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Um trapo fascista.

por FJV, em 10.10.17

Há uns tempos apareceu na baixa lisboeta um grafito que anunciava o seguinte: “Camões, o totó do imperialism [sic] colonial esclavagista.” A acompanhar a frase, uma suástica. Agora, vieram os protestos (organizados por uma associação intitulada Descolonizando) contra a colocação de uma estátua do padre António Vieira no Largo Trindade Coelho, também em Lisboa – por parte, diz a ficha, de “investigadores, professores, artistas e activistas de diversas nacionalidades”. Trata-se da tendência, importada – e sem tradução – dos EUA e de Inglaterra sobretudo, e que visa limpar o passado dos sinais do passado, sobretudo dos seus autores. É claro que, tanto no caso de Camões como no de Vieira (considerado estupidamente um “esclavagista  seletivo”) – como no de Diogo do Couto ou Fernão Mendes Pinto, para abreviar, mas a lista pode estender-se – não interessa aos justiceiros estudá-los ou situá-los no seu tempo, mas arrematar uma bandeira e colar-lhes o labéu de criminosos. Eça era um machista, Camilo um miguelista e, se não me engano, a Língua Portuguesa um trapo fascista. Vamos para bingo.

 [Da coluna do CM] 

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