamente escreveu, como o maravilhoso “Tabacaria”, “Opiário”, “Ode Triunfal”, “Ode Marítima”, “Saudação a Walt Withman”, “Passagem das Horas”, o célebre “Todas as Cartas de Amor são Ridículas” ou “Ao volante do Chevrolet pela Estrada de Sintra”. Estudou engenharia naval em Glasgow, e trabalhou em Londres e Newcastle antes de se fixar, desamparado, em Lisboa, no ano de 1926. É aquele heterónimo que mais me faz duvidar da existência de Fernando Pessoa, de tal modo é forte a sua voz, independente a sua poesia, tempestuosa a sua vida. Amanhã, porque passarão 130 anos sobre o seu nascimento na cidade algarvia, talvez pudéssemos parar por instantes e ler um dos seus poemas.

Da coluna diária do CM.

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O BE.

por FJV, em 13.10.20

Não interessa se é “jogada política”, ameaça velada, ‘bluff’, distração ou simples azedume – a exigência, pelo Bloco de Esquerda, de um compromisso escrito por parte do governo a propósito das negociações do Orçamento de Estado, é um acontecimento político. Vamos e venhamos, o BE aprovou até agora cinco orçamentos que passou o resto do ano a criticar – mas, feitas as contas, é um dos partidos da geringonça e faz parte do equilíbrio em que assenta a estabilidade desta maioria informal. Como se percebia, em nome da necessidade de um acordo à esquerda, António Costa meteu o BE no bolso. Nada de chocante: o BE aprovava os orçamentos e criticava-os. Namorava e fugia. Sorria e bufava. Estava e não estava. O BE era parte da solução, mas a outra parte não andava com o BE de braço dado. Até que chegámos a este ponto – querem acordo?, pois ponham isso por escrito. Claro que vai haver solução para o Orçamento, mas a exigência de um papelinho é uma exigência brutal que fica para a história da política. O BE deixa de ser a “parte casadoira”, para passar a ser uma coisa madura e matrona.

Da coluna diária do CM.

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Adeus à sardinha.

por FJV, em 12.10.20

A notícia apanhou-me desprevenido e com pouco tempo pela frente: desde sábado passado que está interdita a pesca da sardinha. Portanto, parte do fim de semana foi ocupado com uma investigação patriótica em busca das derradeiras sardinhas frescas do ano, recolhidas nos últimos dias e transportando ainda o derradeiro odor de verão. Não o doce perfume do bronzeador, não o do outubro tépido que ainda faz recordar a passagem das coisas – mas o da sardinha, nem sempre agradável, ligado à mesa do verão. O despacho do Diário da República não transmite esta tristeza; é frio como uma lâmina: já atingimos a quota atribuída; a partir de agora nada de sardinha. É pena. A ocasião devia ser solene e grave, com as altas autoridades da nação anunciando que uma parte das nossas vidas se interrompeu. Todos os anos aguardamos pela temporada em que a sardinha é tão gulosa como o nosso apetite; e de repente, com um decreto, anunciam-se meses de penúria. Por isso, quando ontem separei a derradeira espinha da derradeira sardinha, despedi-me por longos meses, cheio de melancolia no cartão de cidadão.

Da coluna diária do CM.

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Os poetas do Nobel.

por FJV, em 09.10.20

©Getty.

Os poetas não são populares – é a sua sina, e compreende-se. Mas há muitos poetas na lista do Nobel, do sueco Tomas Tranströmer ao irlandês Seamus Heaney, passando pela polaca Wislawa Szymborska, por Derek Walcott ou Joseph Brodsky, Seifert ou Odisseas Elytis, Eugenio Montale ou W.B. Yeats, T.S. Eliot ou Gabriela Mistral, Salvatore Quasimodo e Saint-John Perse ou Vicente Aleixandre. Os que lamentam a escolha da americana Louise Glück por não ser “conhecida” só têm um remédio – ir procurar saber quem é, como muita gente teve de fazer quando o prémio foi parar às mãos de Claude Simon, Mo Yan ou Kenzaburo Oe (que são autores magníficos). A verdade é que, ao arrepio das imposições das temdências, a Academia escolheu uma poetisa que não simboliza nada mais do que a sua poesia. Por mim, o prémio iria para alguém como Claudio Magris, Yan Lianke, Can Xue, Yoko Ogawa ou Maryse Condé – mas a poesia de Glück, sem causas políticas nem gritaria, representa-nos enquanto seres condenados à amargura e ao riso mal disfarçado, combatendo a morte, observando o mundo pela lente do humano.

Da coluna diária do CM.

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O Nobel de antigamente era melhor?

por FJV, em 08.10.20

Houve um tempo em que o Nobel da Literatura era anunciado depois de uma disputa em segredo entre os membros da Academia Sueca. Bons tempos, mesmo se as escolhas eram criticáveis (como são sempre) e injustas (como acabam por ser). Hoje é – diz-se – uma querela mais democrática e chega a haver “finalistas”, um conceito popular e muito em voga, depois de os negócios e desventuras sexuais de alguns dos poderosos da Academia terem interrompido a atribuição durante dois anos. Apesar de nunca ter sido atribuído a grandes nomes como Jorge Luis Borges ou Philip Roth (que já morreram), o Nobel tinha uma aura de eternidade, era uma recompensa por anos e anos de trabalho, muitas vezes em silêncio ou votada ao desprezo pela ribalta. Esta ideia de que o Nobel da literatura deve ser atribuído de forma a contentar sensibilidade não é nova e tornou-se hoje uma imposição triste e não tem nada a ver com a literatura. Todos os anos (é hoje) aguardamos o seu anúncio, mas a magia, a honra, a surpresa, as apostas no vazio, perderam-se. É apenas um prémio entre outros. Valioso, mas sem a antiga aura.

Da coluna diária do CM.

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Da máquina de devorar as coisas frágeis.

por FJV, em 07.10.20

A Gucci lançou um vestido para homens – vi a peça na imprensa (custa 2 mil euros, que a Gucci é de luxos), e ficava bem à minha tia. Admito que fique bem a homens, ‘trans’ ou não. Mas a marca italiana apresenta bem a coisa: quer combater “os estereótipos de género” (especialmente os da “masculinidade tóxica”) e a marginalização das “pessoas trans”. O que me fascina é a forma cada vez mais rápida como o mercado e o capitalismo devoram a linguagem dos que o combatem e das “vanguardas” que andam no bailarico, reunindo tolinhos embevecidos. O capitalismo tanto ganha milhões a vender camisolas estampadas do dr. Guevara (em fundo vermelhusco) como luta contra a “masculinidade tóxica“ e inventa produtos “sustentáveis” que multiplicam os seus lucros, ao mesmo tempo que “luta contra as emissões de carbono” e disponibiliza um bravo mercado para os vegetarianos radicais que – ah! – lutam contra o capitalismo, esse malandro que ganha rios de dinheiros a vender papel para imprimir o Manifesto Comunista, essa velharia que um dia há de aparecer debaixo do braço de um modelo num desfile de moda.

Da coluna diária do CM.

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Arte bem comportada & ao serviço do bem.

por FJV, em 06.10.20

Aqui e ali, pelo que vejo, há vários programas para artes ou literatura “sustentáveis” e ao serviço das grandes causas do mundo de hoje. Escritores e pintores, músicos e performers anunciam “obras de arte” dedicadas a alertar-nos para a necessidade de salvar o mundo com a “adoção de novos comportamentos”, prestando mais atenção ao ambiente e à natureza, ao tofu e à beringela biológica, ao “empoderamento” feminil, aos recursos naturais e à proximidade com os nossos semelhantes, contra o extremismo ou os materiais corrosivos. Podiam ser estes temas ou outros. Antes, poetas escreviam, músicos compunham, pintores pintavam – e não estavam à espera de receber indicações (quer de Estaline, de Mao ou Salazar, de Mussolini ou do Mahatma Ghandi, do mestre-escola ou da Secretaria de Estado do Abastecimento e Preços) sobre os temas a tratar. Hoje, os artistas, resignados à sua função benfazeja, colocam-se “ao serviço do bem” e produzem coisas que vão bem numa sala de tias austeras, mestres de moral e pessoas chatas. Shakespeare, Caravaggio ou Eça tiveram sorte em viver antigamente. 

Da coluna diária do CM.

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A República.

por FJV, em 05.10.20

É provável que hoje aconteçam algumas homenagens em memória dos heróis da República, uma galeria de gente que inclui nomes respeitáveis tanto como personagens abjetas. Dela, infelizmente, parece termos herdado alguns dos piores tiques: a corrupção endémica e alargada (que agora parece ter cobertura legislativa e indiferença de todos), o gosto pela pequena malandragem da política e pelos caciques enfatuados, uma tendência insuspeita para a má administração dos dinheiros públicos, a desculpa aos que abusam da autoridade e organizam a máfia da “influência”, ou a pompa provinciana disfarçada de “modernidade”. Houve grandes personagens, é claro, mas sobretudo polemistas notáveis e gente que protestava contra os vários abusos e as manigâncias dos proprietários do regime. O “espírito do 5 de Outubro” foi substituído pelo “espírito do 25 de Abril”, com o salazarismo de permeio, mas as famílias políticas, com poucas exceções, são as mesmas – sobreviveram à República de 1910, que pôs fim a um regime falido, como sobreviveram ao 28 de Maio e ao 25 de Abril. Mas os tiques são os mesmos.

Da coluna diária do CM.

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O verdadeiro marxismo.

por FJV, em 02.10.20

Ontem falámos da morte de Quino. Não podia deixar de ser – o humor de Mafalda dominou a nossa adolescência com a sua mancha de riso e ardil. Hoje recordo-vos que passam 130 anos sobre o nascimento de Groucho Marx, um homem que tanto nos ajudou a rir sem grande esforço. Recordo-lhes quatro filmes, apenas quatro – Uma Noite na Ópera, Um Dia nas Corridas, Os Irmãos Marx na Universidade e Uma Noite em Casablanca – para que o riso tenha um nome e o sentido de humor um rosto trapalhão e cordial (mas igualmente letal). Groucho Marx e os Irmãos Marx (além dele, Chico, Harpo, Zeppo e Gummo) foram os pais do nosso “pensamento verdadeiramente marxista” – não o velho Karl Marx, que era falho de riso. O seu humor é hoje infantil para nós, tal como grande parte da comédia americana desses anos, mas não sei como vos hei-de explicar que os seus óculos, o seu bigode, as sobrancelhas, o charuto, a voz ligeiramente carregada de resfriado me fazem feliz. É certo que ele disse que “nunca faria parte de um clube que o aceitasse como sócio” – mas Deus insistiu tanto que ele aceitou ir fazer piadas aos anjos. Como resultado, o céu está um pandemónio.

Da coluna diária do CM.

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O Quino.

por FJV, em 01.10.20

Morreu o Quino. Não Quino – mas “o Quino”, “o Quino da Mafalda”, nosso companheiro de adolescência, com quem rimos, com quem nos indignámos e enfurecemos, com quem voltámos a rir através da Mafalda, do Filipe, do Miguelinho, do Manelinho, da Susaninha, do irmão Gui, dos pais surpreendidos e tentando dar o seu melhor, do aparelho de televisão e dos jornais, da sopa e dos Beatles ou do farmacêutico que vendia Nervocalm. Todos nós vivemos um pouco através destas personagens – e, uma vez na vida, fomos uma ou outra, e estivemos no lugar “do Quino”, e interpretámos o papel de cada uma delas, e achámos que tinham razão mesmo quando não tinham, e rimos de novo – mesmo quando já éramos adultos e conhecíamos todas as piadas. E mesmo assim ríamos porque Mafalda e os comparsas tinham sido há muito tempo as nossas referências para rir do mundo ou chorar por ele (mesmo quando, agora, mudaram as traduções dos nomes nas versões portuguesas – um erro colossal). Mafalda irritava e consolava, confirmava e surpreendia, era tão inteligente como chata. Éramos nós, assim. Obrigado por tudo, Quino.

Da coluna diária do CM.

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O outro lado do mundo.

por FJV, em 30.09.20

São dois retratos apaixonantes: o do sultão otomano Mehmet II, o Conquistador, por Gentile Bellini, e o de Solimão, o Magnífico (1494-1566), califa e 10.º sultão otomano, por Ticiano. Este último é um prodígio de estranheza – pela luz, cor, pelo volume e até pelo facto de assinalar a aliança franco-turca, outro marco histórico. Neste lado do planisfério sabemos pouco acerca do domínio de Constantinopla sobre o mundo da época, controlando todo o Mediterrâneo, largas porções da Europa e da Ásia – e ignoramos, assim, que passam hoje 500 anos sobre a sua ascensão ao poder depois da morte de Selim I. Sultão aos 26 anos, líder de 25 milhões de súbditos, Solimão distinguia-se dos seus pares europeus: estudara as “artes militares”, mas também teologia e história, astronomia e teologia ou direito. Talvez por isso teve gestos de tolerância com judeus e criou bibliotecas, tanto como mesquitas, hospitais e um sistema legal civil independente da lei do Islão. 500 anos. O mundo não existe só deste lado. Se o conhecêssemos melhor, lidaríamos melhor com as suas perplexidades.

Da coluna diária do CM.

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Um preço elevado.

por FJV, em 29.09.20

Se bem se lembram, um grupo de tolinhos mas também de perigosos psicopatas decidiu iniciar uma campanha contra JK Rowling, a autora da saga Harry Potter, depois de esta ter questionado a definição de mulheres como “pessoas que menstruam”. A ironia mais ou menos surpreendida de JK Rowling custou-lhe caro: foi logo criticada como “transfóbica”, porque as pessoas que fazem “declarações transfóbicas” são “transfóbicas”, mesmo que reconheçam os direitos das “pessoas trans”. Como resultado, criou-se um movimento intitulado RIP JK Rowling e grupos de ativistas dedicaram-se a queimar livros de Rowling que, entretanto, publicou um novo romance policial (com o habitual pseudónimo de Robert Galbraith) em que o assassino é um travesti. Mais lenha para a fogueira, porque isso prova, no entendimento dos tolos, que JK Rowling “é mesmo transfóbica”, ainda que ela declare que se baseou em histórias publicadas na imprensa. Boicotada pelos fascistas da moda, com livros queimados em público (um novo desporto chique), estou à espera do livro de JK Rowling. Não que goste especialmente deles, mas é necessário defender a liberdade.

Da coluna diária do CM.

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Setembro.

por FJV, em 25.09.20

Tradicionalmente, a literatura e o cinema fixaram setembro como o mês da melancolia, com as primeiras chuvas, o primeiro céu nublado, o final do verão, as vagas de humidade que cobrem o entardecer – a meteorologia não nos surpreendeu e obedece à tradição. Mesmo assim, para celebrar este final de setembro, deixo-vos sugestões: para temperamentos rockers, os Green Day têm uma boa canção, “Wake me Up When September Ends”; há o clássico “September Song” cantado por Sinatra (que também interpreta “September of My Years”), antes de passar a Barry White, com “September When I Meet you”, além de (lembram-se?) “September Morn”, de Neil Diamond, “When September Comes”, de Johnny Cash, “Flaiming September”, de Marianne Faithfull, “September”, dos Earth, Wind & Fire, e de “Maybe September”, de Tony Bennett. Para ouvidos treinados também tenho solução: a segunda das “Quatro Últimas Canções”, de Richard Strauss (1864-1949). Setembro não tem fim. Juliette Gréco morreu em setembro – e por isso podemos também ouvir “Autumn Leaves” por causa do trompete de Miles Davis. Era nela que Davis pensava.

Da coluna diária do CM.

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Sem paciência para a resiliência.

por FJV, em 23.09.20

A palavra resiliência, usada a torto e a direito hoje em dia, é uma palavra tola, embora não por culpa própria, coitada. Vem do Latim, no sentido de “recusar”, “saltar para trás”, “ressaltar”; mas, tal como os tolos que leem “áitém” quando veem escrito “item” (que deve ser lido “item”, Latim puro), os nossos políticos e pessoas públicas importaram-na do inglês sem a traduzir. Por isso abusam dela, tal como abusam tolamente da designação “distanciamento social” (muito protestei nesta coluna) que, felizmente, muita gente sensata vai substituindo por “distanciamento físico”. No chamado Plano de Recuperação & Resiliência, não sei se a palavra está bem ou mal aplicada (depende da perversidade e da manigância) – mas sei que o seu uso permanente e obstinado é um luxo de oradores que querem dizer outra coisa qualquer mas acham que “resiliente” e “resiliência” estão na moda, e isso desperta admiração e bons sentimentos nos outros. É, portanto, uma coisa pacóvia. Uma pessoa, qualquer dia, queixa-se de que o bife ou a chuva estão resilientes e já ninguém liga ao que isso quer dizer.

Da coluna diária do CM.

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O Sr. Poirot na Biblioteca Nacional.

por FJV, em 22.09.20

Bela notícia. Na próxima quarta-feira à tarde, decorre na Biblioteca Nacional um programa de conferências dedicado a Agatha Christie, assinalando a passagem do centenário da publicação de O Misterioso Caso de Styles, o seu primeiro romance policial (que viria a sair em Portugal apenas em 1950). É uma efeméride ilustre: em O Misterioso Caso de Styles aparece uma bela trilogia de personagens – além do narrador, capitão Hastings, e do inspetor James Harold Japp, há um curioso investigador belga, Hercule Poirot (que Agatha Christie eliminaria exatos 20 anos depois, em Cai o Pano). Mas o que aparece logo nesse primeiro inquérito de Poirot é a desenvoltura, o génio e o sentido de risco na construção de enredos – é isso que nos irá surpreender em boa parte dos seus romances que correspondem a uma época precisa da literatura policial. Que um centro de estudos anglo-portugueses, especializado em tradução e literatura organize a sessão, está nas suas boas atribuições – mas que o encontro decorra na Biblioteca Nacional é um excelente sinal. Entretanto, folheemos os livros.

Da coluna diária do CM.

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Os Suecos entre nós.

por FJV, em 21.09.20

Deus me livre de comentar “a evolução da pandemia” quando o seu triste caminho está a meio. Se em finais de fevereiro as autoridades tivessem tomado as decisões certas (uso de máscara, proteção firme e honesta aos mais idosos, manter a sanidade entre os mais jovens) e não se tivessem entretido com manobras políticas, talvez hoje não estivéssemos tão assustados. Chover no molhado não adianta. Por isso fico espantado com os louvores arrebatados “à Suécia”, onde o número de mortos Covid atinge os 5865 (em 10,23 milhões de habitantes), enquanto Portugal se fica pelos 1894 (em 10,28 milhões). O que dá uma taxa de 379 mortes por milhão (a nossa taxa é de 123, e a de outros países é bem menor). Nós não conhecemos a indiferença diante da morte nem sabemos evitar o desejo de contactar com os nossos mais velhos. Nós abraçamo-nos em geral; os suecos evitam (vivem em permanente distanciamento físico mesmo sem pandemia). No meio disto tudo, falta uma homenagem: aos portugueses que nunca abandonaram a “vida normal” e tiveram que trabalhar todos os dias. São eles os heróis, não os suecos.

Da coluna diária do CM.

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Guerra Junqueiro, génio, fúria e melancolia.

por FJV, em 17.09.20

 

Hoje quase ninguém passa por Ligares, uma pequena aldeia cravada num dos braços da Serra do Reboredo – o concelho é já o Freixo de Espada à Cinta, encostado ao de Moncorvo. Foi aí que, há 170 anos, nasceu Abílio Guerra Junqueiro (1850-1923). De cada vez que vou a Barca d’Alva, a dois passos, onde fica a sua Quinta da Batoca, volto a imaginar a figura de Guerra Junqueiro e alguns dos seus versos escritos aqui: “Quanta vida me consome, / quanta quimera perdida.” A figura de um homem de longas barbas acompanhou-nos sempre, mais do que a sua poesia propriamente dita, consumida em dois ou três livros que iam bem com o seu tom de profeta: Pátria, A Velhice do Padre Eterno, Os Simples, além dos que tinham sido reunidos em A Musa em Férias. Destinado à vida religiosa, Junqueiro foi anti-clerical contumaz (e religioso de novo, no fim da vida); radical republicano durante a monarquia, desiludiu-se dela e afastou-se do regime – a sua amargura, contada por Raul Brandão, é igualmente radical. Se esquecermos a versão de um Junqueiro oficial e ao serviço da pátria, como um altifalante aproveitado pela propaganda, descobrimos nele uma torrente de génio, fúria e melancolia. 

Da coluna diária do CM.

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Imagens.

por FJV, em 16.09.20

A manchete do CM noticiava um caso caricato ocorrido em Odemira: depois de uma aula por Zoom para os alunos do 9.º anos da escola básica e secundária Damião de Odemira, a professora, psicóloga e orientadora vocacional esqueceu-se de desligar a câmara. Logo a seguir, as imagens de um encontro, digamos, mais íntimo com o seu companheiro (professor na mesma escola) acabaram por ser transmitidas pela net. O resultado é que parece ter sido instaurado um processo disciplinar à psicóloga depois de uma encarregada de educação voyeurista ter gravado indevidamente as imagens transmitidas de forma involuntária e apresentado queixa. É importante dizer, portanto, que nem o processo disciplinar instaurado pela escola tem razão de ser, nem o castigo me parece legal (por ter relações sexuais em casa?). É puritano, mesquinho e revoltante: a psicóloga foi despedida, o seu companheiro manteve o lugar – o que traduz um episódio deplorável de machismo a pedido da queixosa, uma das viúvas de Lorca (vão ver o que é) que, essa sim, devia ter sido processada por gravar imagens sem consentimento.

Da coluna diária do CM.

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Como nascem os pequenos ditadores.

por FJV, em 14.09.20

A procuradora Dulce Rocha, que dirige o Instituto de Apoio à Criança, acha que a melhor solução para as crianças cujos pais as impediram de frequentar as “aulas de cidadania”, é (caso, aos 16 anos, não aceitem frequentá-las de “livre vontade”), barrar-lhes o acesso à universidade pública. O problema das “aulas de cidadania”, como já aqui escrevi, é a falta de consenso que conseguiram gerar em torno das matérias da disciplina. Espírito do tempo: o que nós, que agora estamos no mando, pensamos sobre “género”, “sexualidade”, “participação na comunidade”, mais uma série de lugares-comuns, é isto – quem não aceitar a forma como interpretamos esses temas e desejamos “formar as novas gerações”, fica de fora e não pode entrar na universidade. A disciplina não deixa dúvidas: além de uma lista de coisas tão inúteis como inócuas, é uma forma de modelar, condicionar e encaixotar “as novas gerações” e de transformar em “ciência adquirida” o que não passa de suposições e de coisinhas boas para a guerrilha cultural. Quando não há consenso nascem os ditadores. Em Portugal estão a nascer aos magotes.

Da coluna diária do CM.

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Diana Rigg.

por FJV, em 11.09.20

O longo trailer de 007: Ao Serviço de Sua Majestade (1969) tinha quase quatro minutos. Nele, anunciava-se “um Bond diferente mas com a mesma vivacidade” (era o hoje desconhecido George Lazenby, que sucedeu episodicamente a Sean Connery) – e uma nova bond-woman ainda mais diferente, esta “com estilo e classe”, no papel de uma condessa. Verdade. Tinha estilo e tinha classe – basta dizer que representou Shakespeare no cinema e na televisão (fez quatro papéis, no total). Porém, a sensual condessa Teresa di Vicenzo que se enamorou  de 007 (e casou com ele) era a mesmíssima picante Emma Peel da série Os Vingadores, que contracenava com o agente secreto John Steed (interpretado por Patrick Macnee). Foi um tempo de glória para Diana Rigg (1938-2020), que morreu ontem. Emma Peel foi uma das minhas paixões televisivas de primeira adolescência, mas eu não conhecia Diana Rigg propriamente dita; só mesmo pelo rosto, pelo riso e pelo corpo de Emma – que depois reencontrei, sem saber, em A Guerra dos Tronos onde era a velha e inteligentíssima rainha Olenna Tyrell. Vai fazer estragos lá em cima.

Da coluna diária do CM.

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Pequeno conselho.

por FJV, em 07.09.20

Acho graça às figuras de direita chocadas com a natureza das “aulas de cidadania”. Claro que o assunto devia ter sido discutido há mais tempo de modo a conseguir-se retirar do programa da disciplina (que é necessária) aquilo que é matéria flibusteira e chegar-se a um consenso sobre o que deviam ser essas aulas. Porém, os cerebelos “da direita” estavam ocupados com coisas superiores, desde folhas de Excel a cálculos diversos, incluindo saber como esfaquear os seus. Enquanto isso, os tolinhos tomaram conta dos programas, encheram-nos de conteúdos anti-científicos mas muito de acordo com as charlatanices em voga – e, numa guerra cultural agressiva, insolentes e sem adversário, ocuparam o espaço da escola e do debate público. Quando “a direita” despertou, o seu retrato era o de uma tia dos filmes de Vasco Santana, estremunhada e fora de moda, protestando que as “aulas de cidadania” estão infestadas de inutilidades. É verdade, mas é muito mais. Indo aos arquivos desta coluna há matéria de protesto e de aviso contra a ameaça dessa vacuidade cultural. Como se diz noutros contextos – estudassem.

Da coluna diária do CM.

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O Presidente. «Seu sacana.»

por FJV, em 04.09.20

Frequentemente nos irritamos com o Presidente. Compreendo-o (para o bem e para o mal), mas irrita-me a sua omnipresença e a voracidade com que comenta quase todos os assuntos e faz gincana nessa qualidade de comentador. Ter a imagem do Presidente ultrapassada pela imagem “do Marcelo”, na praia, no rio, nas barraquinhas de bebidas pode ser tão extenuante que, depois, se transforma em presença irrelevante quando precisamos realmente dele, ou seja, quando o Presidente tem de proteger os portugueses dos abusos do Estado, e de defender o bem-estar, a liberdade e os direitos dos cidadãos. Mas anteontem, ao princípio da noite, deu-me gozo vê-lo, quase anónimo, sem luz, sem câmaras de televisão e sem jornalistas por perto (como quando visita hospitais sem publicidade, em segredo), palmilhando o Parque Eduardo VII com uma lista de compras na Feira do Livro de Lisboa. É impossível uma pessoa não ficar comovida ao vê-lo, nessa figura discreta e metida para dentro – e não podemos deixar de murmurar, com certa delicadeza e o devido respeito institucional que sempre lhe é devido: “Seu sacana.”

Da coluna diária do CM.

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Espanha de novo.

por FJV, em 03.09.20

Peguei no livro e, em poucas horas, depenei-o. Porque se trata de depená-lo, folheá-lo, lê-lo, aproveitá-lo. Não é uma história de Espanha a não ser pelo facto de se chamar Uma História de Espanha (publicado pela Asa) – mas, contando-nos a história de Espanha, fá-lo pela voz oral de Arturo Pérez-Reverte, o amável, ácido e fantástico autor de O Clube Dumas, O Pintor de Batalhas, A Rainha do Sul, ou as séries do capitão Alatriste ou do espião Falcó. E que maravilha, o livro, que nos oferece um autor em transe, contando como decorrem séculos de Espanha no fio da navalha – precisávamos disso em Portugal, não escrito por um historiador (lamento muito, amiguinhos da universidade) mas pela voz desempoeirada de alguém que tanto acredite como desconfie do país, que tanto sofra por ele como é capaz de desprezá-lo, mas o entenda e não queira ser seu dono. Pérez-Reverte mostra como se faz, tendo como material um monstro de vaidade e altivez barroca (como é Espanha), tão valente como enlouquecido. Que belo livro, Arturo. Que saudades me dá daquele país orgulhoso, natural e cheio de vida – que antes se chamava Espanha.

Da coluna diária do CM.

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Doente do Chega.

por FJV, em 02.09.20

A antiga atriz Maria Vieira confessou que tinha deixado de fumar graças à militância no Chega. Escreveu, por assim dizer, uma mensagem de autocongratulação, felicitando o seu partido por tê-la levado ao bom caminho, expulsando o cigarro da sua vida. Foi, digamos, um milagre. Infelizmente, não há notícia de nenhum fumador que tivesse aderido ao Chega por tão nobre motivo, preferindo adesivos de nicotina. Ingratidão. Ontem, retomando a boa nova anunciada pela sua mandatária, o líder do partido escreveu que o Chega “não é só a cura para Portugal” mas também “a melhor terapia para as nossas vidas, um estímulo à nossa saúde, o renovar da fé”. Tamanha sandice merece primeira página mas temo que não se lhe dê destaque porque os jornais ainda têm fumadores no ativo. Para André Ventura (cito do Twitter), trata-se de mais do que um partido: “É uma missão, uma religião.” Isto, que devia deixar-nos à beira da gargalhada apoplética, é a prova de que se trata de um caso sério de saúde pública e de que André Ventura deixou de estar assintomático e deve ser recolhido aos cuidados intensivos.

Da coluna diária do CM.

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François Mauriac, uma velharia.

por FJV, em 01.09.20

Falar de François Mauriac (1885-1970) é, hoje em dia, evocar uma velharia desaparecida há exatamente cinquenta anos, a 1 de setembro de 1970, dois anos depois dos acontecimentos de Maio de 1968. Mauriac, que recebeu o Nobel da literatura em 1952, não estava do lado festivo da barreira, mas do outro, como apoiante de De Gaulle, inquieto com a ameaça da rua – ou a terminar o manuscrito de Um Adolescente de Antigamente, que publicaria no ano seguinte. Na minha adolescência, Mauriac era ainda famoso. O Nó de Víboras, Thérèse Desqueyroux e O Deserto do Amor eram leituras romanescas muito aconselhadas, cheias de personagens em busca de valores e sempre a atravessar o vazio das suas existências – mas já eram datadas na época, nos anos setenta. Os seus vários volumes de memórias e correspondência, e isto só descobri mais tarde, eram preciosos: desenhavam boa parte da história da França do pós-guerra, período em que várias vezes tentou fazer ouvir a sua sensatez, sem o conseguir. Hoje, recordo os seus livros como representações de teatro literário. Um cavalheiro de outro tempo.

Da coluna diária do CM.

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Livros para corrigir.

por FJV, em 31.08.20

A Dra. Joacine Kattar Moreira – que eu acho uma personagem e tanto, e não consigo criticar com maldade – propõe, num pequeno texto do Twitter, que “andar pra à frente [sic] significa mudanças e catarse e muito livro para corrigir”. Mudanças não me incomodam; catarses, é com cada um; já “livros para corrigir” é coisa que merece atenção. Os livros de hoje são, entre muitas outras coisas, uma resposta ao nosso tempo, como os livros de antanho eram respostas e marcas do seu. Não podemos mudá-los; ficam; estão escritos e impressos. Pertencem à sua época e ao fio do tempo. Transportam ideias erradas? Muito provavelmente. O desejo da Dra. Joacine, no entanto, é o de corrigi-los. No seu mundo – e no seu cérebro – existiria uma comissão que trataria de corrigir deslizes e ideias com que não concorda e com que o espírito do nosso tempo não estão, felizmente, de acordo. Este trabalho de revisão seria rigoroso e policial, visando transformar-nos em melhores pessoas e com pensamentos corretos, o que, como se sabe, acabou sempre em desgraça. A Dra. Joacine não quer negociar com o “espírito do tempo”; quer, como todas as pessoas obstinadas, ser proprietária do tempo. E dos outros.

Da coluna diária do CM.

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Um país assim merece uma festa Covid.

por FJV, em 28.08.20

Claro que tenho dúvidas obre os números diários de Covid19 fornecidos pelas autoridades, como toda a gente. Em primeiro lugar espero que desçam; depois, espero que desapareçam. Mas, entretanto, as mesmas autoridades (que pedem que confiemos) fazem malabarismos com eles e fico surpreendido com o alarme semanal da imprensa aos domingos e segundas: nestes dias, a regra é escrever “há muito tempo que os números não eram tão baixos”. Depois, vem a terça-feira; aí, a regra manda dizer que “há muito tempo o número não era tão alto”. Claro que a ministra da Saúde, com aquela sua entoação tão peculiar, já deixou escapar que “os números baixos dos dias anteriores” eram, afinal, “artificialmente baixos”. Ou seja, antes de haver decisão do Reino Unido sobre o “corredor aéreo” os números baixam; depois disso, quando filas intermináveis de amantíssimos turistas britânicos aguardam horas para serem despachados no aeroporto de Faro, os números voltam a níveis anteriores a 15 de julho e o “estado de calamidade” é prometido para daqui a três semanas. Um país assim merece uma festa Covid.

Da coluna diária do CM.

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Não se morre de Verão.

por FJV, em 27.08.20

A poesia do italiano Cesare Pavese está reunida num título nobre: Trabalhar Cansa, traduzido por Carlos Leite – são versos narrativos, de uma beleza raríssima, que tanto falam do silêncio como dos ciclos da vida inteira, do adeus e da partida, da comoção e das horas do dia. Mas a sua obra maior é Ofício de Viver, um diário escrito entre 1935 e 1950, desde a sua passagem pela prisão fascista até à morte. São páginas onde há grandes momentos de literatura – e as marcas da intensidade da sua vida, sempre dedicada aos livros (escreveu cerca de 15 livros – ou deixou-os para publicação póstuma –, trabalhou na histórica editora Einaudi e foi tradutor). Em Portugal, além de Ofício de Viver, foram publicados Diálogos com Leucó, A Praia – e, há muito tempo, o maravilhoso Férias de Agosto, bem como Fogo Grande, O Camarada, A Lua e as Fogueiras e o belo Terras do Meu País. Os seus poemas merecem tudo: “O grande sol acabou, e o cheiro da terra/ e a rua livre, colorida de gente/ que ignorava a morte. Não se morre de verão.” Suicidou-se há exatamente 70 anos, em pleno verão. 

Da coluna diária do CM.

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