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De todos nós?

por FJV, em 19.05.17

Várias almas dedicaram os últimos dias a proclamações patrióticas a propósito da vitória de Salvador Sobral lá em Kiev. Que isto é um prémio para todos nós, o reconhecimento de que somos geniais, de que o talento para a música nasceu aqui, e de que não há um único desafinado de Valença à ilha do Corvo. Esta apropriação dos prémios pela pátria inteira é meio esquisita. Claro que ficamos felizes, claro que exultamos – Salvador é dos nossos. Mas, quando se trata de generalizar, alto lá. Foi assim com o Nobel de Saramago; a partir daí, éramos todos grandes escritores. Foi assim com Ronaldo; passámos a ser todos bons de bola. Lá por Maria João Pires ser genial, o país não deixa de ter pianistas desafinadas. Os políticos em funções usam muito essa artimanha: somos os melhores do mundo, não há ninguém assim. Acontece que cada um desses prémios recebidos é fruto de muito trabalho, dedicação, abnegação muitas vezes, e sofrimento, insistência. Silêncio. Incompreensão. Injustiça. Alegria também. Mas não gastem tudo com trivialidades patetas. O prémio é deles. 

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