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Os avanços civilizacionais e a avó que vai dar à luz um neto.

por FJV, em 15.08.17

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O admirável mundo novo lusitano rejubilou porque, a acreditar na primeira página do Expresso de anteontem, uma avó irá dar à luz um neto, ou seja, será “portadora” (o termo é letal) de uma criança para a sua filha, que não pode engravidar. A ideia não me enternece. Há crianças abandonadas pelo mundo fora e os números portugueses dão conta de estatísticas que devíamos baixar: repito, crianças abandonadas pelos seus progenitores. A maior parte deles é entregue às instituições sociais do Estado e podem vir a ser, ou não, adoptadas por famílias desde muito cedo. Compreendo o que dizem ser as “alegrias da maternidade” e, à distância, entendo (mas não o partilho como um valor absoluto) o desejo de perpetuar o património genético de uma família através de uma criança gerada no laboratório ou no ventre de uma barriga de aluguer. Trata-se de um manifestação moderna do egoísmo das gerações para quem não existe um impossível ou um interdito. Aldous Huxley já referia o assunto em Admirável Mundo Novo um livro aborrecido, mas premonitório. Os avanços civilizacionais são cruéis.

[Da coluna do CM]

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