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Sexista, racista e xenófobo.

por FJV, em 10.04.17

A meio da crítica a uma nova biografia de Raymond Chandler, o autor escandaliza-se porque o livro não menciona a “fastidiosa misoginia bem como a tendência sexista” de Chandler e do detetive Philip Marlowe, a sua grande criação (interpretada no cinema por Bogart ou Mitchum). Há semanas deparei, na imprensa americana, com uma polémica sobre se Jane Austen, a de Orgulho e Preconceito, teria ou não sido sexista e racista (por causa de uns tarados da alt-right que elegeram Austen como a madrinha dos “casamentos conservadores”). Já não falo do racismo imputado a Mark Twain ou da acusação de “inimigo do planeta e dos animais” a Herman Melville por causa da baleia de Moby Dick. Camille Paglia contou uma vez a história de um aluno que se recusava a ler autores como Homero, Eurípedes e Virgílio com o argumento de que se tratava de uma mesma classe de autores – brancos, machistas, sexistas e racistas –, apesar de ser estudante de... letras clássicas. Uma classe extravagante de críticos e patetas tomou conta das velhas humanidades e está a passar a pente fino toda a história da cultura ocidental, olhando-a através das lentes de hoje. O grão da censura moral está a germinar como uma ameaça.

[Da coluna do CM]

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