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Impossível explicar.

por FJV, em 16.05.17

Agora que o Papa regressou a casa, que os políticos guardaram as selfies na coleção (passaram ao futebol logo a seguir), e que grandes figuras da igreja já declararam não acreditar em Fátima – voltemos nós, pessoas comuns, ao assunto. Em primeiro lugar porque falar de religião é pouco popular, está fora de moda. Falei com várias «pessoas comuns» que foram a Fátima e que não debatem a diferença entre «visões» e «aparições», nem estão ocupadas com «as provas da existência de Deus». A experiência de Q., que todos os dias me serve o primeiro café ao balcão da cafetaria, é a mais forte, a mais profunda, aquela que nos deveria fazer pensar. Diz-me Q. que o mais comovente de tudo foi o silêncio. E, depois, a contemplação da luz das velas no meio da escuridão. Deus é isso: um grande silêncio que não tem a ver com os palradores. Há muita gente da igreja que só olha para o céu para ver se chove, porque já não sabe falar de Deus. E há pessoas como Q., que falam do essencial com uma pontaria divina: o silêncio, a escuridão que mostra a luz, os outros, a serenidade que não se explica.

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