
Concordo em absoluto com o Senhor Palomar. Quem trabalhou comigo, em redacções de jornais e revistas, sabe que todos os livros de estilo baniam duas coisas essenciais: pontos de exclamação e reticências. As reticências, num jornal, eram um aviltamento do dever, do carácter e da rectidão estilística de um jonalista; nas páginas de um jornal, a sua utilização é um sinal de preguiça e de leviandade. Quanto ao ponto de exclamação, o abuso na sua utilização apenas prolonga a histeria do autor, a gritaria, e muitas vezes a sem-razão de um texto, para não mencionar a agressividade ou o gosto português pela indignaçãozinha. Lembro as segundas-feiras em que não havia primeira página de A Bola sem pelo menos quatro pontos de exclamação, mas também edições circunspectas do Luta Popular (no tempo em que era dirigido por Fernando Rosas caiu um nadinha a percentagem, mas a era de Saldanha foi fatal) em que não faltavam oitenta e dois pontos de exclamação na página 2. O ponto de exclamação é um excesso de ruído que não acorda ninguém, uma espécie de martelo pneumático colocado no final de uma frase.
.gif)

• Leituras frequentes
• Tikkun
• NextBook
• Média | Portugal
• Expresso
• I
• Público
• Sol
• SIC
• TSF
• Visão
• Média | Brasil
• Veja
• Ligações gerais
• A Peste
• Abrupto
• Arrastão
• Blógico
• Bússola
• Claro
• Cocanha
• Daedalus
• F World
• Faccioso
• Filisteu
• Fumaças
• Ilhas
• Manchas
• No Arame
• No Mundo
• Para Não Morrer de Sede no Inferno
• Retorta Blog / Rust Never Sleeps
• Rititi
• John Lee Hooker. Don‘t Lo...
• Amy.
• Erroll.