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Jean-Pierre Melville.

por FJV, em 20.10.17

Ninguém se recorda hoje de Jean-Pierre Melville, não só por ser francês, mas também porque a sua obra nunca foi verdadeiramente popular, tirando talvez o caso de Cai a Noite Sobre a Cidade (de 1969), uma tradução livre para Un Flic (Um Chui), com Alan Delon e Catherine Deneuve. É uma história de maus e bons que amam a mesma mulher (o ‘mau’ é Richard Crenna, que mais tarde apareceria em Rambo ou em Noites Escaldantes, de Lawrence Kasdan). O mundo dos ‘maus’ aparece frequentemente em Melville, como em Ofício de Matar (Samurai, 1970), também com Delon, que é o primeiro rosto de O Círculo Vermelho, com Gian Maria Volonté e Yves Montand. Melville (o apelido verdadeiro é Grumbach, mas quis homenagear o autor de Moby Dick) é uma das estrelas do film noir, o policial francês. A sua dimensão literária é permanente (em 1949 realiza Le Silence de la mer, adaptando o romance de Vercors); melancólico, nostálgico, depressivo, o seu olhar capta a solidão de heróis perdidos e funestos. Passam hoje 100 anos sobre o seu nascimento e, tal como a própria melancolia, é um nome fora de moda.

[Da coluna do CM] 

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