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90 anos de Domenico Modugno.

por FJV, em 09.01.18

Tenho um gosto desgraçado por cantores vagamente pirosos e Domenico Modugno, além de estar no pódio dos génios da “música ligeira”, tem uma vantagem soberba: era italiano (de Bari), cantava em italiano e resumia a “figura do italiano”, como Mastroianni. No dia de hoje completaria 90 anos (nasceu em 1928; morreu em 1994, na bela ilha de Lampedusa). Ouço-o muitas vezes (tal como a Gianni Morandi, Adriano Celentano, Sergio Endrigo ou Jimmy Fontana – e conheço as letras). Passando por alto a sua carreira no cinema (atuou em mais de 40 filmes) e na política (deputado do Partido Radical, envolvido em causas públicas), a voz de Modugno comove-me de cada vez que oiço “La Lontananza” ou os seus clássicos “Piove” (ou “Ciao ciao bambina”), “Come prima”, ‘Notte lunga notte’, ‘Dio come ti amo” (há um dueto fantástico com Gigliola Cinquetti) ou, claro, o grande “Nel blu dipinto di blu”, conhecida como “Volare” nas versões de Sinatra ou Dean Martin. Modugno era um poeta (colaborou com Pasolini e Salvatore Quasimodo) e um instrumento da melancolia romântica desses anos 60 italianos. Eterno. 

 [Da coluna no CM]

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