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Turismo.

por FJV, em 31.05.17

Com ironia, Eça de Queirós achava que a visita dos estrangeiros era um incómodo: estamos nós em camisa, de chinelos, a palitar os dentes – e vem esta gente obrigar-nos a recolher o lixo e a ter maneiras à mesa. Os deputados que se preparam para agravar as condições de existência do “alojamento local” fazem-no por disciplina partidária, porque o Estado precisa de fazer o seu saque e de elaborar regulamentos. Mas, lá no fundo, servem a pequena xenofobia, a ideologia da treta, o atavismo e os interesses pessoais – e não esqueceram o que disse um responsável pelo setor nos tempos da pós-revolução (que o turismo é “a prostituição de um povo”, lembram-se?). O ataque ao “alojamento local” é ótimo para o lóbi hoteleiro, que quer ser absolutamente dominador (quem sabe, um dia poderá financiar campanhas eleitorais). Para os burocratas, os turistas são um incómodo e um perigo, mesmo que 90% dos residentes na capital se declarem satisfeitos com o turismo – e a sentir mais orgulho na sua cidade. Por detrás de um destes burocratas está sempre um perigoso provinciano encartado. E maldoso.

 

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