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A vida natural.

por FJV, em 19.04.17

Dar à luz sem epidural, ir ao dentista sem anestesia – há um mundo de coisas magníficas e saudáveis na “vida natural”, sem medicamentos nem químicos, vivendo como recoletores, apanhando a fruta do chão e recusando-se a usar champô. Uma delas é o risco, em sentido lato, que parece não incomodar os pais que se recusam a vacinar os seus filhos e que preferem (li isto numa reportagem) que o filho “tenha a doença mas não a vacina”. Sarampo, poliomielite, tosse convulsa, a lista de vacinas é vasta, o nosso terror durante a infância há quarenta, cinquenta, sessenta anos. Compreendo que pais comprometidos com a “vida natural” e a recusa em usar químicos de qualquer ordem – sobretudo ligados à indústria farmacêutica – sujeitem a sua família a este risco. Dá um trabalho considerável, mas compreendo a dedicação integral de certas pessoas empenhadas em regressar a um paraíso que já não existe há muito, onde se pode ser vegetariano, detestando a anestesia, a aspirina e a proteção contra o sarampo. Compreendo; mas parece-me idiota viver no meio do perigo.

 

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