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Ah, a dificuldade de governar.

por FJV, em 17.10.17

É um estado de guerra e de dor no país. 38 mortos. No domingo atravessei-o, entre colunas de fumo e de fogo; quem ouvisse as autoridades – pelo rádio do carro – dir-se-ia ser inevitável: trágico, terrível, não há nada a fazer, “vai ser pior”. Temi que tivessem endoidecido quando um tipo sensato como Jorge Gomes entrega as armas do Estado e diz que temos de nos autoproteger e não esperar ajuda dos bombeiros ou dos aviões. Ou seja, as mesmas autoridades que decidem que temos de comer mais arroz carolino do que quinoa falham depois na tarefa essencial de proteger aldeias, bens e pessoas – e uma ministra em estado de negação lembra que por ela até se demitia para ter as férias que lhe devemos. Ah, a dificuldade de governar. Ah, a ingratidão pela “maior reforma nas florestas desde D. Dinis”. Ah, a reforma da proteção civil. Desejam-se inquéritos para salvar a pele dos camaradas – mas não para esclarecer os governados e honrar os mortos e sobreviventes. E era difícil prever isto? Não. A meteorologia tinha-o escrito. A arrogância e o desprezo que têm pelo país está a fazer o resto. 

 [Da coluna do CM] 

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