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Uma história de fantasmas.

por FJV, em 20.10.17

Tristão da Cunha, primeiro vice-rei da Índia (e primo do seu sucessor, Afonso de Albuquerque), nunca pôs o pé na ilha de Tristão da Cunha, que descobriu em 1506, e que é hoje domínio inglês (aliás, cegou e não chegou a ocupar o cargo na Índia, acabando por ser ele o organizador da embaixada de D. Manuel ao papa Leão X). A mesma coisa aconteceu com Gonçalo Álvares, navegador de Vasco da Gama, que nunca pernoitou na ilha de Gonçalo Álvares, a 400 quilómetros. Nenhuma destas ilhas (6 no total), parte do arquipélago de Tristão da Cunha, tem aeroporto; é preciso apanhar um navio na África do Sul, mas sem carreira regular. A 2400 quilómetros fica Santa Helena (4 mil habitantes), a capital do território britânico de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha. Quem descobriu Santa Helena, onde Napoleão morreu no exílio? Um navegador ao serviço de Portugal, João da Nova, que também descobriu Ascensão (1501). O primeiro ocupante da ilha foi o soldado português Fernão Lopes, que aí viveu em completa solidão por 30 anos depois de ter sido desfigurado às ordens de Albuquerque por, em Goa, se ter passado para o inimigo e se ter convertido ao Islão. Resumo da história: no sábado passado foi inaugurado o aeroporto de Santa Helena. Digam lá se não dava um filme.

 [Da coluna do CM] 

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