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Na adversidade é que vale a pena escrever.

por FJV, em 01.02.18

Escritores corporativos irritam-me cada vez mais, sobretudo em matéria de queixinhas políticas. Nos EUA, que é a pátria atual das vítimas, multiplicam-se os artigos que falam de uma “crise da ficção” atribuída a Trump, aos tempos de Trump, às mentiras de Trump e à cabeleira de Trump. Autores de renome, premiados e festejados, falam do mal que os “anos Trump” andam a fazer à literatura – sem ninguém se rir. Bons tempos em que a literatura americana não tinha “causas” e era excelente. Havia Steinbeck. Nabokov, e Hemingway, que se desprezavam mas escreviam supimpa. Norman Mailer descreveu mundo, investigando, mesmo acusado de pulha. Gore Vidal escreveu os melhores volumes de ficção sobre a América sem as queixinhas das corporações de escritores escandalizados. Hoje, queixam-se da América machista, racista e imbecil – mas escrevem como pregadores calvinistas: cheios de fé, mas com pouca qualidade, apaparicados como membros de uma sociedade de caniches (há exceções, como Ellroy, Donald Ray Pollock e um bom punhado de emigrantes). Na adversidade é que vale a pena escrever.

[Da coluna no CM]

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