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Ben Lerner, o ódio à poesia.

por FJV, em 18.09.17

Pode-se odiar a poesia? Pode. Ben Lerner, um dos mais jovens poetas americanos (nasceu em 1979, no Kansas) escreveu um livro com esse título, Ódio à Poesia (Elsinore, magnífica tradução de Daniel Jonas); uma das ideias que sobrevoa o livro é a de que o “ataque à poesia” chega, grande parte das vezes, dos próprios poetas e dos críticos de poesia, como “uma lógica amarga” – a que muitos “críticos culturais” (uma amálgama heteróclita e palavrosa) emprestam o seu “contentamento macabro”. Ben Lerner inventaria algumas das “mais recentes e notáveis choradeiras”, geralmente embrulhadas na exigência de uma “poesia para os outros”, destinada “a ser comunicada” e “percebida”. Esse desejo de comunicação aniquila a poesia em si mesma, transformando-a em letrismo (por exemplo, na voga da slam poetry, uma das várias fraudes muito populares hoje em dia); Lerner advoga uma espécie de silêncio contra a “universalidade” da poesia e a influência da “cultura popular” – isso faz deste livro uma pérola. A poesia vale também pela sua resistência ao ruído. Pelo seu silêncio.

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