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Um Balzac hoje?

por FJV, em 14.06.17

Um a um, os casos acumulam-se como uma espécie de galeria de personagens num retrato de família – podia escrever-se um romance acerca do assunto, um Balzac contemporâneo cheio de gestores, notívagos endinheirados, madrugadores flibusteiros, gente com prosápia, sem vícios conhecidos, sem mácula no registo. O país moderno da era Sócrates, como da era Cavaco, oásis de investimento e de dinheiro a rodos produz agora os seus efeitos e danos colaterais: afinal, os melhores gestores da Europa – e subúrbios brasileiros – tinham mácula, capturavam políticos que se deixavam capturar com prazer e proveito futuro. Cada gaveta que se abre revela tesourinhos escondidos, negócios de influência provinciana, rendimentos injustificados – uma geração inteira, aliás, como aconteceu em Espanha com as malhas do ‘beautiful people’ dos anos dourados do PSOE ou com a grosseira corrupção dos anos do PP. Daqui a alguns anos, é provável que a literatura lhes preste atenção, a esses personagens de eleição. Mas desconfio que os próprios escritores, tão comprometidos, já desistiram de falar de falar do seu país.

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