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Harry Dean Stanton Band.

por FJV, em 18.09.17

Quantos descobriram a ‘Canción Mixteca’ (de José López Alavez, no início do século XX) através da versão de Ry Cooder, em Paris, Texas (1984), o filme de Wim Wenders? Bastantes. E do rosto de Harry Dean Stanton, a estrela discreta e, em simultâneo, poderosa, interpretando aquele papel abandonado de Travis ? Quase todos. A sua carreira foi toda ela feita de papéis secundários – os grandes pilares do cinema, os coadjuvantes indispensáveis, as estrelas distantes sem as quais não brilham as outras. Mas Stanton nunca teve razões de queixa: ele era assim: secundário, coadjuvante, de poucas palavras, escolhido por realizadores como Coppola, Ridley Scott, John Carpenter, David Lynch, Sean Penn ou Scorsese. Não há rosto “americano” tão pouco “americano” no cinema. Recomendo que o vejam também num western improvável, Duelo no Missouri (de 1976), ao lado de Marlon Brando e Jack Nicholson – e escutem a Harry Dean Stanton Band, para perceber essa mistura de blues, rock e música texana. Morreu na sexta-feira aos 91 anos (nasceu em 1926), um fumador inveterado e um rosto como não há mais.

[Da coluna do CM]

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