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Simone de Beauvoir, 110 anos.

por FJV, em 09.01.18

Simone de Beauvoir, em casa de Nelson Algren. © Art Shay.

 

É provável que O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, seja, de facto, uma das obras mais marcantes do século XX – mas a extraordinária projeção de Beauvoir vem do facto de ela própria ser uma figura romanesca, uma pensadora complexa, dificilmente classificável, impossível de limitar ao quadro apatetado de qualquer militância, que a sua vida ultrapassou sempre. Um dos elementos que mais contribuíram para a riqueza da sua obra foi, precisamente, o seu apreço pela ambiguidade – conceito a que dedicou um dos seus ensaios mais notáveis –, tanto na sua vida política como na vida pessoal e nos relacionamentos amorosos (o mais famoso deles, o americano Nelson Algren) que manteve a par do seu “contrato” com Sartre. O feminismo atual deve-lhe quase tudo, mas as mulheres devem-lhe mais: além dos dois volumes de O Segundo Sexo, Beauvoir é a autora de romances como Os Mandarins (um retrato da sua intimidade e daqueles relacionamentos), Mal-Entendido em Moscovo ou vários e importantes volumes autobiográficos. Ontem passaram 110 anos sobre o seu nascimento (1908-1986) mas não se ouviu uma única evocação, o que foi uma pena.

[Da coluna no CM]

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