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Já não se pode.

por FJV, em 26.01.18

Nos anos 80 foi uma passageira moda novaiorquina: venderem-se apartamentos sem cozinha. Onde não há cozinha não há tentação, e na altura a gastronomia e a culinária eram universos letais, pouco nobres, nada mencionáveis. Passados trinta anos, a comida passou a obsessão. Uma nova categoria de pessoas, ‘foodies’, dedica a sua vida a atazanar-nos com novidades sobre o que deve ser o nosso prato. O caso é que os ‘foodies’ e as ‘foodies’, além dos blogues sobre comida e das nutricionistas apaixonadas pela catástrofe (não coma nem mais uma colher de açúcar ou morre!), não se dedicam apenas a um ramo de negócio; há, por detrás, uma dimensão estética, uma ou várias éticas (aplicam muito a palavra sustentável) e, sobretudo, uma tentação antiquíssima: a de mandar nos outros. Descubro essa tentação aos poucos. Leiam os seus textos. São aguerridos, enumeram proibições, fazem lóbi pela batata doce (a batata comum, fonte de alegria, é a inimiga a abater) e pela quinoa (deite fora o arroz!). Tal como na religião, os recentemente convertidos são os piores: transformam a nossa vida num inferno.

[Da coluna no CM]

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