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Quaraouiynie, Fès el-Bali.

por FJV, em 06.12.16

Onde queria eu estar hoje? Em Fez, Marrocos – sob as cordilheiras que delimitam a planície. Mas hoje não venho falar de geografia e sim de recolhimento, em plena Fès el-Bali, a velha cidade fundada em 789 e onde se encontra a universidade Quaraouiynie, criada 70 anos depois, com a sua biblioteca – a mais antiga do mundo em atividade. Nunca foi devorada pelas chamas, como a de Alexandria; nunca foi destruída por religiosos suspicazes nem assaltada por fanáticos. Conserva manuscritos de uma beleza inestimável, de Ibn Khaldoun ao evangelho de Marcos na sua primeira tradução árabe ou aos estudos teológicos do avô de Averróis, o grande comentador de Aristóteles, sem falar dos tratados de astrologia ou geometria, da poesia do deserto, do Al-Andalus ou de al-Mutamid, o poeta de Beja, ou de Ibn Amar, o de Silves. A biblioteca de al-Quaraouiynie acaba de reabrir depois de meia década de restauro. E, coisa maravilhosa, foi fundada em 859 por uma mulher, Fatima el-Fihriya, filha de um mercador tunisino convertido aos negócios e ao céu tépido de Fez. Quem sabe, talvez tivesse visitado o Algarve.

[Da coluna do CM]

 

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