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Maria Helena da Rocha Pereira. Guiou-nos por entre ruínas.

por FJV, em 11.04.17

Na recente cerimónia de entrega do Prémio Pessoa, ao fazer o elogio dos Estudos Clássicos, Frederico Lourenço resumiu tudo em quatro palavras: Maria Helena da Rocha Pereira. Duas semanas depois a morte levou consigo a grande inovadora, divulgadora, tradutora e historiadora da cultura clássica. Fui à estante buscar os seus Estudos de História da Cultura Clássica (publicado pela Gulbenkian, uma pérola), as suas traduções de Platão e de uma antologia, Hélade (Guimarães Editores), onde se revisitam Safo, Homero, Heraclito, Sófocles ou Eurípides (traduziu Medeia). Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017) foi a mãe de todos nós – os que alguma vez se apaixonaram pelas culturas grega e latina. Guiou-nos por entre ruínas, iluminando-as e protegendo-as – e isso é o maior elogio que lhe podemos fazer, porque tudo o resto (“um vulto da cultura”, “uma perda irreparável”, etc.) soa a nada. Mostrou-nos a beleza dessas ruínas que conhecia como ninguém; mostrou-nos a passagem do tempo sobre o legado dos Antigos. Mestre dedicada e incansável, os deuses recebem-na com amizade.

[Foto © Paulo Ricca, Público]

 

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O que nos separa da literatura — um soneto.

por FJV, em 11.04.17

 

O QUE NOS SEPARA DA LITERATURA 

 

Enquanto falam de literatura, a grande puta,

os professores falam uma língua invisível, 

cerrada em versos que os antepassados 

deviam ter escrito – e não escreveram. 

 

Labirintos, aquários, metáforas, ventanias, 

varandas nas colinas, tudo roubam como 

assaltantes sem método, nem glória, nem 

música, nem conhecimento da beleza que 

 

incendeia os bosques e ilumina os caminhos.  

Enquanto falam de literatura, a grande puta,

 a luz negra tudo apaga, tudo esconde e suja.

 

Mata-nos muito, a literatura – de tédio

ou de medo, ou de um horror que aprofunda 

o que nos separa: isto e a vida, sempre.

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Uma seita tresloucada.

por FJV, em 11.04.17

Tal como o PCP não condenou a invasão da Checoslováquia em 1968, com o argumento de que os tanques da URSS se tinham deslocado a Praga para defender o socialismo contra hordas de estudantes reacionários, também aquele extravagante grupo espanhol, o Podemos, se recusou a condenar o “golpe constitucional” venezuelano que deu em bronca. Lembram-se os leitores? O Supremo Tribunal decidiu revogar as competências do parlamento eleito e chamá-las a si; o mundo inteiro protestou; o Podemos não (aliás, pulou de contente). Mas não é bem isso que interessa, e sim a falta absoluta e notória de indignados nacionais para protestarem contra os sucessivos atropelos da ditadura venezuelana, que promete despedir funcionários que se saiba serem “da oposição”, que ordena prisões arbitrárias e que multiplica a pobreza do país a cada dia que passa. O chavismo – “o socialismo do século XXI” – foi fabricado, armado e caucionado por ideólogos europeus, namoradinhos da “revolução permanente”. Agora, transformou-se numa seita tresloucada e estapafúrdia que a esquerda desculpa com brandura, encolhendo os ombros.

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Torremolinos

por FJV, em 11.04.17

As viagens de finalistas a Espanha são sempre um acontecimento. A extraordinária mistura de duas palavras, ‘Torremolinos’ e ‘estudantes’ evoca as coisas do costume: cinco ou seis dias de álcool (‘bar aberto’), adolescentes a praticarem coisas de adolescentes, grandes farras na piscina – paremos por aqui. Proponho mesmo que, na Páscoa, a imprensa reserve um espaço para excessos cometidos em Torremolinos; e que os pais assistam de bancada a esses excessos. Duas observações: primeira, os cavalheiros de Torremolinos, quando alugam quartos a estudantes portugueses em férias, não podem esperar o comportamento de peregrinos à Terra Santa. Mas a segunda observação sempre quis fazê-la: as viagens de “finalistas” não deveriam fazer-se depois de os adolescentes “finalizarem” as aulas e concluírem os exames, “finalizando” o curso? Sim, todos nós sabemos o que significam ‘spring break’ e “hormonas aos saltos”, mas esta invasão regular de Espanha e os correspondentes relatos de vandalismo são um péssimo bilhete de identidade para “finalistas” da “geração mais bem preparada de sempre”.

[Da coluna do CM]

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A Europa que já não é nada

por FJV, em 10.04.17

Para entender o mundo (Europa incluído) é necessário sair da Europa. Não é o que fazem os europeus, encarcerados pelos seus problemas do euro, do “estado social” e das crises parlamentares. Em Alexandria, no Egito, por exemplo, fez-se a primeira das grandes traduções da Bíblia, há dois mil anos. Foi aí que ontem um bombista suicida se fez explodir matando 11 pessoas na igreja de São Marcos. Horas antes, um atentado na igreja de Mar Gigis, a menos de 100 quilómetros do Cairo, provocava 25 mortos. Ao todo, cerca de 120 feridos. Dizimar cristãos, no Egito ou no Quénia e na Somália, na Síria ou na Índia, parece ser um novo objetivo do terrorismo, em nome do Islão radical. Nesses lugares, os cristãos são minoria; a Europa cristã, que dizimou judeus no passado e entretanto já deixou de ser cristã para agora não ser nada, não pode responder aos apelos dessas minorias. É a mesma Europa que chora os seus mortos em Estocolmo, em Paris, em Londres, em Bruxelas, é certo – mas sem entender que chegou o tempo de agir para que valha alguma coisa ser vivo na Terra, o lugar a que merecemos pertencer.

[Da coluna do CM]

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Sexista, racista e xenófobo.

por FJV, em 10.04.17

A meio da crítica a uma nova biografia de Raymond Chandler, o autor escandaliza-se porque o livro não menciona a “fastidiosa misoginia bem como a tendência sexista” de Chandler e do detetive Philip Marlowe, a sua grande criação (interpretada no cinema por Bogart ou Mitchum). Há semanas deparei, na imprensa americana, com uma polémica sobre se Jane Austen, a de Orgulho e Preconceito, teria ou não sido sexista e racista (por causa de uns tarados da alt-right que elegeram Austen como a madrinha dos “casamentos conservadores”). Já não falo do racismo imputado a Mark Twain ou da acusação de “inimigo do planeta e dos animais” a Herman Melville por causa da baleia de Moby Dick. Camille Paglia contou uma vez a história de um aluno que se recusava a ler autores como Homero, Eurípedes e Virgílio com o argumento de que se tratava de uma mesma classe de autores – brancos, machistas, sexistas e racistas –, apesar de ser estudante de... letras clássicas. Uma classe extravagante de críticos e patetas tomou conta das velhas humanidades e está a passar a pente fino toda a história da cultura ocidental, olhando-a através das lentes de hoje. O grão da censura moral está a germinar como uma ameaça.

[Da coluna do CM]

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Laura, a de Petrarca

por FJV, em 08.04.17

Na década de 80, a canadiana Louise Poissant publicou ‘O Medo do Grande Amor’, um ensaio sobre aquilo que o título diz – num mundo cercado pelo efémero, o receio de perder o grande amor levava as pessoas a não quererem viver nenhum. Não foi sempre assim, pelo menos na literatura. Tomás Gonzaga (1744-1810), um dos grandes poetas da nossa língua dedicou parte da sua obra a Marília de Dirceu, mulher inventada e ideal, que teria vivido em Ouro Preto (onde ele, que nasceu no Porto, viveu antes de ser exilado para a Ilha de Moçambique, onde morreria). Francesco Petrarca (1304-1374), o grande criador da arte do soneto (a obra está traduzida por Vasco Graça Moura) inspirou-se em Laura, uma jovem idealizada a quem dedicou o seu cancioneiro (as Rimas), alguns dos mais belos sonetos nas línguas latinas. Não apenas idealizada e irreal: ela existiu mesmo. Segundo os biógrafos de Petrarca, o poeta viu-a pela primeira vez (raras vezes se encontraram) na manhã de 6 de abril de 1327, na catedral de Avinhão. Há exatamente 690 anos. Ainda hoje festejamos a sua existência irreal na poesia.

[Da coluna do CM]

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O dinheiro era de quem?

por FJV, em 23.02.17

Falando-se de ‘off-shores’ fala-se de crime financeiro. É assim? É. Aliás, para a generalidade do eleitorado, é um crime colocar um cêntimo que seja num banco de Badajoz. Por isso, esta interessante notícia sobre a fuga de 10 mil milhões para as ‘off-shores’ tem graça, sobretudo porque não é novidade – a mesma notícia sobre o mesmo assunto e a mesma quantia apareceu há um ano, no mesmo jornal. Mistério isto ter aparecido agora, não? Acontece que as suspeitas sobre o crime financeiro são, em grande parte, uma boa treta; algumas delas partem do princípio de que os donos desse dinheiro não são os seus legítimos proprietários, mas o sistema financeiro (olha quem), a autoridade tributária (ui, ui) ou o país inteiro, para abreviar. Com tanto patriotismo, ninguém sabe porque há em Portugal melhores condições fiscais para os estrangeiros fazerem a sua “fuga de capitais” para cá, do que para os portugueses manterem o seu dinheiro no país. Houve quem lembrasse, ontem, “ai o que nós faríamos com esse dinheiro”. Mas afinal o dinheiro era de quem?, se não se importam que pergunte.

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Explicações do mundo, 1.

por FJV, em 06.01.17

«Na Islândia não há ruínas, não há barcos vikings para provar que chegámos aqui. Então, as pessoas acham, entre outras coisas, que descendemos do bacalhau.»

Andri Snær Magnason, escritor islandês. The New York Times.

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Imprensa séria.

por FJV, em 06.01.17

Desde segunda-feira que o Correio da Manhã e a CMTV acompahavam a história de Anabela Lopes, «vítima de violência doméstica», desaparecida, provavelmente raptada e agredida pelo seu marido, e em perigo de vida. A «imprensa séria» achou que o assunto não merecia acompanhamento, porque havia que dar notícias sobre os novos chefs que festejam o ano novo com tortas de bulgur em cama de seitan gratinado com cobertura de abacate, ou sobre os transgender japoneses. O facto é que «o caso de Grândola» era sério e emblemático, mas os especialistas em género ainda não o tinham descoberto e «a violência doméstica em ambiente rural» é coisa para grunhos. Hoje, nas suas edições online, assinalam a descoberta de Anabela Lopes, prestes a ser executada pelo marido, como se desde o primeiro minuto se tivessem interessado pela história. Para retomar um tema recente, só há «interesse público» quando os advogados de Pedro Dias concedem entrevistas exclusivas à «televisão pública» – e nessa altura, ah, rejubilemos!, as repórteres justiceiras acham que o cavalheiro dava uma estranha sensação de conforto. 

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O cantinho do hooligan. Onde se pode ser extremista, 2.

por FJV, em 06.01.17

Soares Dias é o melhor árbitro português. Talvez o segundo melhor seja Jorge Sousa, que deixou um penálti por assinalar contra o Benfica e a favor do Sporting (o de Pizzi, monumental). Soares Dias deixou dois penáltis por assinalar no FC Porto-Benfica (um deles, a mão de Mitroglou, seria ‘transporte’ em voleibol). A contabilidade de penáltis por assinalar deixa o FC Porto prejudicado — mas, por exemplo, no Chaves-FC Porto, o FCP teve cinco penáltis para marcar e só aproveitou dois; então? Rui Santos, ui ui, garante que, se tivessem sido arbitragens correctas, o FCP iria à frente do campeonato com sete pontos de vantagem. Digo isto por dizer, e para ganhar outra vantagem — é que, no jogo com o Moreirense, o FCP Porto teve uma hora para jogar e marcar e não o fez. Depois, foi o que se viu: Danilo expulso e uma gargalhada monumental. Nuno Espírito Santo portou-se bem: parecia a Rainha de Inglaterra — «Nós etc etc.» Ninguém bateu no árbitro, ao contrário do que aconteceu no Setúbal-Sporting, onde o árbitro (fraquinho) assinalou um dos dois penáltis cometidos pelo Sporting (o que não foi assinalado mostra Coates a querer despir a camisa do jogador do Setúbal – e logo por detrás), e mesmo assim teve direito a investidas de Jesus, Nelson e Coates à frente das câmaras de televisão (até Adrien esteve para levar, por andar ali metido a separar árbitros, polícias e equipa técnica do Sporting). O resultado é que o grande problema do Sporting se chama Jorge Jesus, e não Bruno de Carvalho nem “arbitragens”. Quanto ao FC Porto, um dos problemas é o “estilo Rainha de Inglaterra” de Nuno Espírito Santo.

Explico. Há qualquer coisa que me escapa no plural majestático de Nuno Espírito Santo – aquele “nós” tanto se refere a ele próprio, como ao plantel mais ao treinador, como ao FC Porto em geral, como à Santíssima Trindade em particular. O que é certo é que, mesmo tendo em conta o reduzido interesse da Taça CTT, o FC Porto (“nós”) está atrás do Moreirense e do Belenenses. Isso não deixa a equipa (“nós”) numa situação confortável, porque quem se deixa empatar com o Feirense (“nós”) há de ter dificuldade em desativar a Juve, quando chegar a altura. Nuno E.S. anunciou que (“nós”) vai refletir, mais precisamente “nós, equipa técnica”. Uma das coisas em que pode refletir é no desinteresse com que a imprensa acompanhou mais uma derrota da equipa treinada por “nós”, justamente uma segunda linha quando era preciso a divisão Panzer.

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Chegou o frio, televisões.

por FJV, em 06.01.17

Preparemo-nos. Vem aí o frio, dizem as televisões. Basicamente, é como se a calota polar chegasse a Figueiró dos Vinhos e fosse necessário avisar a população.

Todos os anos me divirto com as repórteres embrulhadas em anoraques usados nas séries de tv do Alasca, de microfone em punho, inquirindo habitantes de Vinhais, Manteigas ou Terras de Bouro: "Então, está frio?" Uns cavalheiros à porta de uma loja de ferragens respondem que sim, sim, "está mais frio do que em agosto".
Hidratem-se, recomendam as repórteres. Ah, e não se esqueçam: a Proteção Civil recomenda que se vistam várias peças de roupa em vez de só uma (verídico). Evite tomar banho de mar e, se chover, use guarda-chuva. "E então como fazem por causa do frio?", perguntam de dentro do anoraque. As pessoas de Vimioso entreolham-se e balbuciam: "Agasalhamo-nos." O normal: tirando um vizinho que fuma substâncias esquisitas, na minha rua não anda ninguém em t-shirt. Chama-se inverno. Imagino um programa da proteção civil a explicar como se usam ceroulas ou luvas e se prepara chá de limão.

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Caraíbas.

por FJV, em 06.01.17

Coisas que se escondem para não nos fotografarem em Varadero.

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Os maridos viris não pode ser feridos na sua honorabilidade, consideração, honra e dignidade.

por FJV, em 04.01.17

Vejamos: em 2011, uma mulher acusou o marido de violência doméstica (e de violação), além de infligir maus-tratos físicos e psicológicos às três filhas. Diante disso, o tribunal condenou-a por difamação, considerando que a mulher, está na cara (com nódoas negras), agiu com o "propósito de difamar e caluniar" o marido, já que as suas acusações são atentatórias (ui, ui) do "bom nome, hombridade, reputação e decoro" do cavalheiro. De acordo. E mais: como não concordar que se trata de "suspeições desprimorosas"? Evidentemente que são. Nojentas. E como não concordar com o tribunal ao considerar que essas "suspeições" põem em causa a "honorabilidade, consideração, honra e dignidade" do marido? Parece, inclusive – que horror –, que ele passou a ser tratado com ‘comentários e olhares vexatórios’, o que não se pode permitir.
Os tribunais têm de defender a honra destes maridos viris. Curiosamente, o tribunal, que condenou a malvada (à primeira), não considera falsas as suas acusações; simplesmente são chatas para o marido. A Relação de Guimarães veio agora anular a sentença. Pobre marido.

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A fábrica de refugiados.

por FJV, em 04.01.17

Conheci Martin Adler como repórter. Foi assassinado em Mogadíscio por “rebeldes” da Al-Qaeda (assim foram festejados nas ruas de Paris, apenas porque se opunham ao imperialismo americano). Martin fez para a Grande Reportagem, de que fui diretor, a cobertura dos “acontecimentos” de Grozny, na Chechénia: com o argumento de punir o secessionismo e a resistência islâmica, as tropas russas entraram na cidade e destruíram-na, matando toda a gente, na mesma altura em que a opinião pública europeia estava preocupada, sim, com o destino dos bombistas-suicidas do Hamas, o isolamento da Líbia ou com a liberdade dos pregadores radicais das mesquitas de Londres. Hoje, ao ver as imagens de Aleppo, recordo as palavras de Martin, que previra o cenário de destruição da Síria, a aliança Putin-Assad e a formação de um estado pária islamita. Diante disso, os bem pensantes veneram Obama que, sem sair da televisão, deixou o Médio Oriente em chamas (pior do que o encontrou) e permitiu que Rússia sitiasse a Ucrânia e o Mar Negro. Esta gente, reunida, foi a maior fábrica de refugiados do Mediterrâneo.

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Israel.

por FJV, em 03.01.17

Desde 1975 que a ONU tem como política oficial o ataque a Israel; é estranho, aliás, que tenha entregue a política de direitos humanos à Arábia Saudita, à Síria, à Líbia e a Cuba, financiando organizações abertamente anti-semitas e amigas de organizações terroristas (e ter sempre dado a mão ao grande responsável pelo facto de a Palestina não ser um Estado independente, Arafat). A resolução que condena os colonatos israelitas esquece que Israel foi sucessivamente atacado (1948, 1967, 1973) pelos estados árabes da região (o que nunca motivou protestos) com vista ao seu extermínio, razão pela qual o Hamas, que domina a faixa de Gaza, ter abrigado militantes jiadistas de todas as origens. Numa cidade do Irão existe inclusive um gigantesco relógio digital anunciando os anos e dias que faltam para a destruição de Israel. A ONU acha isso uma gracinha e o Ocidente ri-se. Por isso, Israel tem o direito a defender-se contra as ameaças reais. E sim, deve ser obrigado a parar a construção de colonatos no dia em que os agressores desistirem de agredir Israel. Arafat nunca o fez. A ONU também não.

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As ‘raparigas’ estudam mais na universidade, são melhores e mais discretas.

por FJV, em 03.01.17

O comissário europeu Carlos Moedas veio a Portugal e uma das suas visitas foi ao centro de investigação 3B’s da Universidade do Minho (cada um dos ‘b’ significa biomaterial, biodegradável e biomimético), no Vale do Ave, entre Braga e Famalicão – é ali que trabalham 150 investigadores desconhecidos do ‘mundo pop’ (não têm o ‘glamour’ histérico da Web Summit nem são tão populares como os ‘chefs’ da moda), distribuídos por quase uma dezena de nacionalidades. Nestas áreas de investigação, em poucos anos, a Universidade do Minho conseguiu cerca de 50 patentes científicas internacionais – um caminho maravilhoso. Li várias notícias sobre o assunto, mas o pormenor mais importante (além da natureza do trabalho que desenvolvem, claro) foi desprezado em quase todas: as mulheres são ali praticamente o dobro dos homens. Enquanto os ‘rapazes’ andam a discutir a bola e a apreciar à socapa, muito cúmplices e a coçar as partes, um ministro que chama ‘feira do gado’ a uma reunião decisiva, as ‘raparigas’ estudam mais na universidade, são melhores e mais discretas. Sim, o meu aplauso vai para elas.

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Começar o ano.

por FJV, em 02.01.17

O que sobra do primeiro dia do ano? Revi a melhor das adaptações de Orgulho e Preconceito ao cinema (com Keira Knightley e Matthew MacFadyen – não, não é a de Lawrence Olivier, lamento; quando muito seria a da televisão, com Colin Firth). Entrei na derradeira etapa de um romance de Don Winslon sobre o narcotráfico mexicano. Também constatei que as temperaturas baixaram. Que metade dos comentadores televisivos, à falta de melhor, estava ocupada com questões de economia, como nos últimos dez anos (e no entanto, vemos a tempestade avançar). Que há sempre gente feliz a mergulhar no mar de Cascais. Que o aumento do PIB foi poucochinho. Que a Turquia continuará a colher o que semeou. Cozinhei e comi, um sinal de felicidade. O dia 1 de janeiro nunca parece o primeiro dia do ano. Adio sempre a lista das “resoluções do ano novo” para o dia de Reis. Vai estar mais frio, nessa altura. Terão acabado “as Festas”. T.S. Eliot dizia que abril era o mês mais cruel; janeiro é o mais longo, o que também fará dele cruel – e frio. Todos os anos se repete este receio anunciado.

Dissemos adeus a Nicolau Breyner; todos gostávamos dele, mas muitos não mereciam. Dissemos adeus a David Bowie, a Prince ou a Fidel Castro. Alguém acreditava que demoraria tanto tempo para que os cientistas reconhecessem a teoria da relatividade, de Einstein? Alguém acreditava que um governo podia nascer com base no partido mais derrotado nas eleições? Alguém acreditava que Marcelo podia despedir-se dos seus comentários políticos na televisão (e, de facto, não se despediu – diz-se)? Alguém iria imaginar que uma equipa de futebol especialista em empates podia ganhar o Euro? Alguém acreditava que Nice, Paris, Bruxelas, Orlando e Berlim iriam ser atacadas por comandos de lunáticos islamitas? Alguém ia acreditar que PCP e BE podiam ser metidos no bolso? Alguém – há um ano – acreditava que Trump podia ser presidente dos EUA? Alguém acreditaria que Bob Dylan podia ganhar o Nobel da Literatura? Quem acreditava, há uns meses, que Guterres podia ser secretário-geral da Onu? Alguém acreditava que os discos de vinil iriam regressar? Alguém acreditava que Leonard Cohen podia morrer?

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O calendário também é uma geringonça.

por FJV, em 31.12.16

É provável que “geringonça” seja, para a vida portuguesa, a palavra do ano – um fenómeno novo na política portuguesa, muito apreciado para quem viu a série ‘Borgen’ na TV – porém, ao contrário da série dinamarquesa, os partidos da coligação entram no governo, não se limitam ao parlapié. Seja como for, há outras. ‘Hostel’ é uma delas, como ‘Airbnb’, o novo alojamento turístico dentro de portas, depois de nos anos anteriores ‘tuk tuk’ ter entrado no léxico urbano, juntamente com ‘chef’ para significar quase tudo, desde o preparador de tostas mistas até ao desenhador de comida em restaurantes com estrelas Michelin. ‘Terrorismo’, infelizmente, também entra, tal como ‘migrante’ e ‘refugiado’. ‘Atentado’. ‘Estado Islâmico’. ‘Trump’. Já esquecemos ‘dívida’, ‘troika’ e ‘austeridade’ – mas a nossa vida em 2007 não será muito diferente, no meio de promessas de vida nova e de desejo de melhores hábitos já a partir de depois de amanhã. No fundo, o calendário também é uma geringonça – mas a sério. Uma convenção que tanto funciona como não funciona. Como todos nós.

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Natal, está bem.

por FJV, em 23.12.16

O mundo dos mercados reduziu o Natal à “festa da família”, tremendo à ideia de explicar a origem da data e substituindo a figura de Jesus pela de um Pai Natal finlandês que foi emagrecendo a conselho dos nutricionistas. “Festa da família” já não é mau e foi, aliás, um recurso dos católicos para não afrontar o laicismo crescente – e alargar a celebração a não praticantes. Inteligente. Hoje, o Natal é uma herança da “nossa cultura”, que lhe associa (erradamente) o Hannukah judaico e o solstício de Inverno do nosso hemisfério, uma espécie de reconciliação com os outros. Proponho que a música ultrapasse a questão: ouvir a Oratória de Natal de Bach (BWV 248) pode ser longo e fastidioso mas, como não sabemos alemão, mesmo os não cristãos podem escutar algumas passagens, se não quiserem ouvir a celebração de Camille Saint-Säens, o concerto n.º 8 de Corelli (um prodígio), a ‘Infância de Cristo’, de Berlioz, ou a bela Missa de Natal, de Marc-Antoine Charpentier. Ouvir música é, nestes tempos, resistir à ameaça da barbárie, o que bem precisamos. Seja, portanto, bom Natal.

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LER Inverno 2016/2017: quase a chegar às bancas.

por FJV, em 22.12.16

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• António Araújo: a esquerda e a direita (em Portugal) já não são o que eram, nem voltarão a ser. António Araújo foi à procura de práticas, hábitos e ideias de uma cultura de direita — e do que poderia distingui-la de uma cultura de esquerda. Encontrou, em vez disso, um abismo a separar a cultura das elites e das não-elites. Da Direita à Esquerda, o seu livro, é um estudo sobre o funcionamento da sociedade portuguesa. | Entrevista de Filipa Melo.

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• Entrevista | Salman Rushdie: «A literatura é olhar para todos os caminhos até encontrar um.»  Depois de viver duas décadas sob a ameaça de morte da fatwa iraniana, Salman Rushdie fala à LER sobre o sentido da literatura na sua vida — e na vida de todos nós. | Entrevista de Isabel Lucas.

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• Camille Paglia: Liberdade e Politicamente Correto. A ideologia do politicamente correto (nas universidades e na imprensa) assenta na vitimização e na limitação da liberdade de expressão, diz Camille Paglia. Trata-se de um caso clássico de institucionalizaçãode ideias outrora revolucionárias. Hoje, uma ameaça cruel à liberdade. | Texto de Camille Paglia.

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• Timothy Garton Ash: A liberdade morre se não a usarmos. O historiador Timothy Garton Ash pensa que, no mundo da internet, da acessibilidade e das conexões globais, a liberdade de expressão enfrenta inimigos severos e subtis – a começar pela nossa indiferença, a terminar na vigilância rigorosa e permanente. | Texto de Timothy Garton Ash.

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• Bob Dylan: um prémio contra a corrente. O almoço de dia 13 de outubro caiu mal a muita gente. Alguns dos mais atentos, que receberam a notícia bombástica em direto, terão ficado tão indispostos que não conseguiram comer mais do que uma sopinha. E tudo por causa de um prémio literário. | Texto de Humberto Brito.

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• Montaige: sobre o que flutua, sobre o nosso mundo. Montaigne: o vão, o diverso e o ondulante — ou tudo o que é preciso saber sobre o humano. Ao contrário do que, por vezes, se supõe, Montaigne não era um teórico abúlico e completamente ­fechado ao mundo. A imagem mítica da torre onde se «encerrou» com os seus livros é, no mínimo, incompleta. | Texto de Hugo Pinto Santos.

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• Escritores: como era a vida antes das redes sociais. Do Bloomsbury, em Inglaterra, ao grupo da Orpheu, em Portugal, passando por referências aos «salões literários» do século XVIII, aos frequentadores do Hotel Algonquin em Nova Iorque, Helena Vasconcelos redescobre alguns dos nomes de poetas e romancistas ingleses do Romantismo que viveram em intimidade cúmplice enquanto escreviam. | Texto de Helena Vasconcelos.


• Crónicas de Abel Barros Baptista, Eugénio Lisboa, Leonor Baldaque e Tiago Cavaco.

[Fotografia da capa: Rui Rodrigues.]

 

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Abstinência sexual.

por FJV, em 22.12.16

A jota do CDS fez uma pergunta: porque é que uma criança de 10 anos aprende na escola tudo sobre a utilização do preservativo (e sobre o aborto, segundo os novos donos da escola pública, transformando tudo em ‘questão técnica’), mas só aos 15 anos discute a hipótese da ‘abstinência sexual’? Bom, porque há hormonas. E porque aos 15 anos toda a gente anda com as hormonas aos saltos. E porque a nossa cultura transformou o sexo numa indústria popular e obsessiva. Porque o sexo está em todo o lado, da televisão à política.Porque ninguém está preparado para explicar o que é a abstinência sexual – muito menos os professores – sem explicar o que é a atividade sexual e, explicando o que é a atividade sexual, as pessoas reconhecem o assunto (mesmo a partir dos 10 anos), mas já abstinência, estamos entendidos. E porque os dois pratos da balança estão sempre desequilibrados (o sexo ganha à abstinência). Porque somos tarados, naturalmente. Mas tudo isto não retira à pergunta alguma lógica. Porque só os mais velhos, como eu, podem falar de uma educação para o pudor sem corar de vergonha.

[Da coluna do CM]

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Como os inteligentes tomam conta da cidade.

por FJV, em 22.12.16

Os inteligentes tomaram conta de Lisboa; basicamente, isso significa que estamos lixados. Veja-se isto: trabalho numa zona tranquila de Sta. Cruz de Benfica, um bairro que nunca teve problemas de trânsito.

Em trinta anos recordo-me de três ‘toques’ entre automóveis; nenhum atropelamento; há gente que pedala pelas ruas e que passeia os canídeos; vejo peões a praticar jogging livremente; há empresas por ali, como aquela em que trabalho – têm lugares de estacionamento; restaurantes de bairro fazem o seu negócio; moradores vivem em silêncio, entre plátanos, acácias, araucárias e (é certo) canteiros que estão por tratar.

Entretanto, os lunáticos das obras – uma divisão camarária que ataca de surpresa, mandatada por inteligentes que desenham a cidade a régua e transferidor (por causa das curvas) – chegaram a este lugar tranquilo e vão instalar uma rotunda, alargar os passeios e torná-los irregulares de modo a diminuir drasticamente a faixa de trânsito (por onde circulam atualmente três linhas de autocarro), criar espaços de estacionamento para prejudicar os moradores, instaurar sentidos proibidos, reduzir o espaço para quem corre e passeia, multiplicar o fluxo de trânsito em ruas antes tranquilas e arborizadas (onde, imagine-se, ainda há duas semanas passeavam patos e pavões da Mata de Benfica, nossa vizinha), inviabilizando também o acesso à avenida mais próxima, e dificultando a vida a condutores e transeuntes. 

Aguarda-se – claro – a chegada da Emel e dos psiquiatras. Ou da polícia. Depressa.

 

Act.: Sim, já chegou a polícia, que toma nota – diligentemente – das matrículas dos carros que não se habituaram às novas regras de trânsito que de um momento para o outro alteram os hábitos de trinta anos de paz.

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Psicopedagogia.

por FJV, em 21.12.16

É muito mais difícil escutar os psicopedagogos sazonais do que descortinar as intenções ocultas de Marques Mendes nas suas homilias de domingo. Explico: ao ouvir Marques Mendes sabemos logo qual a sua agenda e qual o objetivo por detrás da cara de seriedade indignada ou do elogio flutuante. Já alguns psicopedagogos não percebo para que País falam. 
Ontem, por exemplo, li e ouvi dois (a rádio está cheia deles) a defender que os pais devem acompanhar os filhos durante estas duas semanas, caso contrário as crianças sofrerão bravamente o trauma durante as férias escolares e a quadra festiva. Não sei o que sentirão os pais cujas "férias de inverno" se limitam aos dois dias do próximo fim de semana e têm de trabalhar no resto do tempo – talvez sofram idêntico trauma. Tempos existiram em que havia um certo bom senso por parte das pessoas que falam para grandes públicos acerca de temas semelhantes (na política também) e em que o afeto verdadeiro entre pais e filhos, ou dos pais pelos filhos, não era avaliado por sábios cheios de opinião e desejosos de espalhar complexos de culpa.

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Ler Gramsci.

por FJV, em 20.12.16

O grande problema da escola pública (além da igualdade do acesso ao conhecimento e à cultura) não são os crucifixos na sala ou o debate sobre criacionismo. Tem a ver com a forma como as ideologias dominantes se apropriam dos programas de História, Português, Filosofia ou Educação Sexual, por exemplo. 
Num interessante debate que ouvi na rádio, um dos intervenientes defendia que a escola «esclarecesse» alunos do 5º ano sobre temas como o aborto, a contraceção ou as «alterssexualidades». Outro dos participantes protestou: há famílias que não concordam com a abordagem desses temas por crianças com 10 ou 11 anos. «Pena. Vá para um colégio privado» – até porque, lembrou, os professores têm uma certa autonomia. 
Ou seja, os novos donos da ideologia do ME ensinam uma nova religião – e quem não está contente, que se mude. O entrismo na política já deu lugar ao seu pensamento único. Não para esclarecer, mas para formar segundo o seu catecismo, independentemente da vontade das famílias. Este é o debate que interessa fazer sobre a escola pública. O resto são negócios.

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Bad sex.

por FJV, em 12.12.16

Tudo tem a ver com sexo – aprende-se isso com a vulgata mais popularucha dos “estudos psicanalíticos”. Uma vulgata tão desmiolada que até Freud se ria do assunto (“às vezes, um charuto é só um charuto”) e deixava Foucault, nos anos 70, indignado com a vaga contemporânea de discursos sobre “o desejo”, uma variante universitária do “desejo”, sim, mas de ver pornografia. Em Inglaterra acaba de ser atribuído o prémio Bad Sex, relativo a más cenas de sexo na literatura – calhou a vez ao italiano Eri de Luca. Não li, mas imagino: uma distração basta para que toda a gente comece a rir, ou, no caso da literatura portuguesa, a discorrer sobre as vantagens da impotência. Nem todos são Philip Roth, e mesmo assim o autor de O Complexo de Portnoy correu riscos abundantes – desculpa-se-lhe porque o tema passa de livro para livro como um pesadelo. A personagem mais injustiçada da literatura portuguesa, a Senhora Condessa de Gouvarinho, de Os Maias, por exemplo, foi destratada por Eça. O motivo? Ela queria sexo e aventura, implicava que queria passar uma noite em Santarém, a meio de uma viagem de comboio, ou que lhe apetecia apenas o picante do adultério; Carlos, apalermado, julgava que ela queria fugir do marido e asilar-se no Ramalhete. É o nosso prémio Bad Sex.

[Da coluna do CM]

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O cantinho do hooligan. O penálti.

por FJV, em 11.12.16

Sim, foram dois penáltis. Um, vá lá — se descontarmos as dúvidas em relação ao gesto de Pizzi. Mas tenho na memória dois golos injustamente anulados a André Silva, mais cinco penáltis não assinalados a favor do FC Porto nos últimos tempos (incluindo aquela mão de Mitroglou no nosso estádio), mais meia dúzia de foras de jogo incorrectos, mais o esgar de Jorge Jesus a falar de «limpinho, limpinho» depois de um jogo sujo, sujo, e, portanto, o futebol (por mais virtudes que transporte) também faz de nós más pessoas, péssimas pessoas, de modo que.

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Uma alma.

por FJV, em 11.12.16

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Praia do Abano, hoje de tarde. Todos temos uma alma pirosa.

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Informalidade.

por FJV, em 11.12.16

Todos apreciamos a informalidade em determinadas circunstâncias. Mas falar de «feeling» a propósito de dados da macro-economia portuguesa não tem a ver com isso. É bem capaz de ser ligeireza, mesmo que o «feeling» venha a estar correcto. 

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Houellebecq.

por FJV, em 11.12.16

Leia a entrevista de Michel Houellebecq à Folha de São Paulo: a França muçulmana e a progressão da Frente Nacional (que é menor do que a da abstenção), em quem os católicos não votam.

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