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Vão aos livros.

por FJV, em 09.06.17

À hora a que escrevo nenhum grupo organizado tinha ainda reivindicado a nova onda de terror em Londres – mas o Estado Islâmico tinha assassinado 170 civis em Mossul durante o final da semana, logo a seguir a uma onda de atentados brutais e mortíferos no Paquistão e no Afeganistão. Não vale a pena ouvir os comentários logo a seguir aos acontecimentos. Os que outrora tentavam “compreender” os terroristas (designação substituída por “jihadistas”) estão um pouco cansados de explicações, e falam em público da necessidade de vigiar as redes caseiras de “combatentes do Estado Islâmico” – e, em privado, da conveniência de os esmagar. Não é assim tão simples. A pregação islâmica (‘radical’, para não chocar as almas sensíveis) foi semeada em bolsas multiculturais onde o veneno circulou livremente durante anos. Londres, Paris, Birmigham, Berlim, Barcelona, Copenhaga conhecem-nas. Mas a explicação tem duzentos anos, com o pacto wahabista assinado no Iémen para a recuperação do Califado, e alimentado pelos sauditas e emiratos. Escusam de falar da troika, da má índole ocidental e da crise dos refugiados, fica o aviso.

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Duas histórias pérfidas no reino da dissimulação em tempos pós-verdade: o corte de relações com o Qatar por parte da Arábia Saudita, Bahrein, Egito e Emirados Árabes, sob o pretexto de que aquele país financia o terrorismo. Qualquer história do Médio Oriente explica com detalhe este nó górdio – o terrorismo pré-Estado Islâmico foi financiado por estados ou organizações daqueles países; o problema é o apoio iraniano à ‘jihad’ (que entra pela Síria e pelo Iraque) e as presuntivas ligações entre Teerão e Doha, além da luta pelo Iémen (território da aliança wahabita), em que os sauditas e o Catar estão em campos distintos. Vão aos livros. Segunda história: depois de passar três décadas a bradar contra o “estado policial britânico”, a pedir o desarmamento das polícias e do país, a dar abraços ao IRA, ao Hamas, à Jihad e a Khadafi, a defender os loucos da mesquita radical de Finsbury Park, Jeremy Corbyn pede a demissão de Theresa May por esta ter cortado o número de polícias na rua. Se somarmos a Europa e os EUA a negociar armas com a Arábia Saudita, temos uma linda festa. Vão aos livros.

 

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