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A fábrica de refugiados.

por FJV, em 04.01.17

Conheci Martin Adler como repórter. Foi assassinado em Mogadíscio por “rebeldes” da Al-Qaeda (assim foram festejados nas ruas de Paris, apenas porque se opunham ao imperialismo americano). Martin fez para a Grande Reportagem, de que fui diretor, a cobertura dos “acontecimentos” de Grozny, na Chechénia: com o argumento de punir o secessionismo e a resistência islâmica, as tropas russas entraram na cidade e destruíram-na, matando toda a gente, na mesma altura em que a opinião pública europeia estava preocupada, sim, com o destino dos bombistas-suicidas do Hamas, o isolamento da Líbia ou com a liberdade dos pregadores radicais das mesquitas de Londres. Hoje, ao ver as imagens de Aleppo, recordo as palavras de Martin, que previra o cenário de destruição da Síria, a aliança Putin-Assad e a formação de um estado pária islamita. Diante disso, os bem pensantes veneram Obama que, sem sair da televisão, deixou o Médio Oriente em chamas (pior do que o encontrou) e permitiu que Rússia sitiasse a Ucrânia e o Mar Negro. Esta gente, reunida, foi a maior fábrica de refugiados do Mediterrâneo.

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