
George Friedrich Häendel morreu há 250 anos. Cumprem-se exactamente hoje, dia em que as crianças regressam à escola depois de duas semanas de férias e de um domingo de Páscoa – data em que era costume ouvir-se uma das suas peças maiores, a oratória Messias. Hoje, nas escolas, não se sabe quem era Häendel e suponho que os nomes de Bach, ou Mozart, ou Haydn, dizem pouco nas salas de aula. Sinto-me cada vez mais desiludido com o esquecimento destas coisas, culpa minha de não saber acompanhar «o ar do tempo». Sou dos que pensa que o ensino da música devia ser universal e obrigatório – seria uma forma de «democratizar» a arte em vez de escondê-la para eleitos. Infelizmente, em democracia, se a maioria defende o mau gosto, é ele que ganha. Tenho pena, mas Händel não é popular.
[No Correio da Manhã.]
Adenda: nem de propósito.

12 comentários:
De luis a 14 de Abril de 2009 às 02:06
A banalidade do costume sobre música.
Nunca se venderam tantos discos como agora, a Diana Krall está no número 1 do top, como já esteve a Norah Jones ou... a Maria João Pires.
Händel era popular no tempo do analfabetismo?
Não acredito. Se calhar nem nunca foi muito popular. E porque é que havia de ser?
De
anita a 14 de Abril de 2009 às 02:11
pois a esta altura da vida, eu já não consigo avançar dia após dia sem a música barroca de Bach, Vivaldi e também de Haëndel. Parabéns!
De LUIS BARATA a 14 de Abril de 2009 às 09:22
Não é popular? Ainda recentemente foi usado na inauguração da nova ( recauchutada) sala do Plenário da Assembleia da República. Estava eu à espera de um Vianna da Mota, Freitas Branco ou até Lopes-Graça, e sai-me o Jorge Frederico... Handel .
Subscrevo!
(Já agora Händel, Haendel, nicht Häendel)
De Anónimo a 14 de Abril de 2009 às 12:38
Mas alguma vez o Handel foi popular em Portugal? E onde é que "era costume" ouvir a música dele? E em que escolas é que se falava no Handel ou no Bach? Eu, que que era um priveligiado e andei num colégio privado antes do 25.A, pouco mais aprendi aí nas aulas de "canto coral" (as nossas aulas de música...) do que as marchas da Mocidade Portuguesa... O FVJ não está a confundir paises? Não, não pode ser; é que nem em Inglaterra o Handel alguma vez foi popular neste século, a não ser nas capelas dos colégios de Oxford, prái e mesmo assim...
Pedro
De Anónimo a 14 de Abril de 2009 às 13:30
Pelo menos haverá muita gente que viu o filme Barry Lyndon, de Kubrick. Será que sabiam que a música de Handel foi muito bem utilizada neste (http://www.youtube.com/watch?v=erKsIJyfB_Q) filme?.
De
F a 14 de Abril de 2009 às 13:32
Pelo menos haverá muita gente que viu o filme Barry Lyndon, de Kubrick. Será que sabiam que a música de Handel foi muito bem utilizada neste (http://www.youtube.com/watch?v=erKsIJyfB_Q) filme?.
De Anónimo a 14 de Abril de 2009 às 16:14
Antigamente, o Sarabande era tocado pelos pastorinhos do Marão nos seus pifarinhos ;)
Pedro
De juliamar a 14 de Abril de 2009 às 18:19
... não se esqueçam de que hoje se comemora, também, o centenário do nascimento de Soeiro Pereira Gomes. E também sobre ele os nossos jovens sabem pouco.
De M. Graça a 15 de Abril de 2009 às 00:52
O que depreendo do post de FJV é a mágoa, que partilho, perante um ensino que não dá aos jovens a oportunidade de conhecer o que não é popular, seja na música, seja na literatura ou em qualquer arte. Frequentei o liceu nos anos 60, um liceu, aliás de gente modesta (Porto, Campanhã), mas foi aí que ouvi, pela primeira vez, música clássica e aprendi alguma coisa sobre os respectivos compositores, precisamente nas aulas de Canto Coral. Aí começou o gosto e a curiosidade
pela música não popular. E hoje, o que é que se passa nas nossas escolas públicas? NADA! A música desapareceu há muito e a literatura está em vias de extinção.A escola dita democrática não democratiza coisa nenhuma. Limita-se a servir hamburguer , sonegando o caviar.
De Anónimo a 15 de Abril de 2009 às 12:09
M. Graça, olhe que o tal "caviar" estava bastante racionado e muito mal distribuido nos tais anos 60. Sei-o eu, que também sou mais ou menos dessa geração. Quantas crianças frequentavam liceus com organista ou gira discos a tocar Handel nessa altura? Reformulo a pergunta: qual a percentagem de crianças que frequentava o liceu nessa altura, com ou sem Handel? E onde é que "era costume" ir ouvir o Messias na Páscoa? A imensa maioria dos portugueses da geração do FJV devem estar-se a perguntar-se "Mas qual Messias e qual Handel?"
Há muito mais crianças a saberem agora quem é o Handel e a ouvirem Handel, e Bach e Beethoven do que há quarenta ou cinquenta anos, sem comparação, apesar de continuarem a ser uma minoria. E nem sequer falo do muito maior número de conservatórios públicos e privados, escolas de música, etc, que há agora. Falo de muito mais pais esclarecidos, com música em casa, e falo ainda do ensino musical nas escolas, que existe.
Sinceramente, esta do "os jovens já não ouvem Handel" é engraçada. Tomaram eles há quarenta anos poderem ouvir Beatles, que era o que lhes fazia mais falta, quanto mais.
Pedro
De Ricardo Cardoso a 15 de Abril de 2009 às 14:08
Apreciamos todos ( os leitores ) a vasta cultura bibliográfica do autor deste blog mas temos de contextualizar as suas tiradas de natureza mais diversa. Com efeito há estudos sérios realizados sobre a divulgação da musica erudita e os resultados, francamente animadores. O FJV devia evitar extrapolar a sua própria experiencia musical, pois embora domine magistralmente um dos instrumentos mais belos: "a palavra" , parece nada perceber sobre teoria musical propriamente dita. Essa com pautas, notas e muito treino; essa que se adquire com anos de trabalho. Talvez por isso deva tomar mais cuidado quando pretende diagnosticar a respectiva pratica, e tambem, talvez por isso os seus leitores devam comentam este estilo de posts de uma outra forma, tomando em conta esse contexto.
Comentar post