Segunda-feira, 05.01.09

Hoje é o começo. Estivemos um mês à espera deste dia, o começo verdadeiro de 2009, com aulas e trabalho a sério. Pelo meio assistimos a toda a espécie de previsões e fizemos as nossas, preocupadas e desconfiadas. Também ouvimos discursos sobre como vai ser difícil o ano. Parece que vamos «entrar em recessão na economia», expressão que não quer dizer nada para os portugueses que atravessaram o último mês – e que julgaram, na sua inocência, que já estavam em recessão. O resto foi dito pelo Presidente, na sua mensagem de Ano Novo: gastamos mais do que produzimos. Significa que o aperto vai ser grande durante estes meses, com menos luxos, menos gastos, menos euforia. Os cépticos tinham razão, como sempre. O que não faz deles pessoas mais felizes: apenas estavam preparados.

 

***

Falamos demais sobre o ano que aí vem – desenhamo-lo como o ano de todos os perigos. Todas as nossas previsões são más, quer na política, quer na economia. É um cenário cinzento, triste, pouco dado para explosões de entusiasmo. Há quem veja nisso vantagens, como se a crise económica tivesse chegado para nos despertar de um optimismo doentio e sem suspeitas, cheio de computadores Magalhães e de novas tecnologias que nos poupariam o sofrimento, o trabalho e o estudo. Eram paraísos artificiais, promessas que não deviam ter sido feitas. Desde há anos que se juntavam as peças deste puzzle. O optimismo a todo o custo é a face visível de uma crise mais profunda, a do carácter. Todas as mudanças positivas nasceram em momentos de grandes dificuldades.

[Da coluna do Correio da Manhã.]



FJV
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4 comentários:
De henedina a 6 de Janeiro de 2009 às 01:37
"Todas as mudanças positivas nasceram em momentos de grandes dificuldades." Mas se as mudanças positivas nascem em momentos de grandes dificuldades então vamos ter mudanças positivas, só que deixamos de viver então em dificuldades e então...deixamos de ter mudanças positivas. Uff, isto cansa.

falam de crise, crise, crise só para terem razão qta mais crise houver mais necessário é a esperança.

eu este ano tenho a minha frente uma tarefa hercúlea nem a crise me distrai, arranje um problema sério ( até pode ser o fjv a provoca-lo) e vai pensar menos na crise.

sabe qual é o meu pensamento neste início de 2009 ?
"só para a morte é que não há solução"
Quando eu acreditar nisto digo-lhe.


De henedina a 6 de Janeiro de 2009 às 15:37
"falam de crise, crise, crise só para terem razão qta mais crise houver mais necessário é a esperança.

eu este ano tenho a minha frente uma tarefa hercúlea nem a crise me distrai, arranje um problema sério ( até pode ser o fjv a provoca-lo) e vai pensar menos na crise."

Estes 2 paragrafos não traduzem o que quis dizer . Nada distraí da crise porque todos vão vive-la mas agora é ter pensamento positivo e arranjar soluções porque depressão na economia sim mas as pessoas paralisam qdo estão infelizes e esta é que é a tarefa herculea para todos "só não há solução para a morte". Ou só não devia haver.


De ViriatoFCastro a 6 de Janeiro de 2009 às 20:17
Começou 2009, é certo. Contudo, FJV não podia deixar de lhe trazer esta breve nota de Balanço sobre 2008.
Aqui fica

http://penasuave.blogspot.com/2009/01/o-meu-balano-de-2008.html


De Joana Palminha a 9 de Janeiro de 2009 às 22:33
Acho curioso tanto pessimismo...
Como quando se lançam foguetes à mínima vitória, também vá de cair o "carmo e a trindade" perante os contratempos...
2008 foi um ano muito difícil (falo por mim) e as dificuldades que se prevêem para este 2009 que agora começou são mais que muitas. Conclusão? Lutar contra isso.
O optimismo desregrado nunca foi por mim adoptado, mas daí a jogar tudo abaixo porque "será difícil"... (e cito) jamais.
Se assim for, o que é que andamos aqui a fazer?
Continuação de "bom" ano e de posts realistas.


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