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Helder Moura Pereira.

por FJV, em 19.04.17

Os polícias e moralistas da literatura não ficarão muito satisfeitos com o Grande Prémio de Poesia para Helder Moura Pereira; tanto melhor. Trata-se de um dos nossos grandes poetas (e tradutor notável, de grande mérito). Não só, evidentemente, por este livro, Golpe de Teatro (Assírio & Alvim) – mas por uma das obras mais consistentes da poesia portuguesa do último quartel do século XX e estas duas primeiras décadas do atual. Nada nos pode dar mais alegria do que ver este prémio da APE distinguir um autor como Helder Moura Pereira (n. 1949), a mão que assina livros tão importantes como Carta de Rumos, Nem por Sombras, Mútuo Consentimento, Lágrima, o mínimo Eu Depois Inventei o Resto, sem deixar de mencionar a sua participação no histórico Cartucho (de 1976, com três grande poetas: Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge e A. Franco Alexandre), inesquecível. Leiam os seus poemas, um relâmpago de harmonia: “Mantêm-se as causas iguais /das pequenas alegrias, longe da alegria, a rotina /dos sorrisos vem de nenhum vício. Este abandono / custa.”

 

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