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Maria Helena da Rocha Pereira. Guiou-nos por entre ruínas.

por FJV, em 11.04.17

Na recente cerimónia de entrega do Prémio Pessoa, ao fazer o elogio dos Estudos Clássicos, Frederico Lourenço resumiu tudo em quatro palavras: Maria Helena da Rocha Pereira. Duas semanas depois a morte levou consigo a grande inovadora, divulgadora, tradutora e historiadora da cultura clássica. Fui à estante buscar os seus Estudos de História da Cultura Clássica (publicado pela Gulbenkian, uma pérola), as suas traduções de Platão e de uma antologia, Hélade (Guimarães Editores), onde se revisitam Safo, Homero, Heraclito, Sófocles ou Eurípides (traduziu Medeia). Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017) foi a mãe de todos nós – os que alguma vez se apaixonaram pelas culturas grega e latina. Guiou-nos por entre ruínas, iluminando-as e protegendo-as – e isso é o maior elogio que lhe podemos fazer, porque tudo o resto (“um vulto da cultura”, “uma perda irreparável”, etc.) soa a nada. Mostrou-nos a beleza dessas ruínas que conhecia como ninguém; mostrou-nos a passagem do tempo sobre o legado dos Antigos. Mestre dedicada e incansável, os deuses recebem-na com amizade.

[Foto © Paulo Ricca, Público]

 

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